O que lhe vem a mente quando se fala de perdão? Algo impossível; impraticável; esquecimento; dor... Normalmente pensamos no perdão como sendo um sentimento. Todavia, perdão é uma decisão. Perdão é renúncia. Perdoar é absorver o dano, pagar a conta.
A Bíblia trata do perdão relacionado a Deus e aos homens. Em relação a nossa condição de pecador, o perdão atua da parte de Deus com o uma forma de redimir o pecador e torná-lo aceitável. Na relação entre os homens, o perdão está mais ligado ao não revidar, não vingar, sofrer o dano.
Perdoa as nossas dívidas
Na oração do Pai Nosso, Jesus diz “perdoa as nossas dívidas”. A tradução do grego opheilema (dívida) pode tanto as ser dívidas financeiras quando dívidas sociais.
Quando Elias socorre a viúva multiplicando o azeite, os filhos desta seriam tornados escravos como pagamento por dívidas, possivelmente contraídas por seu marido. Era comum as pessoas colocarem suas próprias vidas ou a de sua família com garantia de pagamento. O credor não tinha misericórdia e a execução da dívida era escravizar aquele o alienado.
Em decorrência da lei do talião, aquele que causava um ferimento, tinha uma dívida para com o ferido, cujo “pagamento” seria receber igual ferimento.
Desta forma, Jesus está ensinando muito mais que uma oração. Além da oração, um estilo de vida que o cristão tem que viver. Neste sentindo, a frase significa que devemos ter para com os outros o mesmo tratamento que esperamos que Deus (e os outros) tenha para conosco. Neste sentido, perdoar é não exercer o seu direito de cobrar alguma coisa. Também e ao mesmo tempo, não exercer a vingança.
O termo perdoa (aphiemi) significa originalmente, deixar ir, enviar para outro lugar, mandar embora, dar alguma coisa para alguém. Todo o seu significado expressa não sentimento, mas ações, decisões, que independem da ação do outro. No sentido cristão, perdão é não tomar vingança, não retribuir na mesma moeda. Não negligenciar o ofensor, caso ele precise de algo.
Deus é o único capaz de exercer justiça
Perdão é necessário quando ocorre a transgressão. Transgredimos a lei de Deus. Por uma questão de justiça, merecemos a punição. Quando alguém nos ofende, machuca, somos encorajados a perdoar, pois também somos ofensores.
Exemplo bíblico da operação de perdão na Igreja
O perdão em sua operação mais profunda é exemplificado por Jesus em Mt 18.15-35. Jesus nos ensina a lidar com a disciplina na Igreja. Se uma pessoa peca, ela deve ser encorajada ao arrependimento. Se isto ocorre, caso resolvido. Porém, se a pessoa não reconhece o erro, em última instância, ela é excluída da Igreja e devolvida à condição de pecadora sem Cristo, destinada a perdição eterna.
Jesus tem em mento os princípios jurídicos do AT. Conforme o Pentateuco, para que certas sentenças de morte fossem executadas, duas ou três testemunhas seriam necessária. “Pelo depoimento de duas ou três testemunhas tal pessoa poderá ser morta, mas ninguém será morto pelo depoimento de uma única testemunha” (Dt 17.6 – NVI).
Pedro entendeu a mensagem de Jesus. Ele pensou, como qualquer um de nós, na primeira situação. Suponhamos que uma pessoa cometeu um pecado. Eu vou a ela sozinho e ela pede perdão. Porém ela comete o mesmo pecado tempos depois. Novamente eu vou a ela e há pedido de perdão. Até quando? Pedro sugere um número de sete. Seja qual for a razão que Pedro tinha em mente, o fato é que Jesus lhe deu uma resposta inesperada: 70 vezes 7.
Provavelmente os discípulos logo se lembraram de Gn 4.23,24: Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou. Se Caim é vingado sete vezes, Lameque o será setenta e sete”. Este Lameque é o símbolo da capacidade humana da vingança. Ele se ufana de sua impiedade e incapacidade de perdoar.
Percebe o ponto em que Jesus quer chegar? Se Lameque usa de uma hipérbole para exaltar o espírito de vingança, Jesus corrige usando a mesma hipérbole. A ideia não é ficar contando quantas vezes, mas sim que, o perdão dever ocorrer todas as vezes em que o pecador pedir.
E, no caso da disciplina, quando então deve ocorrer a exclusão? Apenas quando o pecador recusa a reconhecer o erro.
Para demonstrar isto, Jesus conta a parábola do devedor impiedoso. Nesta parábola, nós somos aquele que tem a dívida impagável. Ele devia o equivalente a 27 anos de trabalho ininterrupto; o outro, menos de 4 meses. Somente Deus sabe o quanto pesam os nossos próprios pecados, por isso somos encorajados a usar de misericórdia com todo aquele que nos pede por ela.
Conclusão
Perdão está intimamente ligado a amor. Não o amor paixão, ou o amor gostar de. Refiro-me ao amor ágape; amor sofredor; amor de 1Co 13: “tudo sofre”, “tudo suporta”.
Quem perdoa se torna um pequeno Cristo: “Eu te perdoo”, disse Jesus à mulher adúltera. “Pai, perdoa-lhes”, clamou o mestre na cruz.
Quem se beneficia do perdão é aquele que perdoa. Sentimentos como mágoa, ira, raiva, depressão e, até mesmo doenças físicas sofrem que não libera perdão. Ao contrário, o ofendido que perdoa tem paz interior, convive bem mesmo na presença do ofensor.
