Lição 3
Série de estudos baseado no livro "O Credo dos Apóstolos - As doutrinas centrais da fé cristã, de Franklin Ferreira.
Salvo as citações originais do autor devidamente identificadas, as opiniões e comentários são de minha inteira responsabilidade.
Segundo artigo do Credo: o Filho - parte B
Texto Bíblico:
1Pe 2.24 (NVI) - Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados.
Is 53.6 (NVI) - Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.
De modo geral dizemos que a salvação é de graça. Nem todos cometem este erro. O correto é dizer que a salvação é pela graça, porém teve um alto preço. A.C. Sproul, em uma de suas classes de escola bíblica disse que a salvação vem pelas obras... as obras que Cristo realizou por nós e em nosso lugar.
1- Padeceu
Os evangelistas descrevem as dores pelas quais Jesus passou. Lee Strobel, um ex-agnóstico, entrevistou o Dr. Alexander Metherell, M.D., Ph.D., que deu um relato impressionante dos sofrimentos físicos de Cristo. Sobre suar sangue, Metherell responde: “Essa é uma condição médica conhecida, chamada hematidrose. Não é comum, mas está ligada ao alto grau de estresse psicológico.
O que acontece é que a ansiedade extrema ocasiona a liberação de produtos químicos que rompem os vasos capilares nas glândulas sudoríparas. Em consequência, essas glândulas sangram um pouco, e o suor brota misturado com sangue”[1].
Citando Eusébio, Metherell fala sobre os efeitos das chicotadas, que chegavam a perfurar a pele até os ossos: “As veias do sofredor ficavam abertas, e os músculos, tendões e órgãos internos da vítima ficavam expostos”.
O médico fala de outros efeitos: perda excessiva de sangue, que leva a desmaios e provoca profunda sede. Ao ser pregado nas mãos, é altamente provável ter rompido de um o nervo, que provoca uma sensação de choque elétrico.
Por fim, ao ser pendurado, o peso do corpo faz com que os ossos se desconjuntem. “Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo” – Sl 22.14.
Os sofrimentos de Cristo nos falam de duas perspectivas:
a) Substitutivo – Jesus morreu a nossa morte. A ira de Deus que era contra nós, Jesus a levou sobre si. “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados” – Is 53.5.
b) Identificação – Jesus se identifica conosco em nossos sofrimentos, por isso é capaz de interceder por nós junto ao Pai. E isto nos consola, pois “quando nós sofremos e oramos ao Pai em nome de Jesus, confiamos que temos alguém que vive para interceder por nós, alguém que intercede por nós com completa empatia”[2].
2Co 5.21 (NVI) - Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus.
2- Morto e sepultado
O Pr Franklin é taxativo: “Este é o evangelho. Não devemos nos enganar. Ao estudarmos a Escritura, fica claro que o evangelho é Cristo morto, sepultado e ressurreto. Este é o evangelho”[3] Então, a boa nova de salvação é a obra completa de Cristo, como enfatiza e resume Franklin Ferreira. Se Cristo tivesse apenas morrido, não haveria um justificador e intercessor diante do Pai.
Hebreus, ao falar de como Jesus é superior, nos capítulos 9 a 10, nos diz que Ele é o cordeiro e ao mesmo tempo o sumo sacerdote eterno, no tabernáculo celestial. Ele morre como cordeiro, ressuscita como sacerdote e apresenta seu próprio sangue ao Pai e assim faz a remissão perfeita e perpétua que nos torna justos para Deus.
3- Desceu à mansão dos mortos.
Heresias gnósticas dos primeiros séculos ensinavam que Jesus não morreu na cruz. Ele teria sido substituído por Simão Cirineu. Outros ensinavam que Jesus era um homem comum que recebeu uma “entidade” denominada Cristo. Ao pronunciar na cruz as palavras: Deus meu porque me desamparastes, foi porque este Cristo ter saído deste corpo de Jesus.
O Credo então nos faz confessar o que a Escritura afirma: Jesus morreu de fato e isto foi testemunhado por inúmeras pessoas, incluindo João, o apóstolo e Maria. José de Arimatéia retira seu corpo da cruz, prepara-o para o sepultamento, o que ocorre naquela sexta-feira.
Há uma versão do Credo que traz desceu ao inferno. Isto levou algumas pessoas a afirmarem que Jesus foi ao inferno propriamente dito e pagou a Satanás a dívida. Isto não é que a Bíblia insinua. A palavra inferno nos tempos de Jesus também era usada para se referir à sepultura, túmulo. Assim, a versão do Credo que traz este termo está querendo dizer que Jesus foi colocado num túmulo.
Mas ele ressuscitou e foi visto por cerca de 500 pessoas, incluindo seus apóstolos, em especial Tomé, que tocou suas feridas e pode comprovar que aquele que fora sepultado, estava de volta à vida e que ele era o seu Senhor e o seu Deus (Jo 20.28).
4- Ressuscitou ao terceiro dia.
Como já foi dito, se não houvesse ressurreição de nada adiantaria a morte vicária. O fato de Jesus voltar à vida é a prova de que, assim como ele venceu a morte, nós também venceremos.
Quando Ele diz que as portas do hades não prevalecerão contra a Igreja – Mt 16.18, ele estava advertindo seus discípulos que ainda que viesse a morrer, os portões da morte não os manteriam trancados para sempre.
Alguns interpretam esta fala como que estando a Igreja do lado de fora do Inferno, chutando a porta principal, invadindo o território inimigo, saqueando os bens (almas) e saindo de lá. Eu penso que Jesus se refere ao fato que, como estamos todos mortos em nosso delitos e pecados, estamos presos nesta fortaleza.
A morte física é uma representação da morte espiritual. Um morto não pode sair da cova e voltar a viver. Neste sentido, a cova é uma prisão perpétua. Porém, aqueles que foram justificados pelo Senhor, ainda que venham experimentar a morte física, terão seus corpos de volta, num estado glorificado (1Co 15), num futuro breve.
Conclusão
Jesus morreu em nosso lugar. Nossos sofrimentos não são nem de longe comparáveis aos dele. Ele sofreu inocentemente, mas que a sua justiça fosse tributada a nós.
Mas Jesus não apenas morreu. Ele ressuscitou para ser o primogênito dentre muitos irmãos. Nossa confiança é que um dia seremos como ele é.

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