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As obras da carne e o fruto do Espírito - Gálatas 5.16-26

Muita gente é levada a pensar que o fruto do Espírito serve para ajudar a cultuar a Deus de maneira melhor. Ou nos fazer adorar a Deus de uma maneira mística, ou mais “espiritual” (com sentido de contrário ao racional). Não! O fruto não é para isto, primariamente. O fruto do Espírito tem como objetivo nos fazer relacionar com o próximo de uma maneira que agrada a Deus.

As obras da carne são atitudes que nos levam a praticar tudo o que é contrário à vontade de Deus. Existe uma guerra interna em todo crente pois uma vez que ele nasce de novo, o Espírito passa a habitar dentro dele. É o batismo com o Espírito de que Jesus falou e que Paulo diz: “todos fomos batizados em um mesmo Espírito” – 1Co 12.13.

Faz parte da responsabilidade do crente, daquele que é nascido de novo, manifestar, expressar, o fruto do Espírito. Comparando-nos a uma árvore, o Senhor Jesus disse que se conhece a árvore pelo fruto que ela produz. É responsabilidade da árvore produzir o fruto bom. O agricultor planta, rega, aduba, poda... Ou seja, oferece todas as condições para que a árvore produza fruto, mas a responsabilidade de produzir o fruto bom ou mal é dela. E se o fruto for ruim, a árvore vira cinza. Se for bom, ela será ainda mais bem cuidada, para produzir mais e mais.

É por isso que eu digo que Deus jamais “toma” a salvação de um crente. No entanto, o crente tem a liberdade de, uma vez experimentado tão gloriosa graça, abrir mão dela, dando as costas a Deus e a tão grande salvação. “Os que tais coisas praticam [obras da carne] não herdarão o reino de Deus” – Gl 5.21b.

As obras da carne
Parece que Paulo classifica as obras da carne em três grupos, que eu chamarei de naturezas. São elas:

1- Natureza sexual.
a) Prostituição – pornea - Qualquer tipo de relação sexual ilícita: adultério, fornicação, homossexualidade, zoofilia, pedofilia, voyeurismo, etc. Sexo entre parentes de primeiro grau (Lv 18). Relação sexual entre divorciados (Mc 10.11-12);
b) Impureza – imoralidade sexual, luxuria, devassidão; de motivos impuro;
c) Lascívia - luxúria exacerbada, sem pudor, contrários aos bons costumes, libertinagem, insolência.

2- Natureza religiosa.
a) Idolatria - adoração de outros deuses, imagens, etc.;
b) Feitiçaria – pharmakeia – manipulação de drogas com objetivo de culto.

3- Natureza relacional – estão ligados ao temperamento e caráter.
a) Inimizades – ter ou causar inimizades;
b) Porfias – contenda, discussão, disputa;
c) Ciúmes – zelos – neste contexto, significa rivalidade invejosa e contenciosa;
d) Iras – raiva, fúria, cólera;
e) Discórdias - propaganda eleitoral ou intriga por um ofício – fofoca;
f) Dissensão – divisão;
g) Facções – “panelinhas”;
h) Inveja;
i) Bebedices – intoxicação, embriaguez;
j) Glutonarias – orgia, farra;

O fruto do Espírito
O fruto do Espírito tem a função de neutralizar, de servir de antídoto às obras da carne. É como alguém que foi infectado por uma bactéria ou um veneno. Ao tomar a medicação, o corpo vai reagindo ao agente causador do mal até neutralizá-lo completamente.

Por esta razão a necessidade de ter sido dito em tom de ordem, mandamento: “andai no Espírito”. Isto quer dizer que quando andamos no Espírito iremos produzir o seu fruto. Na verdade, provamos que temos o Espírito quando manifestamos o seu fruto. Toda árvore boa produz bom fruto; todo fruto bom só pode nascer em uma árvore boa.

Pelo contexto de Gálatas, Paulo combate a ideia antiga de agradar a Deus observando leis e cerimoniais. Isto foi ordenado por Deus aos judeus muito mais para provar que o homem é incapaz de fazer o bem sempre, sozinho, sem a ajuda de Deus. Desta forma, a chamada Lei não pode garantir a vitória sobre as obras da carne.

Já o fruto do Espírito, sim. Eis então suas características:

1- Amor – ágape. Este amor não é tão somente sentimento, mas muito mais ação. Fala de sacrifício, entrega, altruísmo. Por esta razão Jesus disse e Paulo repetiu: “Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5.14).
2- Alegria – É a alegria tema da carta aos Filipenses. Lembra contentamento em todas as circunstâncias. Quando aprendemos a nos contentar em Deus não sobrará espaço para qualquer obra carnal que atente contra nosso irmão.
3- Paz – neste sentido, ausência de guerra. Guerra contra o próximo, seja em que nível for.
4- Longanimidade – alguém já disse que é ânimo longo; paciência, tolerância.
5- Benignidade – integridade, bondade prática; aquele que tem prazer em fazer o bem.
6- Bondade – pessoa de boa índole, que tem o coração gentil e amável.
7- Fidelidade – característica de alguém em que se pode confiar; confiável.
8- Mansidão – gentil, humilde, brando.
9- Domínio próprio – aquele que tem autocontrole sobre seus desejos sexuais.

Temperamento e caráter
Nossa relação com o próximo é governada pelo nosso temperamento e nosso caráter. Ainda hoje a ciência aceita estes dois termos como sendo:

a) Temperamento – o que controla a nossa maneira de reagir.
b) Caráter – o que controlo nossa maneira de agir.

Segundo dizem, o caráter é formado até os 5 anos de idade. Talvez vai um pouco mais além. Já o temperamento nasce com o indivíduo.  O caráter pode ser mudado, mas quanto mais velho, mais difícil fica. É por isso que a Bíblia recomenda que devemos ensinar o caminho em que se deve andar enquanto o aluno é criança.

O temperamento, segundo Tim Lahey, que ficou famoso com seus livros sobre o assunto, não pode ser mudado, mas pode ser controlado pelo Espírito. Eu diria que até certo ponto, qualquer um pode ter controle sobre seu temperamento, mas é claro que o Espírito, de modo sobrenatural, potencializa este controle.

Ambos, temperamento e caráter precisam de muito esforço para se conformarem ao padrão Bíblico. E em nenhum lugar da Bíblia há promessa de fórmula mágica para isto. É necessário que o crente se esforce para alcançar o objetivo.

Efésios, a partir do capítulo 4.25 até 5.21 dá uma longa lista de atitudes a serem tomadas por parte de quem quer ser mudado e controlado pelo Espírito.

“Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo. Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira; nem deis lugar ao Diabo. Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo. Mas a prostituição, e toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto não sejais participantes com eles; pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (pois o fruto da luz está em toda a bondade, e justiça e verdade), provando o que é agradável ao Senhor; e não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso. Mas todas estas coisas, sendo condenadas, se manifestam pela luz, pois tudo o que se manifesta é luz. Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”.

Conclusão
O objetivo do fruto do Espírito é servir de antídoto para as obras carnais que, infelizmente, estão e estarão presentes em mim até a volta de Jesus. É minha responsabilidade sufocar as obras carnais manifestando o fruto do Espírito. A o único jeito de produzir este fruto é:
1- Fazer uma autoanálise e ver onde estou mais vulnerável.
2- Orar, pedindo a Deus que me capacite e me ajude nesta batalha.
3- Sufocar a carne, praticando o aspecto do fruto que lhe é contrário.




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1 Comentários

  1. Muito bem explicado,ajuda muito...Que Deus possa nos ajudar a frutificar de seu espírito

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