Em todas as épocas sempre perdurou por um espaço de tempo uma cultura dominante. No século I, muito da filosofia grega dominava o mundo romano, no qual os judeus estavam incluídos. Até mesmo a religião judaica havia sido influenciada pela cultura/filosofia grega.
Ora, entre os que foram para adorar durante a festa, havia alguns gregos. Estes se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e lhe pediram: — Senhor, queremos ver Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus. Então Jesus se dirigiu a eles, dizendo: — É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem. Em verdade, em verdade lhes digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo irá preservá-la para a vida eterna. (João 12:20-25).
Contexto
A filosofia grega ensinava que o amor e a beleza seriam as manifestações máximas da verdade. A busca do prazer pessoal, da felicidade individual, era o que desejavam os homens. Ou seja, tudo muito ligado ao aqui e agora, ao mundo material/físico por assim dizer. Ainda que Platão tenha falado muito de um mundo além deste que vivemos hoje, ele nem chegou perto do que realmente é ensinado por Cristo, quanto à vida "na casa de meu Pai" (Jo 14.2).
Alguns gregos estavam desejosos de ter um encontro pessoal com Cristo. Aqui, a Bíblia aponta para a sede dos gentios pela Salvação. Reformadamente falando, é a semente da eleição plantada em seus corações, e que precisaria ser cuidada para germinar.
Por que você veio a Cristo? O que o impulsionou a vir a Jesus? Certamente foi o mesmo com estes gregos.
Piracema.
Muitos animais realizam uma piracema. Se bem que até onde sei, o termo se aplica aos peixes. É a migração, ou o voltar ao lugar de nascimento, para a desova. Acontece com as tartarugas e os pinguins também. O que leva estes animais sem nenhum aparato tecnológico, a não ser um instinto ainda desconhecido pela ciência? Deus colocou no íntimo dos seus eleitos este desejo de se voltar para ele. De alguma forma, os salvos procuram, ainda que inconscientemente, irem ao encontro daquele que os procurou primeiro. Porém, no caso destes gregos no relato de João, Jesus deixará a tarefa para sua igreja, após sua assunção.
O texto indica que Jesus não recebe os gregos. Provavelmente eles iriam "distrair" o mestre de sua missão. Contudo, a resposta, que certamente chegou aos ouvidos deles, deu-lhes o que queriam saber.
Jesus ensina:
1- Há uma vida eterna.
2- Quem quer servir a Jesus, deve segui-lo (os seus ensinamentos).
3- O paradoxo da vida eterna - Assim como uma semente não produz nada se não morrer primeiro. Para ganhar a vida eterna, é preciso morrer.
4- De fato, este mundo é tão somente uma passagem para a vida eterna. A verdadeira vida está em outro mundo/lugar.
Se o grão de trigo...
a) Fala dele próprio - Jesus precisava morrer para gerar vida.
i) No sentido espiritual, seria para liberar a vida para os mortos espirituais. Por causa do pecado, estamos mortos para Deus. Para se ter vida para Deus, Jesus precisava morrer e transmitir esta vida a nós.
ii) No sentido metafórico, nos comunica que precisamos sair de um mundo e entrar em outro. A morte é uma passagem, um portal. Desde os antigos se tem a noção de mundo dos vivos e mundo dos mortos. Dois mundos coexistindo paralelamente. Para se locomover de um para outro, somente pela experiência da morte. Entretanto, esta estrada é de mão única. Só tem uma direção e é impossível para os homens o retorno.
Quem ama a vida, perde; quem odeia, preserva.
Neste sentido, Jesus está dizendo que o amar/desejar as coisas desta vida, como ensinava a filosofia, estará perdendo a verdadeira vida, a eterna, com Deus.
Odiar esta vida tem o sentido de não se deixar dominar pelas paixões e prazeres mundanos. Se tudo neste mundo está morrendo, o máximo que ele pode dar é a morte. Entretanto, o único que venceria a morte é o que pode dar a vida. Só quem tem a vida pode dar a vida.
O odiar não se trata de automutilação ou vida ascética. Jesus quer nos ensinar a não trocar o bom pelo melhor. Se há coisas boas neste mundo, no mundo de Cristo há o que é de melhor.
Conclusão
Há prazeres neste mundo. Todos eles podem nos ser lícitos, no entanto, nem todos nos convém, pois são temporais, deste mundo. São perecíveis. Somente Jesus tem as palavras de vida eterna.
Se viver para este mundo é bom, morrer para ele é muito melhor. Morre para o mundo é exatamente o nascer para Cristo. E nascer para Cristo é nascer para a vida eterna.
Imagem: https://pixabay.com/pt/photos/semente-de-durian-durian-germinar-2701644/


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