Chamo-me Evônia di Filippo. Sou descendente de italianos mas brasileira de nascimento. Tenho acompanhado toda esta polêmica sobre pastoras e até aqui me mantive calada. No entanto, após encontrar uma velha amiga da juventude num shopping, conversamos sobre o assunto.
Frequentávamos a mesma igreja na adolescência, mas depois minha família mudou de cidade e passamos a frequentar outra denominação. Após o encontro eu esta minha amiga trocamos e-mails. Claro, falamos mais sobre este assunto tão borbulhante. Até que um dia o esposo dela, que é pastor, me escreveu um longo e-mail. Foi quando caíram as escamas de meus olhos.
Antes de tudo, porque ex-pastora? Simplesmente porque não é bíblico.
Na igreja onde passamos a frequentar se pratica o básico da bíblia. Sempre tivemos como pastores homens que estudaram o mínimo da teologia e adicione a isto, que em suas épocas, não se falava de pastoras, nunca algum deles sequer pensou teologicamente sobre o assunto.
Quando tomei consciência de minha obrigação de trabalhar para o Senhor, mergulhei de corpo e alma. Em pouco tempo eu fazia de tudo, menos batizar e servir ceia. Aceitei o chamado missionário e ajudei a plantar uma igreja.
Quando voltei para a igreja, convenci-me de que eu poderia ser uma pastora, afinal, em Cristo somos todos iguais. Não demorou muito e toda a congregação já me chamava de pastora e, até pelo fato de estarem sem pastor, assumi a liderança.
Subi rápido na hierarquia denominacional e, por ocasião de meu encontro com a minha amiga, eu já liderava não apenas uma congregação, mas um grupo de pastores e pastoras. Era assim uma bispa.
Realmente, não há na bíblia nada que sustente a ordenação feminina. Ao contrário, tudo o que foi dito por vários estudiosos está correto. O que me impediu por alguns meses de não aceitar e buscar refutação em textos fora de contexto foi o meu orgulho e meu pecado. Sim, pecado em não aceitar a função que Deus me deu.
Troquei mais e-mails como o esposo de minha amiga e joguei em cima dele, com muita autoridade e até um pouco de raiva, toda a argumentação que pude colher, mas uma a uma, com amor e carinho, ele foi refutando com muita base bíblica sólida e tão clara como o sol de meio dia.
Reconheci o meu erro. Não o de fazer o serviço do Senhor, mas o de querer torcer as escrituras para apoiar o que ela não apoia e o orgulho que me assolava o coração. Isto não faz de mim um ser inferior. Inferior eu era quando não aceitava o papel que Deus me deu na humanidade e na sociedade.
Aprendi que posso ser feliz e realizada, cumprindo meu papel de serva de Cristo, fazendo discípulos e cooperando com o crescimento da Igreja sem a necessidade de títulos.
Não sei qual a motivação de muitas mulheres em quererem ser reconhecidas como pastoras. Talvez a maioria, assim como eu, era sincera em seus desejos, mas a partir do momento em que são expostas à verdade inegável das escrituras, o melhor a fazer é se humilhar e aceitar o que a Bíblia nos ensina.
Isto é o que eu penso. Isto é o que eu aconselho.
Fraternalmente a todas,
Evônia di Filipo
*Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, locais ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência

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