Cobiçar é um desejo intenso, forte, ardente, de se ter algo que não possui. Os termos originais hebraico e grego trazem este sentido. Entretanto, o pecado não está na palavra, mas como e o que cobiçamos.
Não cobiçarás a mulher do teu próximo. Não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.
1- Desejar algo legítimo e de forma legítima não é pecado.
Deus não nos condena por desejamos ter um bem qualquer que venha nos trazer conforto, bem-estar, saúde etc. Pedro usa a mesma raiz em 1Pe 2.2: “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação”.
Entretanto, passamos a usar o termo cobiçar para se referir aos desejos intensos de forma pecaminosa. Esta riqueza da linguagem é boa para facilitar nossa comunicação. Por isso, chamemos de cobiça toda forma de desejo contrário ao que Deus deseja.
2- Como identificar a cobiça?
a) Quando desejamos o que pertence a outra pessoa, caímos no décimo mandamento.
b) Quando nunca estamos satisfeitos com o que Deus nos tem dado – insatisfação.
c) Quando matamos, roubamos, ferimos alguém para atender nossos desejos.
d) Quando nossos desejos nos tornam mesquinhos (acumular e não dividir).
e) Quando sempre murmuramos e não agradecemos o que temos, olhando sempre para o que não temos.
3- Cobiçar a mulher do próximo
Pode parecer aqui que as mulheres são objetificadas, mas não é o caso. Ao proibir um homem cobiçar uma mulher torna-se uma proteção para a ela ao inibir o comércio de mulheres. Não tendo procura, não há oferta.
4- Controle sobre as emoções (sentimentos, paixões, afeições)
O ser humano é um ser formado pelo corpo, razão e emoção. Pense numa pessoa que precisa fazer uma dieta. Seu corpo precisa perder peso. Sua mente/razão sabe disso, mas seus impulsos, desejos ou afeições são mais fortes e você não faz o regime.
Contudo, muitas pessoas conseguem. O que elas fizeram? Exerceram controle da razão sobre os impulsos. O décimo mandamento regula nossas emoções. Não matar, não roubar são atos, e Deus nos pede para exercemos o domínio sobre eles. No décimo, somos encorajados a dominar nosso desejo. “Portanto, caros irmãos, rogo-vos pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual. E não vos amoldeis ao sistema deste mundo, mas sede transformados pela renovação das vossas mentes, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1,2). “Não vos sobreveio tentação que não fosse comum aos seres humanos. Mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além do que podeis resistir. Pelo contrário, juntamente com a tentação, proverá um livramento para que a possais suportar” (1Co 10.13).
Conclusão
Os 10 mandamentos vão regular tanto as ações quanto os desejos desenfreados. “A lei do SENHOR é perfeita, e revigora todo o ser. As palavras que vêm do SENHOR são dignas de confiança, e transformam os mais humildes em sábios. Os preceitos do SENHOR são justos, e proporcionam alegria ao coração. Os mandamentos do SENHOR são cristalinos e iluminam o entendimento” (Sl 19.7-8). “Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119.105). “Abre meus olhos para que veja as maravilhas que resultam de tua Lei” (Sl 119.18).
Img: Os Dez Mandamentos, por Spagnoletto,1638 https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Moses041.jpg/320px-Moses041.jpg


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