Perdoar, dependendo do tamanho da ofensa, não é fácil. Contudo, é perfeitamente possível.
A Bíblia trata do perdão relacionado a Deus e aos homens. Em relação a nossa condição de pecador, o perdão atua da parte de Deus com o uma forma de redimir o pecador e torná-lo aceitável. Na relação entre os homens, o perdão está mais ligado ao não revidar, não vingar, sofrer o dano.
Perdoa as nossas dívidas
Na oração do Pai Nosso, Jesus diz “perdoa as nossas dívidas”. A tradução do grego opheilema (dívida) pode tanto as ser dívidas financeiras quando dívidas sociais.
Quando Elias socorre a viúva multiplicando o azeite, os filhos desta seriam tornados escravos como pagamento por dívidas, possivelmente contraídas por seu marido. Era comum as pessoas colocarem suas próprias vidas ou a de sua família com garantia de pagamento. O credor não tinha misericórdia e a execução da dívida era escravizar aquele o alienado.
Em decorrência da lei do talião, aquele que causava um ferimento, tinha uma dívida para com o ferido, cujo “pagamento” seria receber igual ferimento.
Desta forma, Jesus está ensinando muito mais que uma oração. Além da oração, um estilo de vida que o cristão tem que viver. Neste sentindo, a frase significa que devemos ter para com os outros o mesmo tratamento que esperamos que Deus (e os outros) tenha para conosco. Neste sentido, perdoar é não exercer o seu direito de cobrar alguma coisa. Também e ao mesmo tempo, não exercer a vingança.
O termo perdoa (aphiemi) significa originalmente, deixar ir, enviar para outro lugar, mandar embora, dar alguma coisa para alguém. Todo o seu significado expressa não sentimento, mas ações, decisões, que independem da ação do outro. No sentido cristão, perdão é não tomar vingança, não retribuir na mesma moeda. Não negligenciar o ofensor, caso ele precise de algo.
Deus é o único capaz de exercer justiça
Perdão é necessário quando ocorre a transgressão. Transgredimos a lei de Deus. Por uma questão de justiça, merecemos a punição. Quando alguém nos ofende, machuca, somos encorajados a perdoar, pois também somos ofensores.
Exemplo bíblico da operação de perdão na Igreja
O perdão em sua operação mais profunda é exemplificado por Jesus em Mt 18.15-35. Jesus nos ensina a lidar com a disciplina na Igreja. Se uma pessoa peca, ela deve ser encorajada ao arrependimento. Se isto ocorre, caso resolvido. Porém, se a pessoa não reconhece o erro, em última instância, ela é excluída da Igreja e devolvida à condição de pecadora sem Cristo, destinada a perdição eterna.
Jesus tem em mento os princípios jurídicos do AT. Conforme o Pentateuco, para que certas sentenças de morte fossem executadas, duas ou três testemunhas seriam necessária. “Pelo depoimento de duas ou três testemunhas tal pessoa poderá ser morta, mas ninguém será morto pelo depoimento de uma única testemunha” (Dt 17.6 – NVI).
Pedro entendeu a mensagem de Jesus. Ele pensou, como qualquer um de nós, na primeira situação. Suponhamos que uma pessoa cometeu um pecado. Eu vou a ela sozinho e ela pede perdão. Porém ela comete o mesmo pecado tempos depois. Novamente eu vou a ela e há pedido de perdão. Até quando? Pedro sugere um número de sete. Seja qual for a razão que Pedro tinha em mente, o fato é que Jesus lhe deu uma resposta inesperada: 70 vezes 7.
Provavelmente os discípulos logo se lembraram de Gn 4.23,24: Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou. Se Caim é vingado sete vezes, Lameque o será setenta e sete”. Este Lameque é o símbolo da capacidade humana da vingança. Ele se ufana de sua impiedade e incapacidade de perdoar.
Percebe o ponto em que Jesus quer chegar? Se Lameque usa de uma hipérbole para exaltar o espírito de vingança, Jesus corrige usando a mesma hipérbole. A ideia não é ficar contando quantas vezes, mas sim que, o perdão dever ocorrer todas as vezes em que o pecador pedir.
E, no caso da disciplina, quando então deve ocorrer a exclusão? Apenas quando o pecador recusa a reconhecer o erro.
Para demonstrar isto, Jesus conta a parábola do devedor impiedoso. Nesta parábola, nós somos aquele que tem a dívida impagável. Ele devia o equivalente a 27 anos de trabalho ininterrupto; o outro, menos de 4 meses. Somente Deus sabe o quanto pesam os nossos próprios pecados, por isso somos encorajados a usar de misericórdia com todo aquele que nos pede por ela.
Conclusão
Perdão está intimamente ligado a amor. Não o amor paixão, ou o amor gostar de. Refiro-me ao amor ágape; amor sofredor; amor de 1Co 13: “tudo sofre”, “tudo suporta”.
Quem perdoa se torna um pequeno Cristo: “Eu te perdoo”, disse Jesus à mulher adúltera. “Pai, perdoa-lhes”, clamou o mestre na cruz.
Quem se beneficia do perdão é aquele que perdoa. Sentimentos como mágoa, ira, raiva, depressão e, até mesmo doenças físicas sofrem que não libera perdão. Ao contrário, o ofendido que perdoa tem paz interior, convive bem mesmo na presença do ofensor.
Perdoar, dependendo do tamanho da ofensa, não é fácil. Contudo, é perfeitamente possível.
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