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Sábado ou domingo: qual o dia de culto

Em tempos remotos houve acirrada discussão em guardar o sábado ou o domingo entre os cristãos. Por tradição, a maioria das denominações evangélicas seguem o legado deixado pelos católicos romanos e guardam o domingo desde que o Imperador Constantino declarou este o dia santo ao Senhor.

Porém há historiadores que afirmam que não só os adventistas são adeptos da guarda do sábado. Ainda hoje outras denominações fazem deste o seu principal dia de culto a Deus.


O propósito aqui não é defender um dia ou outro, mas recuperar a consciência da santidade do “sétimo dia”. “Um faz separação entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha uma opinião bem definida em sua própria mente (outra tradução diz: cada qual proceda de acordo com sua convicção). Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz. (...) Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque se vivemos para o Senhor vivemos. se morremos, para o Senhor morremos. Quer pois vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14.5-8 [ grifo acres.] ).

Como Tudo Começou

“E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou ; porque nele descansou de toda obra que, como criador, fizera.” (Gn 2.3 - [ grifo acres.] ).

O termo hebraico SHABAT quer dizer descanso, e a palavra sábado é a pronuncia aportuguesada. Por isso a palavra shabat (descanso) passou a designar ou nomear, aquele dia em que Deus descansou. Talvez como um memorial ao “descanso” de Deus. A importância, podemos então concluir, não está no dia em si, mas no que Deus fez neste dia.

O descanso de Deus nos fala do descanso eterno da Igreja com Cristo. Deus terminou a criação com o homem, Adão, na tarde do sexto dia e isto aponta para , assim como Adão antes da queda e sem pecado foi o companheiro de Deus neste “descanso”, nós também seremos, quando Jesus vier nos buscar para estarmos para sempre com Ele.

Vamos imaginar como poderia ter sido este dia. Certamente Deus não deitou-se numa cama e foi dormir ou ficou o dia todo assistindo TV. Antes, Ele se alegrou com toda a sua criação e foi por ela adorado. Talvez tenha havido uma festa solene, um banquete onde todos os anjos estavam presentes e cantavam uníssonos: Santo, Santo, Santo é o Senhor ! O convidado de honra, Adão, deve ter feito um lindo discurso usando palavras inexprimíveis de adoração, louvor e ações de graças exaltando a beleza, a majestade, a inteligência, a glória e a força deste Deus tão poderoso. Neste dia, o sol e as estrelas de todas as galáxias brilharam com uma intensidade jamais vista. Os animais, cada um com seu som característico, emitiram-nos em louvor ao Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Então, do alto de sua majestade, Deus pede silêncio e entrega ao homem tudo o que lhe havia preparado. Conduziu-o por toda a terra, mostrando-lhe cada árvore com seu fruto característico; as flores ; os rios com suas águas cristalinas, suas nascentes e suas belas cachoeiras. Os mares e os oceanos. As lindas montanha, os Alpes, as belas planícies, os animais marinhos, terrestres e as aves. Enfim, cada detalhe da criação, explicando-lhe o significado de tudo. Às coisas engraçadas, Adão sorri, junto com seu criador. Emociona-se com a perfeição e a beleza da natureza. Chora por não conter dentro de si um sentimento inexplicável ante tanto poder e majestade. Este dia especialíssimo não podia ser comum. Deus o santifica para ser lembrado por todos os homens. Este dia é do Senhor e para o Senhor.

O shabat aponta para o descanso eterno que a Igreja terá com o seu Criador e Redentor Jesus Cristo. Toda esta festa do primeiro “descanso” se repetirá, agora com mais pompa, mais beleza, mais deslumbre, mais glória. Será as bodas do Cordeiro e lá estarão o mesmo Deus, os mesmos anjos, só que não mais um só homem, porém uma multidão de toda as tribos, povos, língua e nação.

A ordem de Deus para se guardar o sábado está em Ex 20.8-11, onde temos os 10 mandamentos. Eu prefiro chamar de Celebração do Sábado, porque mais do que não trabalhar ou fazer qualquer atividade servil, este dia fala de um memorial. Por esta razão Deus diz “lembra-te”. E também porque mesmo antes da Lei, este dia já era celebrado (veja Ex 16.23) não apenas pelos Hebreus, mas de acordo com os historiadores, por outros povos antigos. Vejamos dois textos:

Ex 20.8-11 - Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.

