Introdução
Tudo o que sabemos de Tomé é que ele foi um dos doze apóstolos e que, com 95% de certeza foi para o que é hoje a Índia como missionário. Lá ele foi martirizado por pregar o evangelho. Ele demonstrou coragem e conversão verdadeira ao se prontificar a morrer por Cristo (Jo 11.16), apesar de ter fugido na hora do vamo vê. Se após a ressurreição ele duvidou veementemente, ao ser convencido por Jesus, foi o primeiro homem a chamar Cristo de Deus.
Tomé, chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com eles quando Jesus apareceu. Então os outros discípulos lhe disseram: Vimos o Senhor! Ele, porém, lhes respondeu: Se eu não vir o sinal dos pregos nas mãos e não puser o meu dedo no seu lado, de maneira nenhuma crerei. Oito dias depois, os discípulos estavam outra vez ali reunidos, e Tomé estava entre eles. Estando as portas trancadas, Jesus chegou, colocou-se no meio deles e disse: Paz seja convosco! Depois disse a Tomé: Coloca aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. Não sejas incrédulo, mas crente! Tomé lhe respondeu: Senhor meu e Deus meu! E Jesus lhe disse: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.
João 20.24-29
1- Qual o exemplo de Tomé
Tome representa o crente sincero, mas que, diante das dificuldades e paradoxos da fé cristã, perde a confiança.
Na vida normal, somos capazes de confiar em Deus e somos sinceramente e profundamente gratos quando olhamos para a conta bancária e temos dinheiro suficiente para o mês inteiro. Nossa gratidão e reconhecimento que isto veio de Deus é verdadeiro. Entretanto, se o dinheiro acaba e não temos um centavo para o alimento de amanhã, nossa confiança em Deus se esvai.
2- Tipos de dúvida
Dúvida negacionista consciente - aquela em que, diante de uma evidência, continua a negar. É o caso dos judeus que crucificaram Jesus. Jesus, apesar de ser um homem comum quando encarnado, fez milagres que só Deus poderia fazer. A evidência apontava para que a conclusão fosse: Jesus é Deus! Mesmo convencidos disto, os líderes judaicos negaram conscientemente.
Dúvida sincera por desconhecimento e inexperiência - é aquela dúvida que vem da falta de maturidade e intimidade com Deus, que só se adquire com o tempo. Tomé era deste segundo caso. Tanto é que, ao ter a sua dúvida sanada, é o primeiro ser humano a reconhecer Jesus como O Deus.
Quanto mais tempo passamos com Jesus, lendo as escrituras, fazendo as devocionais, praticando os mandamentos de Cristo, mais nossa intimidade com o Senhor cresce, e por conseguinte, a fé.
3- A conversão da fé
Tomé errou ao duvidar da ressurreição. Ele tinha as evidências necessárias para crer mesmo sem ver. Ele não aceitou o testemunho dos demais apóstolos, que até tiveram a mesma falta de fé. Em Lucas 24 Jesus precisou ordenar aos que o viram uma semana antes que lhe tocassem.
Ele, porém, lhes disse: Por que estais angustiados? E por que surgem dúvidas em vosso coração? Olhai as minhas mãos e os meus pés, pois sou eu mesmo. Apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. (Lc 24.38-40)
A diferença entre Tomé e os líderes judaicos é que o apóstolo converteu sua fé. Ele exerceu a humildade e o quebrantamento, enquanto aquele que crucificaram Jesus mantiveram seu orgulho.
Contudo, o erro de Tomé é o alicerce para nós hoje, pois as palavras de Jesus, "mais bem aventurados os que não viram e creram" enchem a nós hoje, bem aqui, de força. Nossa fé é aumentada por que nós não tivemos a oportunidade de Tomé, entretanto, nós cremos. Cremos até mesmo porque Tomé fez o que qualquer um de nós aqui faria. Tomé pagou o mico em nosso lugar. Neste sentido, devemos ser gratos a Jesus por Tomé.
4- Duas outras lições práticas
Olhe para Jesus. Não com olhos físicos, mas com olhos espirituais. Traga sempre à lembrança o que as Escrituras dizem. " Pois, sem tê-lo visto, vós o amais e, sem vê-lo agora, crendo, exultais com alegria inexprimível e cheia de glória" (1Pe 1.8).
b) O contato físico é importante
Pela segunda vez Jesus se manifesta no domingo, e é por causa desta tradição que passamos a obedecer ao 4º mandamento no domingo. Jesus não aparece a indivíduos isolados, mas ao grupo, dando a entender que a reunião física das pessoas e importante.
Estamos vivendo um regime de exceção. Mais por obediência as autoridades do que por base científica, deixar de reunir presencialmente para cultuar a Deus tem de ser encarado como media de exceção. Não sejamos ingênuos. Satanás sempre quis extinguir a Igreja. Cultos virtuais jamais substituirão a comunhão presencial dos santos.
A bíblia é clara em 1Co 15 ao dizer que nossos corpos serão ressuscitados. Se o corpo físico não fosse importante, para quê precisaria ser ressuscitado?
Conclusão
Crise de fé pode atingir o crente. Entretanto, aquele que está alimentado pela constante leitura e prática das Escrituras, terá força e intimidade para vencer esta provação. Por outro lado, quando praticamos os encontros semanais para cultuar, animamo-nos e fortalecemo-nos mutuamente. Por isso Hebreus 10.25 diz "não deixemos de congregar".
Imagem: https://santhatela.com.br/ A Incredulidade de São Tomé (1601) Caravaggio

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