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Maldito! Eu?

“Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR relaxadamente! Maldito aquele que retém a sua espada do sangue!” – Jr 48.10

Este texto encontra-se numa sentença que Deus profere contra a nação de Moabe. É uma sentença duríssima, onde se afirma que o povo moabita, enquanto nação, seria exterminado. A profecia cumpriu-se quando Nabucodonosor varreu Moabe do mapa.


O que me chama a atenção é que o verso 10 informa ser da vontade de Deus. O próprio Senhor Deus queria fazer Moabe desaparecer. E ai Ele sentencia: “maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente (negligentemente, frouxamente)!” Seria maldito aquele que uma vez escolhido para matar, se recusasse a fazê-lo: “Maldito aquele que retém a sua espada do sangue!”

O simples fato, em minha opinião, de participar do culto congregacional não deixa de ser uma tarefa cristã. Assim, frequentar os cultos somente quando não há mais nada o que fazer, ou com a disposição de desmotivar outros, é uma forma de relaxo e falta de zelo. Que dirá então de outra atividade que coopera diretamente para o crescimento da Igreja!

Eu não tenho o privilégio de dedicar 99% de meus esforços para servir a Deus. 99% e nada é a mesma coisa. Deus é excelente! Exige e merece a excelência!

Quando olhamos para a parábola dos talentos, seu sentido nos mostra que Deus dá aos salvos uma tarefa a ser cumprida. Não existe expectador no Reino. Quem não trabalha não come. Todos, indistintamente, somos comissionados a transmitir o Evangelho da salvação. “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-lhes a obedecer a todas as coisas que vos ordenei; e eu estou convosco todos os dias, até o final dos tempos.” – Mt 28.19,20 (Almeixa XXI).

Nesta tarefa suprema da Igreja, cada crente tem uma função distinta. Como a Bíblia compara a Igreja a um corpo humano (1Co 12.12-31), seguindo por esta analogia, assim como alguns membros do corpo humano executam tarefas vitais, outros até parecem ser dispensáveis na grande maioria da vida.

Na parábola dos talentos reconhecemos este princípio de diferença de tarefas, mas a lição é que cada um será julgado pelo empenho naquilo em que foi comissionado e não no resultado absoluto da tarefa.

Voltando então para Jr 48.10, fazer a obra do Senhor com descaso, com relaxo, é um pecado grave. Participar da vida da Igreja não pode ser algo feito com as sobras. A sobra do tempo, a sobra dos recursos, a sobra da oportunidade.

Não devemos confundir, no entanto, limitação com relaxo. Na parábola dos talentos Deus entende que um era mais limitado que outro e responsabilizou-os proporcionalmente. Outro detalhe é que, por sermos pecadores falhos, cometemos erros. Não é isto que conta como relaxo.

Num jogo de futebol somos capazes de perceber a diferença de habilidade dos melhores jogadores. Mas é notório quando um jogador limitado está dando o melhor de si. Deus, justíssimo que é sabe fazer esta diferença.

Você está dando o seu melhor?

Agora, para que você não se escandalize como o fato de Deus ter mandado matar uma nação e, muito além, amaldiçoar aquele que se recusasse a abrir as entranhas de alguém com uma espada, entenda:

Os moabitas, apesar de descenderem de Ló, sobrinho de Abraão, não andaram nos caminhos de seu ancestral. Dentre os muitos pecados tornaram-se extremamente idólatras a ponto de oferecer sacrifícios humanos ao deus Quemos. “Mas, vendo o rei dos moabitas que a peleja prevalecia contra ele, tomou consigo setecentos homens que sacavam espada, para romperem contra o rei de Edom, porém não puderam. Então tomou a seu filho primogênito, que havia de reinar em seu lugar, e o ofereceu em holocausto sobre o muro; pelo que houve grande indignação em Israel; por isso retiraram-se dele, e voltaram para a sua terra.” 2Rs 3.26-27 (ACF2007).

É compreensível, sob a luz do quão baixo chegou a sociedade moabita, entender que a sentença divina da destruição total deste povo era um ato de justiça e não de vingança. O sangue das inocentes crianças oferecidas como sacrifício ao um deus falso clamava por justiça. Desta forma, a vontade de Deus era a realização da aplicação de justiça.

Sob esta ótica, Jr 48.10 ganha um significado nobre e nos ensina que Deus quer que sua vontade seja praticada também com zelo profundo. E aqui podemos extrair o princípio correto para nossa contemporaneidade.

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