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O amor que sustenta o casamento

Todo cristão sabe que o casamento é uma instituição divina. Todos que se casam o fazem porque estão apaixonados e pretendem viver juntos até a morte. Por mais que já tenhamos ouvido sobre casamento, é sempre bom aprender um pouco mais. Deixe-me compartilhar com você algo que tenho aprendido desde minha conversão. Sim, desde meus primeiros anos de convertido, ainda na adolescência, já lia sobre o assunto. Aprendi e estou aprendendo até hoje. Segundo a Bíblia, o casamento:



  • Foi instituído por Deus - Gn 2.18,21-25; Mt 19.5; Ef 5.31,32.
    • Prover companheirismo, ajuda mútua, proteção.
    • Heterossexual e monogâmico.
  • Um compromisso, um contrato, uma aliança, que da perspectiva de Deus, não pode ser quebrado (Mt 19.6).
  • Procriação e educação de filhos - Gn 1.28; Ef 6.4.
  • Remédio conta o pecado - 1Co 7.1,2.
Neste sentido, um casamento pode durar até a morte mesmo sem a existência qualquer sentimento. Convenhamos, ainda que duas pessoas não se gostem, elas seriam, em teoria, capazes de viverem juntas para cumprir o propósito acima.

Minha afirmativa anterior não é uma certeza absoluta. É uma teoria. Ela serve para constatar que, ao contrário do que a sociedade moderna pensa sobre casamento, é uma falácia buscar a pessoa perfeita antes para se casar depois. Também não é correto casar pesando que eu vou mudar a pessoa ou torná-la melhor.

É verdade que o amor sustenta o casamento. O problema é: qual tipo de amor? Nossa língua portuguesa e nossa mentalidade latina não nos permitem ter uma clara definição pois só temos o verbo amor, enquanto em grego possuímos três verbos distintos: eros, phileo e ágape. Na maioria dos casamentos o tipo mais nobre de amor, o terceiro, está totalmente ausente. Vejamos as características destes amores para trazer mais luz ao nosso tema.

Eros - é o desejo intenso (apaixonado) pelo que se não tem, porque uma vez que se alcança, o desejo acaba. Ninguém deseja o que tem. Quando se deseja algo que é impossível de se obter há o que chamamos de amor platônico. Estes conceitos são trabalhados por Platão. Assim, neste nível, desejamos (amamos) o que não temos, porque quando alcançamos, não desejamos (amamos) mais.

Phileo -  o conceito de phileo é desenvolvido por Aristóteles como sendo um sentimento desapaixonado de fidelidade, objetivando o bem do amante ou de ambos ou mesmo de um grupo (uma família, uma equipe). É também, e principalmente, contentamento, alegria, satisfação com o que se tem. Phileo é amar o outro pelo que ele é simplesmente, independente de seus defeitos e limitações. No entanto, o phileo busca uma recompensa, que é a satisfação pessoal que o amado pode lhe retribuir. Desta forma, quando o benefício (a alegria) advindo deste sentimento acaba, este amor extingue-se.

Agape - é conceito mais nobre de amor e o mais abundante na Bíblia. O chamamos de amor sacrificial. É o que define o termo latino caridade. Ele é incondicional, voluntário, decisório (sujeito à vontade do amante). No ágape o que sente o amado tem mais importância do que o que eu sinto. Nesta relação, aquele que ama fará de tudo para que a pessoa amada se sinta o melhor possível. “No amor de Cristo o amante passa a noite em claro para que o amado repouse” (Clovis de Barros Filho, doutor, professor da USP).

O amor de Cristo é aquele que é capaz de fazer o bem (caridade) até mesmo ao mais ferrenho inimigo. O amor de Cristo é morrer em benefício do amado. No amor de Cristo, o amante fica feliz quando o amado está feliz.

Existe uma diferença sutil entre o ágape e phileo. Ambos amam o amante como ele é. O phileo só permanece amando se receber prazer na relação. Já o ágape, ainda que não receba prazer, continua amando.

Sendo assim, numa relação conjugal não há justificativa para o divórcio. Se o amor que sustenta o casamento é o ágape, que por definição é o amor de Cristo, amor sacrificial que sofreu torturas físicas e até mesmo a morte, não há razão que justifique o divórcio. Nem mesmo o adultério, como nos ilustra a história de Oséias.

Oséias é aquele profeta que se casou e sua mulher o abandonou para ser prostituta. Quando ela não servia mais ao seu cafetão e não lhe dava mais lucro com o serviço de prostituição, este iria vendê-la como escrava. Oséias a compra e a recebe, não como escrava, mas como esposa. Isto é amor ágape.
Como está o seu relacionamento conjugal? Com qual tipo de amor você tem amado seu cônjuge? Ainda em sua avaliação não consiga contemplar o ágape como aquele que domina sua relação, Deus pode dar-lhe esta graça. Busque a Deus em oração e peça que o ajude a desenvolver o fruto do Espírito, fruto este que começa com o ágape.

Lembre-se também do amor de Cristo. Sinta como Jesus o ama mesmo sem você merecer. Pense em como você se sente grato por ser amado por Deus e peça-lhe que ajude a desenvolver o mesmo sentimento pelo seu cônjuge.

Estou absolutamente convencido que irá conseguir porque isso é da vontade de Deus. E quando pedimos a ele algo que é de seu agrado, ele nos ouve. “Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14 – NVI)

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