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A Nova Aliança

Introdução
No antigo testamento vemos Deus fazendo acordos com alguns personagens: Noé, Abraão, Moisés, Davi. Estas alianças são iniciativas de Deus com a finalidade de salvar alguns da condenação eterna.

Infelizmente, nenhum deles ou seus descendentes conseguiram cumprir. Então, Deus promete que faria uma nova aliança de tal forma que Ele mesmo iria dar as garantias necessárias para o seu cumprimento

A velha aliança
Quando Deus chama Abraão, promete que este seria uma benção para todas as famílias da terra (Gn 12.1-3). Note-se que o Senhor tinha em mente não apenas uma etnia (os judeus) mas todas as etnias da terra. Assim, é correto afirmar que Deus já pensava na Igreja.
Pois todos quantos em Cristo fostes batizados, de Cristo vos revestistes. Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e plenos herdeiros de acordo com a Promessa. (Gl 3.27-29).

Desta forma, a aliança feita com Abraão, e mais tarde reafirmada com seu filho e neto era uma aliança feita comigo e com você. Tal qual Adão representava toda a humanidade no Éden, Abraão representava todos os que viriam a ser seus descendentes, que física, quer espiritualmente, pela fé. Vaticinamos assim que a aliança foi uma só, com judeus e gentios.

É bem verdade que até Cristo, a relação íntima e direta de Deus com o seu povo se relacionava, a priori, apenas com a etnia judia. No entanto, qualquer gentio, desde que fosse circuncidado, passaria a desfrutar desta primeira aliança.

É preciso adiantar aqui que esta primeira aliança irá se tornar velha aliança quando Cristo encarnar, morrer e ressuscitar.

Em Moisés, a aliança é confirmada e detalhada. Dois sinais desta aliança são exigidos do povo: páscoa e circuncisão. É uma aliança condicionada a estrita obediência à lei, que ficou sumarizada no decálogo, escrito pelo dedo de Deus em duas tábuas de pedra, posteriormente guardadas dentro da arca da aliança, que por sua vez, ficava no lugar santíssimo do templo.

A circuncisão
Deus a estabeleceu como um sinal externo da aliança entre Ele e seu povo. Na cultura da época, quando duas pessoas celebravam entre si uma aliança, um dos rituais era fazer um corte, geralmente no pulso, de ambos os celebrantes. Sobrepunham a ferida uma sobre a outra, simbolizando que o sangue dos contratantes agora se misturavam e um corria na veia do outro. Era uma aliança de sangue. Não é interessante notar que Cristo teve seus pulsos feridos por nós?

A páscoa
O outro símbolo da aliança, que não foi exigido com Abraão, mas sim com Moisés, simboliza o sangue derramado para livrar o pecador da morte. Era uma refeição que os participantes da aliança tinham que tomar uma vez por ano como um memorial e como uma renovação cuja finalidade era sempre trazer à memória a aliança e seus termos.

Tanto para Abraão, quanto para Moisés, Deus exige perfeição para que a aliança permaneça em vigor (Gn 17.1; Dt 18.13). Infelizmente, nenhum ser humano conseguiu manter-se perfeito. A aliança foi quebrada contínua e repetidamente por todos os seres humanos.

O primeiro dos 10 mandamentos diz: “não terás outros deuses diante de mim”. Mesmo os judeus jamais conseguiram guardá-lo. Foi pela quebra deste mandamento que as tribos do norte (Israel) primeiramente, e depois as tribos do Sul (Judá) foram levadas como escravas para seus respectivos cativeiros. E mesmo após o retorno para a palestina, substituíram os deuses de pau e pedra por legalismo e hipocrisias.

O Dr. Augustus Nicodemus, comentando Rm 7.7-25 identifica que Paulo não está apenas falando de sua vida pessoal, mas sim do seu povo que não conseguiu cumprir a parte deles na aliança, observando e guardando os preceitos da lei.

A lei mostra o quanto eu sou incapaz porque joga luz sobre meu pecado. Quando a lei diz que é pecado cobiçar, não é ela que é ruim. Esta lei joga luz e revela minha cobiça. A intenção da lei é me prevenir de fazer algo errado, mas como sou escravo do pecado, desprovido de livre arbítrio para dizer: não!, a lei então lança luz, revela, escancara que estou morto em meus delitos e pecados, totalmente incapaz.

