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E Deus abandonou a humanidade - Rm 1.19-23

O bolo de Chocolate

Imagine que um dia você chega em casa e tem sobre a mesa um lindo bolo de chocolate*. Você está só e tem duas possibilidades que explicam a existência deste bolo. Qual você diria ser a factível?

a) Um caminhão de entregas de produtos alimentícios capota 3 ou 4 vezes em frente a sua casa, pega fogo e explode. Os bombeiros são chamados para apagar o fogo. Como estava carregado com farinha, ovos, leite, fermento, chocolate em pó, ao extinguir as chamas, um dos bombeiros vê que sobrou um belíssimo bolo de chocolate. O bombeiro pega o bolo, vê a porta de sua casa aberta e coloca-o sobre a mesa.

b) Sua mãe, sabendo que você ama bolo de chocolate, resolve preparar um para quando estiver de volta, cansado e com fome. Ela pega os ingredientes, mistura na proporção certa, aquece o forno na temperatura ideal, assa o bolo no tempo perfeito, tira-o para esfriar, coloca a cobertura e deixa em cima da mesa, com tudo pronto para que você se delicie.

Esta metáfora ajuda-nos entender Rm 1.19-23. A humanidade não tem desculpas para dizer que não existe um criador inteligente, intencional, imanente e transcendente.  Sendo assim, a atitude consciente de negar o Criador fez com que, como castigo, eles fossem abandonados às suas concupiscências.

O homem tem necessidade de adorar a Deus como tem necessidade de oxigênio. Está no DNA o adorar um Deus. Entretanto, invés de procurar o verdadeiro e único Deus, “tornaram-se loucos e substituíram a glória do Deus incorruptível por imagens semelhantes ao homem corruptível, às aves, aos quadrúpedes e aos répteis (...) substituíram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador (Rm 1.22b, 25a). Em tempos recentes, dizem-se ateus, todavia o ateísmo nada mais é do que idolatrar o universo - materialismo

Deus entregou

Por três vezes Paulo afirma que “Deus os entregou” (v. 24, 26, 28). O termo entregar era aplicado a entrega do condenado à custódia do executor, para ser julgado e condenado, cuja pena poderia ser a prisão, acoite ou morte. Também é aplicado quando alguém era entregue por traição.

Assim, podemos ver as duas aplicações aqui: (1) Os pecadores são entregues por Deus para serem executados. Esta é a interpretação mais direta. (2) Os pecadores são abandonados às suas loucuras para serem traídos por elas. O pecado trai o pecador ao iludi-lo.

Entregues à Impureza sexual e paixões desonrosas

Para ser simples e direto: diante de Deus a única forma de relação sexual aceitável é a que ocorre entre o marido e a esposa. Marido e a esposa! Tudo o que passar disso é abominável diante de Deus.

A devassidão sexual de nossa sociedade nada mais e do que o desprezo de Deus, o abandono dele. Quanto mais longe de Deus mais promíscua é a sexualidade humana.

Mentalidade condenável

“Muito bom, mas para nós não serve”. Esta é, em minha opinião, o melhor sentido do verso 28, cuja melhor tradução que encontrei foi a da Bíblia de Jerusalém: “E como não julgaram bom ter o conhecimento de Deus, Deus os entregou à sua mente incapaz de julgar, para fazerem o que não convém”.

O que Paulo está dizendo é que a humanidade provou, no sentido de experimentar, testar, provar e comprovar que Deus existe, é bom e justo; perfeito em tudo. Quando estudamos os primeiros filósofos, é de impressionar como eles chegaram tão perto do conhecimento de Deus através da criação. Contudo, “não o glorificaram como sendo Deus nem lhe deram graças”.

Por isso, a ira de Deus é os entregar à “sua mente incapaz de julgar, para fazerem o que não convém”. E aí segue-se a lista de tudo o que não convém, como sendo resultado da consciente negação de Deus.

  • estando cheios de toda a:
    • injustiça – ato ilegal praticado por alguém profundo conhecedor da lei.
    • malícia – porneia - qualquer ato sexual que não entre marido e esposa.
    • cobiça – avareza; ganância.
    • maldade – qualquer ato que prejudique outros.
  • cheios de:
    • inveja – tristeza pela felicidade alheia; desejar o que pertence ao outro.
    • homicídio – “Não matarás; mas quem assassinar estará sujeito a juízo”. Eu, porém, vos digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a juízo. Também qualquer que disser a seu irmão: Racá, será levado ao tribunal. E qualquer que o chamar de idiota estará sujeito ao fogo do inferno (Mt 5.21,22).
    • contenda – discórdia, divisão, disputa (egoísmo).
    • dolo – intensão de praticar o mal contra alguém; fraude.
    • malignidade – caráter mau; coração maligno.
  • sendo:
    • murmuradores – só reclama, só vê defeitos, depreciador.
    • detratores – fofoqueiro.
    • aborrecedores de Deus – ódio por Deus, insolente.
    • injuriadores – “alguém que, cheio de orgulho, amontoa linguagem insultante sobre os outros ou comete contra eles um ato vergonhoso e errado” (Strong).
    • soberbos – arrogante, orgulho.
    • presunçosos – ostentação, orgulho.
    • inventores de males – quem intencionalmente cria maldades
    • desobedientes ao pais – não se submetem aos pais.
    • néscios – negligente quanto ao que é certo; incapaz; aquele que ignora.
    • infiéis nos contratos – “seja o vosso sim, sim...”
    • sem afeição natural – que não é amável, bruto, grosso.
    • sem misericórdia;

“Os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam.”

Conclusão

Toda violência, maldade, corrupção, devassidão, parece terem sido consideradas por Paulo neste capítulo um. Podemos resumir conclusivamente:

  • Deus é bom e justo.
  • A humanidade não tem desculpa nem pode alegar inocência ou desconhecimento.
  • A ira de Deus se manifesta em abandonar os homens em seus atos pecaminosos.
  • Existe um meio de salvação: o Evangelho de Jesus Cristo.

*Em uma palestra do Dr. Adalto Lourenço ouvi a metáfora do bolo de chocolate que reproduzo de memória.

Img: Saint Paul, Rembrandt van Rijn (and Workshop?), c. 1657, in  encurtador.com.br/cCFT2

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