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| Fig1 |
Descartes me faz lembrar muito Rm 12.1,2: "Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus". (o grifo é meu).
Descartes dizia que as aparências enganam. Ele dizia que todo conhecimento adquirido somente pelos sentidos (tato, olfato, visão, paladar, audição) não pode se confiável até que tenha sido submetido ao crivo da razão, da mente. Isto porque somente a razão é fonte segura de conhecimento.
E há muita verdade nisto. Quem nunca se enganou quando pensou ter visto um monstro no quarto, olhando na penumbra? Quando a luz se faz presente, era apenas a toalha pendurada na vassoura.
Neste texto de Jo 7.14-24, Jesus combate seus opositores fazendo menção a uma justiça aparente em comparação com a justiça verdadeira. A justiça dos homens é aquela que se sente, se ouve, se vê, ou seja, ela é aparente.
A justiça divina é aquela que vem do alto, não visível, ou audível ou sensível fisicamente. Ela é apreendida pela razão, pela renovação do entendimento. Ou em outras palavras, é preciso ser nascido de novo, nascido do Espírito para compreender a justiça divina.
Um outro filósofo, Platão, que viveu 400 anos antes de Cristo, aproximadamente, dizia que há dois mundos: o das aparências, que é este que nós vivemos, e o ideal, ou perfeito, invisível mas real. Este mundo ideal é do alto; já este nosso aqui, é o de baixo. O mundo do alto é o mundo das coisas perfeitas: da beleza perfeita, da bondade perfeita, da justiça perfeita. Criado por um Ser perfeito.
Platão não sabia, mas falava do Deus cristão.
Exatamente por só conhecermos a justiça deste mundo, nossa justiça é imperfeita. Como Jesus é do alto, ele ensina a justiça que vem do alto. Não a justiça aparente, mas a verdadeira justiça.
A justiça perfeita muitas vezes choca-se com a justiça dos homens. E aqui ela divide a humanidade em duas: os que se curvam aos ensinos de Jesus e os que se orgulham, e tentam desacreditar Jesus.
Aos que se curvam ao ensino de Jesus, ainda que não sejam nascidos de novo, ao menos reconhecem que ele está certo. Ora, a justiça perfeita não é praticada exclusivamente pelo crente. Por justa e perfeita, qualquer um pode praticá-la. Deve praticá-la.
Entretanto, aqueles que não se submetem aos ensinos de Jesus, são tomados de ódio e orgulho. E ainda se justificam, justamente pelo fato de não conhecerem a justiça perfeita, que o melhor é eliminar aquele que vem trazendo doutrina diferente.
Os injustos, aparentemente, acham justo praticar um assassinato de um justo perfeito justamente pelo fato de seus juízos estarem embotados por suas convicções.
Neste embate, Jesus deixa seus ouvintes admirados com sua doutrina. Jesus está expondo as Escrituras. A multidão reconhece que ele não tinha sido aluno de nenhum dos rabinos de seu tempo. E o ensino de Jesus estava em perfeita consonância com a Lei.
Uma vez convencidos que Jesus falava a verdade, por que queriam matá-lo?
Talvez alguns dos ouvintes naquele momento não tinham planejado isto, mas as demais autoridades, sim, conforme se lê no início do capítulo 7 de João.
Jesus prova o quanto eles eram orgulhosos, soberbos e hipócritas citando que o ritual da circuncisão era praticado aos sábados, quando a Lei dizia não se lícito realizar trabalho algum. Entretanto, condenavam Jesus que curava pessoas no sábado.
É por isso que Jesus finaliza: "Não julguem segundo a aparência, mas julguem pela reta justiça".
Aplicação
Desde a queda, já tenho dito, que o mundo se dividiu em dois. De um lado os filhos de Deus, de outro os filhos do mundo. E há uma inimizade entre eles. Uma inimizade perpétua, odiosa, profunda.
Somente com o novo nascimento, nascimento espiritual, é possível uma única mudança de lado: ir para o lado dos filhos de Deus.
Neste sentido, há então dois reinos. O Reino de Deus e o reino do diabo. Somente quem está no reino de Deus pode compreender a justiça de Deus. Você precisa nascer de novo, exercendo fé e arrependimento.
Fé no sentido de confiança. Confiar exclusivamente nós méritos de Cristo. Isto quer dizer que precisa crer que somente a morte de Cristo na cruz pode lhe fazer compreender as coisas de Deus.
Arrependimento quer dizer mudança de direção. Significa também concordar que é pecador, que não pode que não tem condições, de fazer por merecer o Reino de Deus. Reconhecer seus pecados e se ressentir deles.
Estas duas atitudes não são sensíveis, necessariamente. Não vemos nada, não ouvimos vozes, etc. Mas, nosso entendimento, nossa mente muda. É transformada.
O primeiro passo é racionalmente decidir seguir o que as Escrituras dizem. A partir deste momento iremos crescer no entendimento da Palavra de Deus, experimentar a prática da justiça verdadeira e desfrutamos da paz e alegria que elas nos proporcionam.
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