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Paulo, um tipo de Cristo

Há na teologia o que chamamos tipologia, que nada mais é do que simbolismos de Cristo no Velho Testamento. São situações, eventos ou pessoas que, ocorridos no VT apontam para o cumprimento no NT. José, o filho de Jacó vendido como escravo pelos irmãos é um tipo de Cristo.

De certo modo, creio que podemos ter na pessoa de Paulo um tipo de Cristo, agora não mais apontando para o futuro, mas para o passado.
A vida deste apóstolo, após sua conversão, tipifica Jesus em muitos sentidos, e nos serve como modelo. Claro que nosso padrão perfeito é o Senhor, porém Paulo nos mostra que qualquer ser humano poderia (deveria) ser como Jesus. “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” - 1Co 11.1.

Diversas semelhanças de Paulo e Cristo
Na ida de Paulo para Jerusalém, encontramos muitas semelhanças, entre Cristo e o apóstolo. A história registrada em Atos 21.7 — 23.11 nos revela que:
  • Ambos são impelidos para ir para Jerusalém com a finalidade específica de serem torturados.
  • Ambos são falsamente acusados.
  • Ambos são recebidos primeiro com alegria, depois são desprezados.
  • Ambos foram abandonados por seus amigos e discípulos, até mesmo os mais chegados
  • Ambos são presos por soldados romanos.
  • Ambos, inicialmente desfrutam de certa simpatia por parte das autoridades romanas.
  • Ambos têm as autoridades romanas sucumbidas às exigências e clamores das autoridades hebraicas, e passam a torturá-los.
  • Ambos são julgados pelo sinédrio.
  • Ambos são agredidos na face a mando ou permissão destas autoridades.
  • Paulo desenvolve seu ministério em 3 viagens missionárias e Jesus em 3 anos viajando pela Judéia e Samaria.
Em certo sentido, o que Jesus foi para os judeus, Paulo foi, em especial, para os gentios. Paulo, o pequeno (segundo especialistas, ele era de baixa estatura e o nome Paulo significa pequeno), foi em todos os aspectos, um pequeno Cristo. Uma cópia de Cristo. Por isso ao dizer, sede meus imitadores, ele não cometia nenhuma blasfêmia ou soberba.

As semelhanças são em especial nos sofrimentos. Aliás, desde a sua conversão ele já fora devidamente alertado quanto a isto: “Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome” - Atos 9:16.

A despeito disto, há uma diferença infinita. Paulo irá morrer por amor a Cristo. Cristo morreu por amor a nós. A morte de Cristo é expiatória. A de Paulo, não.

Os sofrimentos de Paulo
Na terceira viagem, Paulo para em Éfeso e ali fica por pelo menos 2 anos. Após grandes manifestações de poder do Espírito por meio do Paulo, como expulsão de demônio, curas, milagres extraordinários e muitas conversões, o apóstolo decide ir a Jerusalém.

Seu retorno é conturbado e dificultado por alguns incidentes. Porém neste tempo, ele escreve algumas cartas, dentre elas, 1ª e 2ª aos Coríntios. Considerando que a chegada em Jerusalém está registrada em At 21.17 e que as cartas aos Coríntios foram escritas antes deste momento, os sofrimentos descritos em 2Co 11.23-33 não incluem as torturas relatadas nos capítulos 22 e seguintes. Ele ainda enfrentaria as torturas em Jerusalém e Roma, sem contar a tribulosa viagem entre estas duas cidades.

Adicione-se a isto o espinho na carne (2Co 12.1-10) que muitos comentaristas entendem ser uma enfermidade, possivelmente nos olhos (Gl 4.15). Vejamos a relação conforme a descrição do próprio apóstolo:

São eles servos de Cristo? — estou fora de mim para falar desta forma — eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez.  Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas. Quem está fraco, que eu não me sinta fraco? Quem não se escandaliza, que eu não me queime por dentro? Se devo me orgulhar, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza. O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito para sempre, sabe que não estou mentindo. Em Damasco, o governador nomeado pelo rei Aretas mandou que se vigiasse a cidade para me prender. Mas de uma janela na muralha fui baixado numa cesta e escapei das mãos dele (2Co 11.23-33).
Por que Paulo suportou tanto sofrimento?
Paulo demonstra extrema sabedoria ao esperar o momento certo para dizer que era cidadão romano. Em Filipos (At 16.22,23) e em outras 4 ocasiões ele não usou este direito para evitar o açoite, agora ele o faz. Por quê? Talvez porque já velho, mais doente e extremamente ferido pelo quase linchamento, ele sabe que não poderia suportar mais 39 chibatadas. Sua intensão não era evitar o sofrimento, mas estar vivo para testemunhar às autoridade romanas. Notamos que a preocupação dele não era com a sua própria vida ou conforto, mas sim com a oportunidade de testemunhar o evangelho (Fl 1.21-26).

E a prova de que o Senhor agradou-se disto é o que diz Atos 23.11: “Na noite seguinte o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: ‘Coragem! Assim como você testemunhou a meu respeito em Jerusalém, deverá testemunhar também em Roma’”.

A grande lição para nós
Cristo sofreu, até mesmo a morte, para nos salvar. Não fomos nós que o escolhemos. Ele nos escolheu com a finalidade de produzir frutos (Jo 15.16).  Logo, ele pode impor as condições que quiser. Uma delas é que preguemos o evangelho (Mc 16.15) e façamos discípulos (Mt 28.19).
Isto nos trará sofrimentos (Jo 15.20). Mas Deus nos fortalece para podermos suportar. O poder de Deus e mais claramente manifesto nas nossas fraquezas (2Co 12.9). Não há tentação acima das forças (1Co 10.13).

Enquanto estamos cumprimento a cumprimos a missão de pregar o evangelho e fazer discípulos, Jesus está conosco (Mt 28.20 conf. At 23.11). Ele nos empodera om poder para testemunhar/sofrer (At 1.8).

Logo, não temos escolha, senão pregar o evangelho (1Co 9.16).

O que nos resta a fazer?
Testemunhar. Fazer discípulos, hoje, agora mesmo.

Como?

Quantas pessoas não crentes, ou que talvez ate já tenha visitado igrejas, mas que demonstram claramente não serem convertidas? Que tal alistar algumas e começar a orar por elas para que Deus lhe conceda ocasião de compartilhar o evangelho?

Um segundo passo é criar situações e não apenas ficar esperando “cair do céu” por uma oportunidade. Você pode convidar esta pessoa para ir à sua casa tomar um café, ou um chá ou qualquer outra refeição.

Previamente, você pode preparar um versículo bíblico para compartilhar. Mas o melhor mesmo é dar o seu testemunho de conversão. Fazendo isto você já estará comunicando o evangelho.

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