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Paulo encontra Tiago em Jerusalém

Introdução

Há duas lições fundamentais que o encontro de Paulo com a igreja de Jerusalém e seus líderes, Tiago e alguns presbíteros, nos ensina: como lidamos com a cultura enquanto cristãos, e a importância de se ter relacionamento discípulo/discipulador, ou mentorado/mentor, não apenas no nível pessoal, mas também no nível institucional.



Explicação do texto  -  At 21.17-26
Paulo e sua equipe saem de Cesareia e sobem para Jerusalém. Lá chegando, eles se reúnem com a Igreja e, certamente, entrega a oferta em dinheiro para o socorro deles (At 24.17). Um dia depois, eles vão se encontrar com Tiago e demais presbíteros.

Neste encontro, Paulo relata, em detalhes, tudo o que Deus fez por meio dele desde o último encontro (At 15). Tiago e os presbíteros ouvem com alegria e júbilo. Também informam Paulo que o Senhor tem salvado milhares de judeus, que a despeito de sua conversão, continuam zeloso cumpridores da Lei.

Entretanto, a conversa fica tensa, pois Paulo é informado de que fofocas a respeito dele chegaram a Jerusalém. Tudo indica que parte da Igreja em Jerusalém tem muita desconfiança sobre o apóstolo. Para acabar com a fofoca, Paulo é incentivado a cumprir certos rituais da Lei, e com isto desmentir os opositores.

Quatro judeus haviam feito voto de narizado, cujas prescrições se encontram em Nm 6.14-18. A pessoa tinha que deixar o cabelo crescer durante todo o tempo do voto. Ao final, devia rapar a cabeça. Além disso, precisar oferecer a Deus um casal de cordeiro, um carneiro, uma oferta de cereal, uma bebida. Muitos podres tinham dificuldades em arcar com os custos por isso era comum uma outra pessoa pagar estas despesas.

Paulo concorda com o pedido de Tiago e os presbíteros, demonstrando que se por um lado dos gentios não era exigido o cumprimento deste ritual, conforme as prescrições de At 15, que são repetidas aqui, por outro, não há incompatibilidade da fé cristã com a prática da cultura judaica.
Vale a pena somente destacar que as prescriões aos gentios tinha como finalidade não impedir a comunhão entre eles e os judeus. Não se tratava de ritualismo ou legalismo imposto à Igreja gentílica.

1- O evangelho não é incompatível com a cultura.
“Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, tornei-me como se estivesse sujeito à lei, (embora eu mesmo não esteja debaixo da lei), a fim de ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei (embora não esteja livre da lei de Deus, mas sim sob a lei de Cristo), a fim de ganhar os que não têm a lei. Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns. Faço tudo isso por causa do evangelho, para ser coparticipante dele” - 1Co 9.20-23.

Lamentavelmente nós temos imensa dificuldade em separar o sagrado do profano. Não vai longe o tempo em que a maioria das igrejas evangélicas no Brasil proibiam o uso de maquiagens, certos tipos de vestimentas, prática de esporte, etc. E este conflito não é apenas de nosso tempo. Os reformadores lutaram com questões relacionadas. E sempre houve erros e exageros de ambos os lados.

Praticar os rituais da Lei não teria nenhum problema, desde que ficasse claro que tudo não passasse de um memorial. Cristo é o fim da Lei no sentido de ser ele a finalidade pela qual todo o ritual apontava. Uma vez consumada a sua obra, os rituais estão dispensados, todavia nunca proibidos.

Tenho convicção de que a medida em que o tempo fosse passando, os judeus entenderiam a desnecessidade de continuar com os sacrifícios de animais e as oferendas de alimentos. No entanto é perfeitamente compreensível que aquela geração da transição, ou seja, aqueles que viveram a passagem da velha para a nova aliança teriam conflitos. E isto ficou claro que não era nenhum pecado um judeu convertido continuar a praticar a circuncisão, oferecer sacrifícios ou qualquer outro ritual levítico. A prova é que Paulo concordou com a sugestão de Tiago. E mesmo antes, na sua segunda viagem missionária, quando conheceu Timóteo, circuncidou-o ainda que isto não fosse necessário.

Um grande conflito que eu tenho hoje é quando ouço alguém criticar um culto por causa das músicas. Especialmente um culto de cultura africana, quando associam-no pejorativamente com macumba. Não se trata de macumba ou boacumba. É a maneira como os africanos se expressam e nada há de pecado nisto.

Outro exemplo é que se uma igreja evangélica acender uma vela, isto é visto com o um sacrilégio. Que Deus nos ajude a compreendemos que a cultura não é necessariamente má. Mal é o homem. E ele usa a cultura para o mal se o seu coração é mau. O inverso é verdadeiro.

2- Mentoria
A ideia de mentoria tem sido muito difundida entre os pastores batista atualmente. A mentoria diz respeito a ter alguém mais velho, mais experiente, que possa aconselhar, orientar e oferecer socorro. O mentor é também aquele que zela pela firmeza na fé. É alguém que pode ajudar o mentorando a resolver conflitos e se livrar da pressão nas tentações. O mentor é um confessor. Uma das melhores válvulas de escape é ter alguém de confiança para contarmos nossos pecados. Segurar a pressão sozinho é insuportável, e sem dúvida, a principal razão pela qual se comete suicídio.

Paulo, em todas as suas viagens voltava a Jerusalém para prestar relatórios. Ele reconhecia a autoridade desta que foi a primeira igreja, a igreja mãe de todas. Sua atitude demonstrava humildade e honradez para com os apóstolos.

É lamentável que os homens tenham transformado este princípio em dominação e tirania. Todavia, o erro deles não justifica o abandono de tal prática. Toda igreja local deveria ter uma “igreja mãe”, ou uma “igreja mentora”. Da mesma forma, cada um de nós de ter um discipulador, um mentor, para ajudar nas dificuldades da vida.

Conclusão
Dois princípios importantíssimos que a Igreja tem deixado de lado, ou que nós crentes não temos lidado com toda maestria: lidando com a cultura e cuidado mútuo. O que aprendemos aqui é que a cultura em si é neutra. O homem pode usá-la para glorificar a Deus ou para servir ao Diabo. Neste sentido, peçamos sabedoria e discernimento a Jesus para lidar o mais corretamente possível para não nos tornamos nem liberais nem legalistas.

O outro princípio é o das relações humanas, no sentido de um fortalecer e ser fortalecido mutuamente. Enquanto pessoas temos até que relativamente praticado isto. Mas enquanto instituição, Igreja, temos deixado muito a desejar. Que Deus também nos ajude a melhorar neste sentido também.


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