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A soberania divina e a responsabilidade humana em Romanos 9 a 11

Introdução

Antes de Cristo, para Deus, somente existiam duas classes de pessoas: judeus e os outros, sendo os primeiros, os detentores da salvação e os demais, perdidos. Após o calvário, esta relação binária permanece. A diferença é que agora existe a Igreja e os outros. No AT, Deus elegeu soberanamente a nação de Israel e rejeitou as demais. Entregou aos israelitas, também chamados de “povo de Deus”, a Lei, para que por ela vivessem.

No NT a relação binária permanece com algumas diferenças: o povo de Deus agora é a Igreja e a Lei é Cristo. Vejamos nos capítulos de 9 a 11 a explicação de Paulo no que diz respeito a estas coisas.

  • Deus elegeu Israel para receber a Lei, que se observada, garantiria a salvação.
  • Por causa da natureza pecaminosa, é impossível guardar a Lei.
  • A finalidade da Lei é evidenciar Cristo. Cristo é recebido não por obras, mas por fé. Rejeitar Cristo é criar uma lei própria.
  • Israel enquanto nação quebrou a aliança ao rejeitar Cristo. Porém, alguns judeus individualmente o receberam.
  • Israel era uma videira, cujos ramos que rejeitaram, foram arrancados. No lugar deles, foram enxertados os outros (gentios, eu e você).
  • A nova videira não é mais uma nação (reino), ou uma raça (judeus). A nova videira é a Igreja.

Capítulo 9 – a soberana eleição de Deus é justa, ainda que nos pareça injustiça.

O que fazer? Não questionar Deus. Ser humilde, aceitando que o que não nos for explicado, devemos acatar sem questionar.

1-13  -  Paulo afirma a escolha prévia e soberana de Deus. 

14-24  -  Deus é soberano e justo, ainda que a justiça de Deus possa parecer a nós como sendo injustiça. Nítida e claramente, Paulo atribui o endurecimento de faraó a uma ação de Deus. Do mesmo barro, o oleiro faz um jarro para pôr água para beber e um pinico.

25-31  -  Paulo prova aos judeus que eles foram rejeitados, em parte, e os gentios, escolhidos. Os judeus buscavam agradar a Deus e foram rejeitados; os gentios foram acolhidos.

Aqui se entende a alegoria de Esaú e Jacó. Esaú tinha direito natural de primogenitura, mas foi rejeitado; Jacó não tinha o direito e foi escolhido. Parece, aos nossos olhos, injustos, mas, “quem és tu, oh homem, para discutires com Deus? Vai acaso a obra dizer ao artífice: por que me fizeste assim?” (v. 20).

32-33   -  Por que os gentios que não procuravam a justiça, encontram-na, ao contrário de Israel? Porque Israel tornou-se orgulhosos. Passou a confiar na sua própria justiça, em suas próprias ações, e não em Cristo, a pedra de tropeço.


Capítulo 10 – Paulo mostra que os judeus conscientemente rejeitaram a Justiça divina e por isso gentios foram introduzidos no Reino de Deus.

Paulo diz que o erro dos judeus foi não terem compreendido a finalidade da Lei: evidenciar Cristo. Não que eles não compreenderam esta verdade, mas, rejeitaram-na, preferindo manter seu próprio entendimento.

Os judeus, em seu zelo pela Lei, foram criando a seu modo, uma justiça com o objetivo de agradar a Deus. Todavia, por causa da natureza pecaminosa, esta justiça própria se tornou em rituais mortos. Quando Jesus se manifestou em carne, provou que ele, Jesus, é a justiça perfeita é que, pela fé nele, o pecador é salvo, é justificado, alcança a justiça que agrada a Deus. Invés de se humilharem em receberem a Cristo, preferiram manter sua justiça própria, e isto foi a ruína deles.

Os judeus não poderiam alegar desconhecimento. Jesus esteve entre eles por 3 anos anunciando sua palavra. Todas as pessoas do mundo ouviram o evangelho (v.18). Podemos tomar esta afirmação literal. Contudo, ainda que alguns contestem, com a mais absoluta certeza, nenhum judeu vivo, nos dias do ministério terreno de Jesus deixou de ouvir o Evangelho.

Então, Deus traz os gentios para tomarem o lugar daqueles que, por sua incredulidade e egoísmo, são arrancados como se arranca o galho seco na ocasião da poda. E no lugar, foram enxertados os gentios.

Capítulo 11 – Um só povo, uma só fé, um só Deus

Paulo esclarece que se a conclusão é de que Deus trocou os judeus pelos gentios, isso é um ledo engano. Nós gentios devemos ser gratos, à luz do “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que são amados por Deus”. Foi justamente o tropeço dos judeus que oportunizou que a salvação se estendesse a nós.

Todavia, o fato de Deus enxertar os gentios na salvação não é o mesmo que dizer que Deus rejeitou completamente os israelitas. Na verdade, de dois povos, Deus, em Cristo, fez um. Faz mais de dois mil anos que todo gentio que ouve o Evangelho, exerce fé e arrependimento, é salvo. Da mesma forma, qualquer judeu que exercer fé e arrependimento, será salvo. 

Assim, não existem três povos: judeus, gentios e igreja. Existem apenas dois: salvos e perdidos. Os salvos estão enxertados na Igreja (o reino de Cristo). “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gl 3.28). “Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos (Ef 4.4-6).

Doxologia (33-36)

Doxologia é expressão de adoração, louvor e exaltação a Deus. Aqui, Paulo não intenciona apenas expressar a adoração, mas dar um “cale-se” você que questiona a justiça divina. Sim, há coisas que para nós são incompreensíveis. Cabe humildemente acatar as ações de Deus. Ele é o Senhor!

Conclusão

Os capítulos de 9 a 11 de Romanos são o fechamento de todo o argumento de Paulo no que diz respeito à salvação pela fé somente. Até aqui Paulo demonstra que são salvos aqueles a quem Deus elegeu (predestinou), mediante a fé e o arrependimento. Rechaça qualquer resquício de salvação baseado em obra ou ação humana. Tudo é exclusividade do sacrifício de Jesus. Deus rejeita aqueles que não aceitam estas coisas. 

Paulo reconhece que a justiça divina é incompreensível em sua totalidade por nós e nos exorta que a atitude correta não deve ser de questionamento, mas de humilde aceitação.

Por fim, demonstra com isso que Deus fez de dois povos distintos, judeus e gentios, um só em Cristo: a Igreja. Jesus voltará para salvar a sua Igreja. Na Igreja há lugar para qualquer pessoa, de qualquer raça ou nacionalidade, desde que se creia “para a justiça e com a boca se confessa para a salvação. Pois a Escritura diz: ‘Todo aquele que nele crê não será envergonhado.’ Porque não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: ‘Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’" (Rm 10:10b-13).



Img: Saint Paul, Rembrandt van Rijn (and Workshop?), c. 1657, in  encurtador.com.br/cCFT2

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