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Com que roupa eu vou?

Introdução
O mundo greco-romano dos tempos da carta aos tessalonicenses era extremamente promíscuo. Homossexualidade, pederastia, incesto, divórcio, concubinato, bestialidade, prostituição e toda sorte de pornéia, ou seja, imoralidade sexual não era apenas tolerado, mas fazia parte da cultura, dos usos e costumes da sociedade. No século XXI vergonhoso é ser virgem. Quando mais cedo se perde a virgindade, mais respeitado(a) é quem assim procede.

“Quanto ao mais, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como aprendestes de nós de que maneira deveis andar e agradar a Deus, como estais fazendo, abundeis cada vez mais. Sabeis que preceitos vos demos da parte do Senhor Jesus. Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação, que vos abstenhais da fornicação, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, assim como fazem os gentios que não conhecem a Deus; e que ninguém transgrida e defraude nisto a seu irmão, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como antes vo-lo dissemos e testificamos. Pois Deus não nos chamou para imundícia, mas em santificação. Assim quem repele isto, não repele ao homem, mas a Deus que vos dá o seu Espírito Santo” – 1Ts 4.1-8.
A Igreja em Tessalônica não era problemática. Paulo já os havia instruído nas questões de santidade. Todavia, como uma árvore boa é podada para que dê mais fruto ainda, os tessalonicenses são encorajados a fortalecerem ainda mais seu comportamento cristão.

Abster-se da pornéia
Ainda que ninguém em Tessalônica precisasse ser repreendido especificamente nesta área, a vigilância tem que ser permanente. Paulo sabia o quanto a concupiscência da carne é forte. Gigantes da fé caíram em pecados sexuais. O mais famoso é Davi, homem segundo o coração de Deus. Ninguém deve se julgar salvo das paixões carnais.

A luta contra a imoralidade sexual é uma luta do ser humano. Deus nos socorre e nos dá ferramentas, mas a luta é nossa. Deus não nos livras da tentação, mas nos livra na tentação.

O próprio vaso.
Neste caso, vaso é uma metáfora para o próprio corpo. Hernandes Dias Lopes comenta: “A Bíblia diz que o nosso corpo é um vaso (2Co 4.7; 2Tm 2.20,21). O nosso corpo é o naós, o santo dos santos, o santuário do Espírito Santo de Deus. O corpo do cristão foi criado por Deus e remido por Ele; é habitado por Deus, deve ser cheio do Espírito de Deus e glorificar a Deus. O apóstolo Paulo preconizou: ‘Porque fostes compra­dos por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo’ (ICo 6.20). O mesmo apóstolo ainda escreve: ‘[...] o corpo não é para a impureza, mas, para o Se­nhor, e o Senhor, para o corpo’ (ICo 6.13). Na carta aos Romanos, Paulo exorta: ‘Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obe­deçais às suas paixões’ (Rm 6.12) e ainda acrescenta: ‘Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servi­rem a justiça, para a santificação’ (Rm 6.19)”.

Santificação e honra
Em certo sentido, santificação é o processo e o progresso em abandonar as práticas mundanas e pecaminosas, dando lugar a prática do que Deus se agrada. Aqui não se trata de legalismo, mas sim de resultado de uma verdadeira conversão. Uma árvore boa não produz fruto mau. Neste sentido a santificação não é instantânea, entretanto, é constante e crescente. O cristão até pode cair em um ato pecaminoso qualquer, mas é notório que diz respeito a algo esporádico e que vai diminuindo à medida em que ele cresce na fé.

Honrar é tratar com deferência, reverência. Preciosidade. Extrema apreciação e cuidado. Honramos a mesa da refeição familiar, por isso ninguém coloca um pinico sujo neste local. Quebramos a honra quando um valor atribuído pela sociedade é quebrado. Por exemplo, oferecer um café ao visitante é um valor que o brasileiro tem. Negligenciar isto é desonrar o seu visitante, inda que não seja um crime ou um pecado.

Ou seja, mesmo aquilo que não é um pecado moral grave pode ser desonroso se a comunidade entende assim.

Desejo de lascívia
A orientação segue contrapondo a santidade e a honra com o desejo de lascívia. Se lido este verso à luz de Mt 5.27,28, apenas o desejo de ser lascivo já é pecaminoso. Comportar-se lascivamente então mais ainda. É neste ponto que precisamos alargar a interpretação do texto. Diretamente, o texto nos fala de atos imorais e lascivos. Indiretamente, podemos aplicar o princípio de que tão somente o comportamento corporal já contribui para ser pecaminoso por defraudar os outros. E neste ponto chegamos a questão de vestimenta.

Com que roupa devo-me vestir
Usar trajes inadequados é pecaminoso não pelos trajes em si, mas pelo fato de a comunidade entender assim. Deus criou Adão e Eva nus. Deus não tem nenhum problema com a nudez humana. O problema somos nós. É interessante notar que a primeira providência de Deus após a queda foi costurar roupas para o casal por causa da vergonha que sentiram. A nudez desonra tanto o ser humano quanto o Criador.

Usar o corpo para sensualizar ou se deixar sensualizar é pecaminoso. Quem usa seu corpo para sensualizar, consciente ou inconscientemente, peca. No verso 6, o Espírito diz: “que ninguém transgrida e defraude nisto a seu irmão”.

Em 1Tm 2.9, diz: “Do mesmo modo, quero que as mulheres se vistam com decência, modéstia e discrição”. A palavra decência significa: “um sentimento de vergonha ou honra; modéstia, timidez, reverência, consideração para com os outros; respeito” (dicionário Strong).

Limites
É necessário impor limites. Nós somos ávidos por ir diminuindo o pecado no sentido de poder todas as coisas. Lembremos das palavras aos coríntios: “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém...” (1Co 6.12-13).

Ninguém que pesa 180, 200 quilos ganhou essa massa em um mês. Quando a pessoa percebe, é tarde demais para interromper a morbidez. No quesito trajes, analise a moda praia dos anos 1890 e as de hoje. Na sequência de imagens[1] abaixo é possível ver a “evolução”.  Hoje em dia, nem aos cultos as mulheres vão com trajes tão modestos e pudorosos como o biquíni dos anos 1890.

Por isso, uma Igreja séria, cuja liderança é cuidadosa, deve sim impor limites. Lamentavelmente o padrão vai diminuindo com o passar dos anos. Quanto a isto não há o que fazer. No entanto, aquilo que a comunidade entende como exagero, deve ser conferido pelos pastores e líderes para que a Igreja como um todo permaneça saudável e livre de impurezas.

Conclusão
O crente precisa ser santo e irrepreensível em todo o seu procedimento. Deus não deixará impune aqueles que dolosamente contaminam o ambiente de culto com rebeldia e falta de submissão. “Deus não nos chamou para imundícia, mas em santificação. Assim quem repele isto, não repele ao homem, mas a Deus que vos dá o seu Espírito Santo” (v.7,8).

A moda secular, ditada por pessoas completamente sem Deus, servidores de Satanás, tem profundo compromisso com a sensualização. Homens e mulheres de Deus fogem destas coisas. Não se envergonha de andar “fora de moda” a fim de agradar àquele que tem poder para dar vida ou condenar a morte eterna.

Que Deus nos ilumine e no santifique, dando-nos coragem para lutar contra os “dominadores deste mundo tenebroso”, contra as hostes espirituais, e saibamos ter nossos corpos em honra ao nosso Deus, portando-nos de modo digno de receber o Espírito Santo, que deseja que nossos corpos sejam seu templo.



[1]Fonte: http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/historia-da-moda-praia-mais-de-cem-anos-de-maios-biquinis/

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