Por outro lado, não sou uma pessoa inconsciente. Não estou desprovido de razão, intelecto e consciência espiritual de que Deus existe. Assemelho-me a um viciado que está psicológica e fisicamente dependente da droga. Aquele que está no fundo do posso do uso de crack, por exemplo, tem consciência do mal que a droga lhe faz. Ele quer parar, mas a dependência é mais forte e vai continuar se drogando até morrer. A menos que uma força maior, como uma internação, atue sobre ele, o viciado não deixará de se drogar.

No tocante à nossa relação com Deus, não é que a lei seja má. O problema é o homem. E é por isso que grita alto em nossos ouvidos: “Como está escrito: “Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm 3.10-12).

A nova aliança
Porque ele diz, repreendendo-os: Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma nova aliança. Não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito; pois não permaneceram naquela minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Esta é a aliança que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei as minhas leis na sua mente e as escreverei em seu coração. Eu lhes serei Deus, e eles me serão povo. Ninguém terá de ensinar ao próximo, nem a seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles. Pois serei misericordioso para com suas obras más e não me lembrarei mais de seus pecados. Ao dizer que esta aliança é nova, ele tornou antiquada a primeira. E o que se torna antiquado e envelhece, está perto de desaparecer (Hb 8.8-13).

A antiga aliança era uma relação condicional entre Deus e o homem. O homem precisava cumprir todos os preceitos da lei para desfrutar de seus benefícios. Ficou provado que não consegue.
Deus então põe em prática a segunda parte de seu plano. Veja, não é um plano B. Deus nunca teve um plano B. A velha aliança era necessária para convencer o homem de que ele é absolutamente incapaz de escolher Deus. O homem tem consciência e quer escolher Deus, mas não consegue. A prova maior é que a lei demonstrou claramente isto, conforme se vê nitidamente em Rm 7.7-25.

A segunda aliança é diferente. É uma aliança de graça e incondicional. De graça porque dá ao homem o que ele não merece. Incondicional porque não exige dele nenhuma contrapartida meritória.
Não estou dizendo que na nova aliança inexiste contrapartida. Estou dizendo que não exige contrapartida meritória, ou seja, que dependa única e exclusivamente de méritos humanos. Por mais de 2 mil anos ficou provado a incapacidade de o ser humano prover méritos próprios.

A nova aliança exige do homem fé e arrependimento. É através destes dois meios de graça que alcançamos a salvação. Precisamos concordar com as Escritura que somos irremediavelmente pecadores, concordar que somente Cristo é capaz de nos livrar da condenação eterna.
Uma vez que exercermos a fé e o arrependimento, podemos dizer que nascemos de novo, ou seja, fomos convertidos por Deus de pecadores condenados em pecadores justificados. Continuamos pecadores, porém justificados com base nos méritos de Cristo.

Há dois símbolos nesta nova aliança: batismo e ceia. O batismo substitui a circuncisão e a ceia, a páscoa. No batismo confessamos que concordamos com Cristo: somos pecadores e merecemos a morte. No batismo por imersão, simboliza que morremos para o pecado e nascemos para uma nova vida. Que, como Jesus, fomos sepultados e ressurgimos para uma vida gloriosa com Deus.

A ceia simboliza o corpo ferido e o sangue derramado de Jesus no lugar dos nossos. Simboliza também a aliança de casamento entre o Noivo, Cristo, e a noiva, a Igreja. Simboliza também a comunhão íntima e a identificação genuína com o próprio Senhor Jesus.

Conclusão
1- Deus sempre teve um único povo: os descendentes espirituais de Abraão, com o qual fez uma aliança para livrar estes descentes da morte eterna.
2- A primeira aliança serviu para mostrar o quanto o homem é pecador e incapaz de salvar-se com seus méritos próprios. A Nova Aliança nos mostra que Jesus é seu mediador e garantidor. É uma aliança atributiva, ou seja, Deus atribuiu graciosamente sobre o crente os méritos que Cristo alcançou ao ser o único homem a cumprir todas as exigências da primeira aliança.
3- Apesar da nova aliança ser uma aliança de graça, você precisa se converter, que é exercer fé e arrependimento, para passar a fazer parte dela – Rm 10.9-11.

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