Dt 5.12-15 - Guarda o dia do sábado, para o santificar, como te ordenou o Senhor teu Deus; seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem assim como tu. Lembra-te de que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia do sábado.

O sétimo dia, o shabat, foi ordenado por Deus com duas finalidades: como um dia de culto e para descanso físico. Ele deu-nos seis dias para cuidar de nossos interesses e necessidades, mas exige que num dia inteiro a prioridade seja cultuá-lo.

O outro objetivo de Deus é cuidar da necessidade do repouso físico. Nosso organismo precisa de descanso para funcionar bem. Além disso, a ganância do homem o faria destruir-se a si e ao seu semelhante. Se não fosse esta lei, os escravos em Israel seriam obrigados a trabalhar até a exaustão. Da mesma forma os animais. Estudos científicos já provaram que o ideal é um repouso a cada seis dias de trabalho. Nestes mesmos estudos verificou-se que o organismo não se recupera quando as atividades são interrompidas a cada 10 dias, por exemplo. A lei do Senhor é perfeita!

Portanto devemos levar em considerações dois propósitos de Deus na lei do “descanso”, o sábado do Senhor. Todo cuidado deve ser tomado. Percebi que alguns exageros são cometidos ainda hoje pela maioria dos cristãos.

Nos tempos de Jesus os Judeus haviam cometido uma série de distorções à lei de Deus. Foi o que Jesus disse com atar fardos pesados para os outros carregarem. Os fariseus aumentaram de 10 para 613 os mandamentos, e criaram várias interpretações para a lei. Sobre o SHABAT relacionaram 39 tipos de ações proibidas, o que levou Jesus a ter sérios problemas com eles nesta área.Jesus nunca aboliu o shabat, mas a hipocrisia e os exageros dos Fariseus. E, da mesma forma, nós hoje temos sido hipócritas em relação ao nosso sábado. Um erro muito comum é o ativismo religioso em vez de culto a Deus. Outro é a negligência ao Dia do Senhor. Neste caso muitos acham suficiente irem ao templo ao culto noturno e está muito bom.

No primeiro caso a responsabilidade é da liderança que não ensina corretamente, às vezes não por maldade, mas por falta de coragem em quebrar as tradições humanas, ou por falta de conhecimento, ou por comodismo mesmo. No segundo é por não considerar a santidade e importância do sétimo dia. Temos planejado mal nosso domingo, exigindo demais de alguns poucos bem intencionados e devotos irmãos e não exortando outros a serem mais fiéis a Deus.

Não é pecado reunir a família aos domingos para estarem juntos, conversando, fortalecendo os laços familiares. Os pais poderiam levar os filhos ao parque, ou brincar em casa. O marido e a esposa terem tempo para si, etc. Ah! e a Igreja. Das 9 às 11 temos a escola dominical; às 15 reunião; às 17 ensaio e às 18 evangelismo. O culto começa às 19 e se não atrasar muito vai até às 21:30. "Depois do culto temos uma pequena reunião com as senhoras" - diz a líder do departamento.

Não estou dizendo com isto que a igreja deva ser abandonada. Quem sabe seja o caso de sempre lermos o Salmo 84 antes de pensar em remodelar nosso domingo, porém o parágrafo acima não descreve um dia de culto mas de puro ativismo religioso. Talvez o melhor meio para alguns relaxarem seja fazer exatamente tudo isto após 6 dias de trabalho, mas não é assim com a maioria das pessoas.

O shabat foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do shabat (veja Mc 2.27). Se o modelo de sua igreja é o tradicional: EBD nas manhãs e culto noturno, não estar presente por opção é pecado. É preciso que as lideranças tenham bom senso e não encham de ativismos aos domingos, mas ao mesmo tempo cobrarem a presença dos irmãos à igreja. Se nos falta sabedoria, peçamos a Deus, que a todos a dá com liberalidade, desde que seja para a honra dele.No início deste capítulo disse que há crentes que guardam o sábado (do nosso calendário) e a maioria o domingo. Foi nos dias do Imperador Constantino que o domingo foi oficializado como o shabat cristão. Até então a Igreja formada pelos judeus, reunia-se aos sábados e a Igreja gentílica aos domingos. Isto como via de regra. Ao que parece não há ordem na Bíblia indicando que deveria haver tal mudança. Os cristãos primitivos passaram a se reunir aos domingos por causa da ressurreição de Cristo neste dia. Portanto a guarda do domingo é mais questão de tradição do que de mandamento.

