Ser pastor, ou um ministro do evangelho, é uma vocação ou um comissionamento? Qualquer um pode ser pastor ou somente uns escolhidos? Primeiro, deixe-me colocar algumas premissas. (a) Por qualquer um me refiro a qualquer crente. Parto do pressuposto que seja um convertido. (b) Por escolhido não me refiro a eleição para salvação, mas uma escolha específica dentre os escolhidos para o exercício do ministério pastoral.
Em 1Tm 3.1 diz: “Esta afirmação é digna de confiança: se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função” (NVI). A primeira questão trata-se de a pessoa desejar. Paulo começa com "aquele que almeja (1Tm 3.1). A seguir, vem as qualificações. Em resumo, qualquer um pode ser elegível ao ministério pastoral, conquanto que ele deseje (o que seria, a meu ver, a vocação) seguindo de qualificações espirituais mínimas conforme detalha Paulo em 1 Timóteo e em Tito.
Isto não quer dizer que Deus, soberanamente, possa escolher, anunciar e comissionar pessoas específicas em tempos específicos. Aí entram Agostinho, Huss, Lutero, Zwinglio, Calvino... Porém, penso que são situações extraordinária que exigem uma intervenção divina legítima.
Por outro lado, ordinariamente, nas instruções de Paulo a Timóteo e Tito, o papel destes dois delegados não era mais escolher eles mesmos os bispos do que presidir e orientar a assembleia da Igreja na eleição de presbíteros e diáconos. Em outras palavras, a igreja elege seus líderes dentre os seus pares.
Ordinariamente então, tudo começa com uma inspiração interna promovida pelo próprio Deus na pessoa do Espírito Santo. Ele pode usar diversos métodos como pregações desafiadoras, sensibilidade ante necessidades, ou até mesmo algo mais "místico" como um sonho, uma palavra dirigida pessoal e especificamente. O crente vai percebendo, convencendo-se internamente, que deve almejar o episcopado. Externamente, ele vai demonstrando características que Deus, em sua Palavra, exige como qualificação mínima. Uma vez que a assembleia da igreja percebe e prova estas qualificações, lhe é outorgada o direito de reconhecer e eleger o presbítero.
Isto ocorre na esfera física e humana. Sendo assim, neste universo, a percepção que temos é que, ordinariamente, não houve uma intervenção divina. Acontece que, sendo Deus transcendente, é claro que ele age e intervém na sua criação. Ele zela pela sua Igreja e a provê de pastores a fim de que sejam alimentadas as suas ovelhas (Ef 4.11,12). Se a Igreja é a Igreja de Cristo (propriedade exclusiva dele) não é possível admitir que ele não cuide pessoalmente das pessoas que sub pastorearão o seu rebanho. Sim, porque ele é o Supremo Pastor (1Pe 5.4).
É verdade que há perigos. Deixando de lado os ladrões (Jo 10.10) e que neste caso não são nem mesmo convertidos, consideremos que há pastores que secularizam o ministério, corrompem-se, são seduzidos pelo dinheiro, tornam-se tiranos, buscam glória e reconhecimento humanos, e tantos outros erros. Há dois entendimentos aqui: primeiro, Jesus não permitirá que seus eleitos se percam por causa destes maus pastores (Jo 10.27-29). Em segundo lugar, Deus dá aos que são escolhidos para lideraram o rebanho uma responsabilidade. Eles serão devidamente cobrados pelo uso, bom ou mal, que fizeram de suas prerrogativas. Não somos capazes de entender profundamente as palavras de Paulo aos líderes da igreja em Corinto, mas está claro que os pastores serão responsabilizados severamente (ver 1Co 3).
Em resumo, o ministério pastoral é uma escolha divina que se manifesta em nosso mundo, ordinariamente, com uma convicção interna por parte do escolhido e que depois se torna em evidência externa caracterizadas pelas prerrogativas das epístolas pastorais a Timóteo e Tito. Por isso, todo pastor deve se conscientizar, mesmos no mais profundo momento de oposição, que lhe foi confiado uma excelente obra.


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