A cura de um enfermo no tanque (piscina) de Betesda (João 5.1-18), tem, e meu ver, os objetivos de demonstrar a soberania de Jesus como legítimo Filho de Deus e qual é a fonte e a verdadeira misericórdia.
A primeira coisa a se notar é a ironia de, na casa da misericórdia, tudo o que não se via era a prática da misericórdia.
Entendendo o texto e o contexto
O texto nos diz que Jesus sobe a Jerusalém por ocasião de uma festa. Se João está seguindo certa precisão cronológica, pode bem ser o Pentecostes do ano 30. Deliberadamente, ele passa pela construção onde se localizava a piscina. Era uma obra de cerca de 5 mil metros quadrados.
De acordo com o arqueologista e pastor adventista Rodrigo Silva, ruínas foram descobertas nos século XIX. Elas dão conta de que ali poderia haver um vestígios de adoração a Esculápio, deus da medicina na mitologia grega.
Isto pode explicar o fato do verso 4 não aparecer nos manuscritos mais antigos (anteriores ao século V). Tudo indica que este verso seria uma nota explicativa para o verso 7.
Pois um anjo do Senhor descia de vez em quando e agitava a água. O primeiro que entrava no tanque após a água ser agitada era curado de qualquer enfermidade que tivesse.
O homem respondeu: “Não consigo, senhor, pois não tenho quem me coloque no tanque quando a água se agita. Alguém sempre chega antes de mim”.
O verso 4 não chancela a crença de que anjos fazem curas ou que a crença popular deve ser seguida. O desespero de pessoas como este homem as fizeram dar ouvidos à esperança baseada num mito de um falso deus.
O homem que estava ali há 38 anos, provavelmente tinha séria dificuldade locomotora. Apesar de o texto não dizer claramente que ele era assim, concluímos pelo verso 3.
Por fim, o texto nos mostra como foi o encontro de Jesus com este que recebera a cura e com os líderes judeus, que o questionaram por ter realizado o milagre em dia de sábado.
O milagre
Se as evidências arqueológicas estiverem certas, é possível concluir que parte carente da população buscava alcançar misericórdia sobrenatural para o alívio de suas dores. Se você olhar à sua volta terá centenas de pessoas que testemunharão milagres recebidos das mais diversas entidades. Eu mesmo já presenciei milagres recebidos por ateus que nunca os pediu.
Jesus ao chegar em Jerusalém, vai direto para Betesda. Ele se dirige diretamente a este homem. Tudo indica que ele tinha a intensão de fazer o que fez. Jesus não foi ao tanque de Siloé, lugar aparentemente mais nobre e frequentado pelos escribas e fariseus. Betesda era um lugar à margem, um lugar dos "pecadores" e impuros.
O texto diz que Jesus o cura imediatamente, pelo poder de sua palavra. Manda que ele pegasse seu colchonete e fosse embora. Mas, antes, Jesus pergunta se ele quer ser curado, e a reposta poderia ser interpretada assim: "ninguém tem misericórdia de mim. Ninguém me leva para a água".
Falta de misericórdia
Misericórdia é ser solidário, ser empático, ser piedoso, ser solícito e ajudar a quem precisa. Jesus em outro lugar disse: "Portanto, ide aprender o que significa isto: ‘Misericórdia quero, e não sacrifícios’. Pois não vim resgatar justos e sim pecadores’" (Mt 9.13).
A multidão que estava em Betesda não teve misericórdia daquele homem. Talvez até seja compreensível, a despeito de não ser aceitável, pois todos ali eram doentes e necessitados.
Já os líderes judaicos em nada se simpatizaram com aquele homem. Ao verem-no, se encheram de raiva por ele estar carregando a maca em dia de sábado. Sequer perceberam que ele recebera um milagre, que ele estava curado. Deveria se alegrar com ele, mas, antes, queriam puni-lo. Que falta de misericórdia!
A verdadeira misericórdia
A verdadeira expressão de misericórdia é manifesta quando recebemos o dom da vida eterna. No sentido mais profundo, misericórdia é não aplicar o castigo merecido. Como pecadores profundos, merecemos o inferno, a morte eterna. Todavia, Deus nos oferece em Jesus o perdão. Merecemos morte porém, recebemos vida.
Esta misericórdia ninguém pode dar. Só Deus! E ainda que fôssemos curados mil vezes, nada se compara à vida eterna. Esta é a verdadeira expressão de misericórdia.
A soberania de Jesus
A soberania de Jesus se manifesta na sua escolha. Ele escolheu aquele homem. Aquele homem não buscou Jesus. Ele sequer agradeceu Jesus depois da cura. Jesus escolheu aquele dia e aquela hora e aquele lugar.
Jesus não apenas curou aquele homem, mas perdoou o pecado dele. Tudo indica a doença daquele homem era fruto de um pecado. "Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: Agora você está curado; deixe de pecar, para que nada pior lhe aconteça" (v. 14).
Aplicação
Jesus é o verdadeiro pai da misericórdia. A verdadeira misericórdia é o perdão dos pecados. Por isso, coloquemos nossa confiança única e exclusivamente em Jesus. Somente ele pode nos dar gratuitamente ações de misericórdia em forma de milagres de cura, de livramento, de sustento... Todavia, nada disso é maior ou melhor do que a salvação eterna. Busquemos em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça.
Devemos oferecer misericórdia tal qual recebemos misericórdia. Devemos perdoar aqueles que nos ofendem, assim como somos perdoados por Deus. Devemos fazer o bem, ainda que seja para nossos piores inimigos, oferecendo socorro, auxílio e tudo o que estiver ao nosso alcance.
Figura: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus_curando_o_paral%C3%ADtico_em_Betesda

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