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Como fazer a Igreja Crescer

Atos 2.42 “e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”.

É impressionante o crescimento da Igreja em Atos. Não me refiro tão somente ao crescimento numérico, mas à maturidade e ao poder que esta Igreja demonstrou. Atualmente, são inúmeros modelos de crescimento de igreja oferecido para todo gosto. Porém, com toda certeza, o único atemporal e com a aprovação divina, é o que o Espírito Santo nos apresenta em Atos. É uma estratégia simples, que não requer absolutamente nada a não ser pessoas sinceras e verdadeiramente convertidas a Cristo. Vejamos.


Doutrina dos apóstolos
A primeira coisa que esta sentença nos comunica é que os cristãos primitivos tinham a “bíblia” como única fonte de revelação, autoridade e doutrina.

Claro que precisamos contextualizar. O que hoje chamamos de Novo Testamento não estava escrito nestes primeiros dias relatado por Lucas em Atos. No entanto, o Novo Testamento nada mais é do que o registro de tudo o que os apóstolos ouviram de Jesus e retransmitiram, conforme as ordens do Mestre. Assim, é seguro fazer esta inferência.

Em segundo lugar, nos fala do modelo de liderança eclesiástica adotado desde o nascimento da Igreja. Tal modelo é o que chamamos de plural. A começar que o texto diz: “perseveraram na doutrina dos apóstolos”. Não diz na doutrina de Pedro.

Desde o nascedouro, a igreja, humanamente falando, foi governada por uma pluralidade de líderes (ver At 20.21,28). Todas as saudações nas cartas são dirigidas aos presbíteros, e não ao presbítero.
Ainda sobre liderança eclesiástica, o texto nos fala que ela tem que ser qualificada. No milagre do Batismo do Espírito, estavam presentes muitos homens. José de Arimateia e Nicodemos, líderes importantes do Sinédrio, converteram-se (Mc 15.43,44; Jo 19,39). Porém, apenas os 11 escolhidos por Cristo pessoalmente, e depois Matias, exerciam a liderança. Ou seja, quem dá as qualificações necessárias para a liderança da Igreja é o próprio Cristo. Após o fechamento do Cânon, quem dita estas qualificações é 1Tm 3.1-8.

Comunhão
Outra característica da Igreja era a koinonia. A tradução do termo é comunhão, mas o que ele significa exatamente?
Koinonia se aplicava a qualquer tipo de sociedade comercial. Também dizia respeito à comunhão de um casal no seu aspecto mais amplo, em que dividem tudo: casa, bens, sentimentos, filhos, intimidade... E se aplicava ainda ao relacionamento com Deus.

A Igreja passou a viver uma literalidade talvez jamais alcançada de Koinonia. NO mundo moderno, onde a individualidade é cultuada, o egoísmo amplamente aceito, necessitamos urgentemente resgatar este princípio.

Partir do pão
Provavelmente aqui fale diretamente da Ceia do Senhor. Como em 2.46 volta a falar de partir o pão de casa em casa e refeições, penso que aqui se refere especificamente à segunda ordenança de Jesus.
A ceia, como sabemos, é o sinal visível de que temos Koinonia com Jesus. O que ela representa é que a carne e o sangue de Jesus agora faz parte da minha carne e do meu sangue. Em certo sentido, nos tornamos um com ele.

Orações
Um judeu orava três vezes ao dia. Em Jerusalém, iam ao pátio do Templo para orar, pela manhã, ao meio dia e ao fim da tarde. Os primeiros cristãos mantiveram esta tradição. E o que devemos orar? Todo tipo de oração a favor de todos, crentes e não crentes. Comentando 1Tm 2.1-4, Calvino diz: “Paulo, em minha opinião, está simplesmente dizendo que sempre que as orações públicas foram oferecidas, as petições e súplicas devem ser formuladas em favor de todos os homens, mesmo daqueles que presentemente não mantêm nenhum relacionamento conosco. O amontoado de termos não é supérfluo; pois ao meu ver Paulo, intencionalmente, junta esses três termos com o mesmo propósito, ou seja, com o fim de recomendar, com o maior empenho possível, e pedir com a máxima veemência, que se façam orações intensas e constantes”.

Conclusão
Tudo que uma igreja local precisa é manter estes princípios. Podemos fazer diversas atividades diferentes. Podemos usar o que de mais moderno temos e das mais distintas formas. Porém nosso princípio deve ser o que se nos apresenta aqui.

Ter a Bíblia como nossa única fonte de doutrina. Nossa única fonte de revelação de Deus e de sua vontade. Eleger e reconhecer lideranças qualificadas de acordo com a Escritura Sagrada. Cumprir as ordenanças da Ceia [e do batismo] e orar. Orar sem cessar. Orar em todo o tempo (Ef 6.18; 1Ts 5.17).

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