Podemos analisar alguns textos, os 4 primeiros referindo-se ao domingo e os 3 últimos sobre o sábado.

 Lc 24.1-7 - Mas, no primeiro dia da semana, (...) Ele não está aqui, mas ressuscitou (...).
Jo 20.19 - Ao cair a tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos, com medo dos judeus, veio Jesus e pôs-se no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco!
At 20.7 - No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite.
Ap 1.10 - Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim grande voz, como de trombeta.
At 13.14,42-44 - Mas eles, atravessando de Perge para Antioquia da Pisídia, indo num sábado à sinagoga assentaram-se. Ao saírem eles, rogaram-lhes que no sábado seguinte lhes falassem estas mesmas palavras. Despedida a sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos piedosos seguiram a Paulo e a Barnabé, e estes, falando-lhes, os persuadiram a perseverar na graça de Deus.
At 16.13 - Quando foi sábado, saímos da cidade para junto do rio onde nos pareceu haver um lugar de oração.
At 18.4 - E todos os sábados discorria nas sinagogas, persuadindo tanto a judeus como gregos.
A Bíblia Vida Nova, em sua nota de rodapé ao comentar Dt 5.12-15 diz: “A palavra sábado tem raiz no termo hebraico SHABHAT, que quer dizer ‘cessar’, ‘desistir’. Esta palavra está associada ao sétimo dia antes mesmo da legislação no Sinai ( Ex 16.26). A referência específica ao sétimo dia não aparece no próprio mandamento sobre o sábado ( Dt 5.12 ). Não há razão lingüística pela qual a palavra ‘sábado’ não pudesse ser também um dia de descanso no princípio da semana. A mudança do descanso sabático do sétimo dia é o cumprimento do princípio moral do sábado. O sábado do sétimo dia comemorava a obra da criação divina ( Ex 20.11 ) e a redenção (Dt 5.15 ). O sábado do primeiro dia pode ser reputado como comemoração da nova obra de criação divina ( II Co 5.17; Ef 2.10 ) e a redenção espiritual ( Tt 2.14 ). A ressurreição de Jesus assinalou o clímax de sua obra redentora ( Rm 4.25; I Pe 1.3 ) e parece certos que os cristãos primitivos começaram reunindo-se no primeiro dia da semana em comemoração a esse grande acontecimento. Cristo a si mesmo chamou-se Senhor do Sábado ( Mc 2.28 ) e o primeiro dia da semana posteriormente se tornou conhecido como dia do Senhor ( Ap 1.10 ). Desde então o sábado do primeiro dia tem sido aceito pela vasta maioria dos cristãos”.

Minha conclusão é que não importa o dia que dedicamos ao Senhor. “Quem distingue entre dia e dia, para o Senhor o faz” ( Rm 14.6). Penso que Deus não está interessado em definir um dia específico, mas o que nós temos feito deste dia. Acredito que podemos afirmar que o domingo (do latim dia do Senhor) é o nosso shabat. Assim sendo, tudo o que é dito acerca do sábado no V.T. vale para o N.T. Veja bem, estou dizendo que o que é válido é o que a Biblia diz, não o que os fariseus diziam sobre o sábado.

Portanto, se você guarda o sábado, faça para o Senhor; se guarda o domingo, faça para o Senhor, porque quer sejamos sabatistas ou dominicanos, somos do Senhor.

“Bem aventurado o homem que faz isto, e o filho do homem que nisto se firma; que se guarda de profanar o sábado (shabat) do Senhor, e guarda a sua mão de cometer algum mal.” - Is 56.2 .

“Se desviares o teu pé de profanar o sábado (shabat) e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia, mas se chamares o sábado deleitoso e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no Senhor (...)”. - Is 58.13-14.

@ Vinicius Ferreira

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