Se Mateus escreve aos judeus, Marcos aos Romanos e Lucas aos gregos, João tem em mente o mundo inteiro.
João vai usar argumentos que respondem à filosofia grega. Fala em termos hebraicos e combate o gnosticismo, heresia que já estava penetrando a Igreja quando este apóstolo escreve seu evangelho.
No princÃpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princÃpio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. - João 1.1-14
No princÃpio
Nos remete a Gênesis 1. João atrai a atenção de seu povo ao relatar que Alguém não apenas estava com, mas era da mesma substância que o próprio Yavé. “Estava com Deus” expressa Ãntima e prazerosa comunhão.
O logos
Comumente traduzido por palavra, verbo. Sua abrangência e tão grande, e aqui percebemos a genialidade do EspÃrito Santo ao inspirar João usar este termo. Ou podemos pensar na presciência divina em preparar o mundo para tal. Isto porque o campo semântico do termo logos é tão vasto, que nos fala de muitas maneiras.
Logos se relaciona com a filosofia e fala de razão, intelecto. Refere-se à palavra escrita ou falada. Para Heráclito, aquilo(e) que origina e organiza o cosmo (mundo) e ao próprio logos. Para Aristóteles, é o que nos persuade, convence racionalmente sobre o que é bom ou mal, justo ou injusto. Para os Estoicos, o Logos é a semente geradora do Universo.
Para os judeus, Yavé criou o mundo pela Palavra. João está aqui personificando esta Palavra. Ele está dizendo que a Palavra não é um mero som, mas uma Pessoa.
Se fez carne
Tornou-se um ser humano como qualquer um de nós. Aqui reprova a argumentação da heresia gnóstica, que já solapava muitas igrejas, com Colossos, por exemplo. Basicamente, o gnosticismo dizia que a carne (matéria) é má (diabólico) e o espÃrito e bom (divino). A salvação é então libertar-se da carne, fÃsica e metafisicamente falando.
Os gnósticos ensinavam que Jesus era um homem que foi “possuÃdo” por um espÃrito, Cristo. Ao morrer na cruz, Cristo sai do corpo de Jesus. Assim, nega que a encarnação do Deus Filho.
Por que Jesus precisou encarnar?
São muitas as razões. Eu queria destacar apenas uma: A necessidade de um homem perfeitamente justo.
O conceito de justiça na BÃblia é muito caro. Deus é justiça. Deus é justo. Estes conceitos permeiam de Gênesis a Apocalipse. Tanto que somente os justos serão salvos. Em muitos aspectos, a salvação é alcançada por meio da justiça forense. Deus estabeleceu regras que ele decidiu cumprir.
Ao criar o mundo e tudo o que nele há, inclusive o homem, Yavé deu ao homem o direito de governar e dominar a criação:
“Os céus são os céus do SENHOR, mas a terra, ele a entregou aos filhos dos homens”
(Sl 115.16 Al-XXI).
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre o gado, sobre os animais selvagens e sobre todo animal rastejante que se arrasta sobre a terra”
(Gn 1.26 Al-XXI).
O homem negligenciou a Deus e foi usurpado de sua autoridade. Satanás fez isto, escravizando a humanidade a partir de Adão (Gn 3.1-6).
Tendo Deus estabelecido por lei que a desobediência de Adão acarretaria na sua perda de autoridade e como punição, a morte, para reaver seus direitos, ele, o homem, precisaria morrer.
A lei da usucapião nos fornece um exemplo. Nela, a pessoa que não reclama a posse de um imóvel ocupado por terceiros, por um certo espaço de tempo, perde a posse do referido bem, que passa ser de propriedade do ocupante. Para reaver a propriedade, o dono precisará comprá-la pelo preço de mercado. Assim, ao pecar, Adão perdeu a autoridade sobre a criação, tronou-se escravo do diabo e sofreu todas as consequências da queda. Para retomar sua condição anterior, precisaria para o preço justo: a morte.
Por não ser divino, Adão não poderia retorna da vida por meios próprios. Além disso, seu sangue não era mais puro o suficiente para satisfazer a justiça divina. Assim ficou perpetuamente condenado. Seria preciso um homem perfeito em santidade, sem pecado, e com poder de voltar da morte para quitar a dÃvida. Esse alguém é somente Jesus.
Jesus o homem perfeito.
Seu nascimento virginal proporcionou que Jesus fosse ao mesmo tempo homem e ao mesmo tempo perfeitamente santo. O sangue de Jesus não foi contaminado pelo sangue de Adão. Conforme a ciência já explica, a oxigenação do sangue do feto ocorre na placenta. Desta forma, o sangue que corre no feto não é o mesmo que corre na mulher. Um milagre!
Sendo homem perfeito (sem pecado, sem a natureza pecaminosa) Jesus pode oferecer o preço justo pela redenção da humanidade. Sendo Deus, ele pode voltar do Hades e oferecer perpétuo sacrifÃcio ao Pai em favor dos salvos.
Conclusão
Por que Jesus precisou encarnar? Para a nossa justificação. Jamais o homem conseguirá ser justo diante de Deus com seus próprios meio pois não é perfeito diante de Deus. Somente Jesus, o homem, é perfeito.
Jesus, o Deus-homem é o único com poder para retornar à vida, mesmo tendo morrido para satisfazer a justiça divina, está diante do pai agora, como sempre esteve, intercedendo por todo aquele que o confessa como Senhor e Salvador.
“Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;” – Jo 1.12
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