“Partiu Projeto”, pensou o mineiro com cara de matuto que seria o que sua filha adolescente escreveria na rede social. Essas coisa de juventude geração Z sei-lá-o-quê.
A viagem foi apertada. Dava só para mexer os olhos. Sete homens e um destino: Sumaré. Todos num carro de passeio. Mas, nada do que reclamar. Estava frio e o calor humano aqueceu o corpo e o coração.
O mineiro falou. Falou a viagem inteira. Também, ficaram fazendo perguntas. Como não falar?
A equipe chegou na hora. O auditório estava lotado de pastores e lideranças que foram prestigiar a abertura e o lançamento oficial do Projeto Josué. Após o momento de louvor, que foi muito inspirativo, o mineiro com cara de matuto teve, assim como todos os presentes, a graça de ouvir três pastores que são sempre uma grande bênção e privilégio. Homens que de fato são uma inspiração para todos nós: Helio Schwartz, Wagner Vaelatti, e Irland Pereira.
Seria apenas no último dos três dias que o mineiro com cara de matuto aprenderia os detalhes dos Projeto Josué, que tem como objetivo focar pessoas. Neste caso, o foco são os líderes de igrejas pequenas e com poucos recursos, com a finalidade de capacitar tais pastores visando aperfeiçoá-los para o crescimento destas pequenas igrejas
O mineiro com cara de matuto iria ouvir o pastor Adilson Santos, secretário executivo da CBESP, a Convenção Batista do Estado de São Paulo dizer:
“A iniciativa do projeto consiste em quatro objetivos: 1- revitalizar projetos missionários; 2- auxiliar as menores igrejas; 3- plantação de novas igrejas; 4- capacitação de líderes nas macrorregiões”.
Sobre o ponto 2, o mineiro com cara de matuto ouviu o pastor Adilson detalhar o seguinte: “A CBESP destacou o vínculo entre o apoio financeiro e a capacitação continuada das lideranças das Igrejas do Estado. O apoio a pastores consiste em: a) complementação financeira mensal de um salário mínimo; b) capacitação prática ministerial; c) programa de mentoria”.
Nunca antes na história do mineiro com cara de matuto vivida na denominação ele ouvira e vira um projeto tão bem estruturado, elaborado e iniciado. O mineiro com cara de matuto estava incrédulo. “Bão demais da conta, sô. Ô Deus maravilhoso!” — pensou.
O mineiro com cara de matuto estava se sentido muito feliz e privilegiado. Seu coração não aguentava de gratidão. O mineiro com cara de matuto anda lendo muito teologia reformada, que diz que todos somos vermes depravados e não merecemos nada. Há quem não goste disto, mas para o mineiro, este entendimento serve para aumentar a gratidão a Deus e amplia a compreensão de como ninguém, muito mais ele, não tem do que se orgulhar. Ao contrário, dá uma consciência danada de humildade. O mineiro sabia que não merece nada daquilo que estava recebendo. O mineiro sentiu uma profunda gratidão por ter sido duplamente escolhido. Primeiro por Deus, e segundo, pelos líderes que estão selecionando os participantes do projeto. O mineiro orou com muito fervor e carinho por eles.
Mas, se o mineiro com cara de matuto já se dava por satisfeito, ele estava se esquecendo que Deus não faz apenas as coisas boas. Ele faz as coisas muito boas.
Viola caipira.
“Meu Deus do céu! Hinos do CC ao som de viola caipira! Tudo isto para mim!” Ah não, assim o coração do mineiro não aguenta! É que estava lá um tal Vitor Quevedo. Um menino muito simples, que toca viola caipira muito bem, junto com seu companheiro, Anderson.
E nada destas músicas gospel modernas. Tudo música antiga, daqueles que fez o mineiro se lembrar de quando ele era criança pequena lá em Barbacena. Só faltou mesmo o café ao fogão de lenha e um cavaco de broa de fubá.
O mineiro com cara de matuto teve muita coisa que destacar. Todas maravilhosas. Mas o que ele destacou foi que este tal de Projeto Josué acertou em cheio o alvo. Na ótica do mineiro, o projeto viabiliza a identidade denominacional, ao promover a Visão de Igreja Multiplicadora. Une o discurso à prática, pois o mineiro se cansou de ouvir que a Convenção existe para servir às igrejas, mas na prática não via isto acontecendo. Com o Projeto Josué, isto se torna uma realidade.
O objetivo alcançado que o mineiro mais gostou foi a sensação de unidade e cooperativismo cristão que o Josué favorece. O mineiro compreendeu profundamente o significado do juntos somos mais num momento muito específico, quando eram apresentados os currículos de dois palestrantes. Foi assim:
Dois palestrantes deram seus currículos: “doutor disto, tantos anos em tal multinacional, experiência daquilo outro...” Estes dois membros de uma igreja local onde tem mais uns trezentos, literalmente, líderes do mesmo naipe. Aí o mineiro lembrou de uma frase que ele ouvira há muitos e muitos anos, no meio empresarial: o rio corre para o mar!
O mineiro com cara de matuto disse, em pensamentos, para Deus: “lá na minha igrejinha de 40 pessoas nunca vai ter liderança assim. O rio corre para o mar”.
De repente, foi como se um raio atingisse a cabeça do mineiro. Em sua mente ele viu o Rio São Francisco, cujas margens não se veem de uma para a outra. Todavia, este riozaço não nasce assim. As nascentes de seus afluentes são como torneirinhas, que se alguém for lá e der um pisão, mata a nascente. Foi como se o mineiro com cara de matuto ouvisse: “você é uma nascente, e tão importante quanto o largo do rio, é a sua nascente”.
O mineiro entendeu que não havia motivos para se sentir nem menos nem mais do que ninguém. Diante de Deus cada um tem seu papel, tem sua função. Somos um corpo, não apenas enquanto pessoas no Corpo de Cristo, mas como igrejas. E por isso mesmo, tem as igrejas grandes e as igrejas pequenas. Mas ambas igualmente, de Cristo.
Enfim, chegou o dia de voltar para casa. E mais uma vez o mineiro com cara de matuto voltou para casa feliz.
O Mineiro com cara de matuto é uma criação do Pr. Elben M. Lenz César. Como mineiro que sou, fica aqui uma homenagem a este querido pastor que muito me influenciou com o "personagem" Mineiro com cara de matuto, na década de 80


1 Comentários
Texto bão de mais conta sô! Que o Deus Todo Poderoso continue a nos abençoar, capacitar e que este projeto seja para toda a denominação batista.
ResponderExcluirNão use palavras ofensivas.