Justiça! Justiça! Justiça!
Toda vez que vemos no jornalismo um ato criminoso, a vítima, familiares, amigos e sociedade clama por justiça. Há em cada ser humano uma ideia de justiça como sendo algo sem a qual é impossível viver em comunidade.
Para os romanos e os gregos, justiça é: “vontade constante de dar a cada um o que é seu” (Ulpiano, apud, Abbdagnano). Para Aristóteles temos a justiça Universal (comportar-se virtuosamente, em qualquer circunstância) e a justiça Particular, que neste caso se manifesta em dois conceitos: retributiva, onde a pessoa deve sofrer o dano proporcional ao dano causado, e a distributiva, que basicamente é tratar a todos com igualdade.
Com este pano de fundo, Paulo vai escrever aos cristãos em Roma. Sua grande meta é provar a eles como a Justiça verdadeira opera no mundo. Sendo assim, um esboço da carta aos romanos pode ser assim estabelecido.
1- Introdução, saudações, propósitos (1.1-17)
Por se tratar de uma carta, o apóstolo segue o padrão da época. Na introdução ele faz uma longa apresentação pessoal de sim mesmo, tento em vista que Paulo nunca estivera em Roma antes. Faz uma curta saudação e deixa pistas de sua intenção em escrever-lhes.
2- A humanidade sob julgamento (1.18—3.20)
Nesta sessão, Paulo demonstra como toda a humanidade está debaixo do julgamento conforme a Justiça de divina. Ele demonstrará que:
- Não há nenhuma virtude nos homens
- Não há desculpas, pois, a coisa certa a ser fazer é de conhecimento universal
3- Jesus Cristo veio para revelar a justiça divina; como se tornar justo diante de Deus (3.21—5.21)
Jesus é revelado como o nosso meio de justificação. Jesus é quem torna possível alguém ser declarado justo. Para o direito e a filosofia, justiça é tudo aquilo que está em acordo com uma norma (lei). Uma pessoa é declarada justa quanto ela é punida proporcionalmente ao dano causado. Para a humanidade é impossível ficar quites com Deus, por isso Jesus paga a nossa dívida e, pela fé nele, este pagamento é creditado em nossa conta. Paulo demonstrará isso citando Abraão e a diferença entre Adão e Jesus.
4- Justiça divina, nossa esperança de vitória sobre o pecado (6.1—8.39)
A impossibilidade da norma (a lei) justificar uma pessoa fica muito clara nesta sessão. O apóstolo argumenta que a graça de Deus opera através de Jesus para nos declarar justos. A lei, ainda que seja algo bom, só tem o poder de evidenciar o pecado. A graça misericordiosa de Deus é o que nos dá a vitória contra a natureza pecaminosa.
5- A eleição da Igreja e de Israel: o plano de salvação divina (9.1—11.36)
Finalmente, quando compreendemos que é impossível para o ser humano ser declarado justo por meio de seus esforços, ou virtudes, tendo em vista a corrupção de cada um, é possível entender que a única solução é a eleição daqueles a quem Deus soberanamente decide exercer misericórdia.
A justiça clama por punição; a misericórdia não é injustiça, é graça!
6- Cristianismo na prática: a ética cristã num mundo sem ética (12.1—15.13)
Finalmente, após deixar claro que é impossível ser justo para merecer a salvação, Paulo demonstra a finalidade para a qual Deus declara alguém justificado: somos salvos com a finalidade de praticar as “boas obras”.
Conclusão
Basicamente a carta aos romanos tem como tema principal a justiça divina. O mundo greco-romano de Paulo ansiava por uma justiça inalcançável aos homens sem Cristo. Por isso Cristo é a Justiça divina, em todos os aspectos.
Exercer a fé em Cristo é compreender que sou incapaz de ser justo aos olhos de Deus por meus próprios meios, que seu Filho Jesus é o único com poder para justificar-me diante de Deus e que eu tomo posse dessa dádiva crendo nele como único Senho e Salvador.
Img: Saint Paul, Rembrandt van Rijn (and Workshop?), c. 1657, in encurtador.com.br/cCFT2


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