Se o mundo está indo de mal a pior, se a cada dia que passa só vemos o aumento da violência, da promiscuidade, da ganância, da idolatria, do abandono e desamor; aumento da guerra e das catástrofes, qual seria a nossa expectativa quanto ao futuro? Poderá vir alguma coisa de bom do mundo e das pessoas que há no mundo? Como falar em vida eterna no céu se tudo está ruindo à nossa volta?
Se a humanidade inteira está longe de Deus e se todos os homens e mulheres são pecadores, totalmente perdidos e absolutamente carentes da glória de Deus, da presença de Deus, do favor de Deus...
Qual é a nossa esperança? O que o futuro nos reserva?
Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado. Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação. (Rm 5.1-11 - ARA. 1993).
Por que a humanidade está desesperançosa?
Nos capítulos anteriores, vimos o apóstolo provar que toda a humanidade está em posição de inimizade contra Deus. Em Efésios, Paulo diz: “mortos em delitos e pecados”. Considerados os aspectos jurídicos da salvação, a humanidade inteira cometeu um crime contra Deus, cuja pena é a morte. Esta humanidade, está no corredor da morte, aguardando o dia do juízo final. Não há nada que o justo juiz possa fazer a não ser decretar o trânsito em julgado quando o crime fica absolutamente comprovado pelas evidências no capítulo 1.
Contudo, em seu amor e misericórdia, Deus provê um meio de atribuir aos homens uma justificação. Se um único homem perfeito, sem pecados se voluntariar para sofrer as consequências da pena, Deus considerará justificados todos aqueles que aceitarem suas condições.
Assim, Deus provê um meio: Jesus! E uma condição: a fé! Por meio da fé em Jesus o pecador é justificado. A inimizade é desfeita e a ira de Deus é satisfeita. Aqueles que recebem Jesus Cristo, pela fé, são reconciliados com o Pai, tendo a sentença de morte anulada.
A fé em Jesus, proporciona
a) Justificação (v.1)
Jesus é o meio pelo qual alcançamos a justificação. Isto porque não somos capazes de cumprir a sentença imposta por Deus: a pena de morte. Como ao morrer não teríamos como voltar a vida, para nós é uma dívida impagável.
Através de Jesus, que nos substitui na cruz, atendemos à condição divina para pagar o pecado e desfrutamos da graça de permanecer vivos.
O melhor de tudo é que a morte de Jesus em nosso lugar tem efeito eterno. Assim, ele morre eternamente para que possamos viver eternamente. A diferença é que, sendo Deus, ele tem poder para ressuscitar eternamente e preservar sua própria vida, estando para sempre conosco.
b) Paz com Deus
A justificação proporciona a paz com Deus. Quando pecamos, nos tornamos inimigos de Deus. É como uma declaração de guerra contra ele. Infelizmente, esta é uma batalha perdida, pois Deus é infinitamente mais poderoso que nós.
Jesus entra como um árbitro e como um pacificador. Ele oferece a Deus o que ele quer: o preço de sangue. E a nós, dá o que não temos: seu próprio sangue. Ele intermedeia a nosso favor e nos pacifica com o Pai.
b1) A reconciliação monergista
Reconciliar é fazer as pazes. O pecado entrou no mundo quando o homem descumpriu o acordo. Quando Deus proíbe Adão de comer determinado fruto, está implícito que ele aceitou os termos. A reconciliação contratual só seria possível se Adão pudesse desfazer o erro, o que era absolutamente impossível.
A medida em que o tempo passa, a humanidade aumenta cada vez mais a inimizade, aprofundando o abismo de separação.
“Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos (pecadores), morreu a seu tempo pelos ímpios. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5.6,8).
c) Uma firme esperança
A filosofia dos estoicos, que influenciava fortemente os romanos dos dias de Paulo, não valorizavam a esperança pois a associavam com uma espécie de prisão num futuro incerto. A paz interior a que eles buscavam não dependeria de um olhar para o passado nem para o futuro. Valorizavam uma apatia como forma de buscar a felicidade. Diante das tribulações da vida, propunham um comportamento apático, uma espécie de conformismo.
Paulo nos ensina o contrário. As tribulações para aquele que foi justificado em Cristo é um motivo de glória, pois elas produzem um efeito virtuoso para aquele que tem a fé em Deus.
Uma vez que se alcança a certeza da salvação mediante a confiança (fé) no que Cristo fez, isto é uma esperança sólida. A esperança que o cristão tem não pode ser frustrada pois é dada pelo próprio Deus, através do Espírito Santo que manifesta em nós o seu amor.
Esse amor de Deus não é mero sentimento. É o próprio sacrifício de Cristo, morrendo em nosso lugar quando ainda éramos considerados inimigos de Deus.
Nossa esperança não está depositada em circunstâncias ou pessoas ou coisas desse mundo. Nossa esperança jamais será decepcionada.
Qual é a prova? O amor de Deus.
Como? A convicção interior promovida pelo batismo no Espírito Santo.
De que modo? Cristo morre por nós quando ainda éramos inimigos de Deus.
Se, quando ainda éramos seus inimigos Deus manifestou o seu amor no sacrifício de Cristo, o que ele não fará agora que estamos reconciliados, mediante a fé?
Conclusão
A esperança da salvação eterna é firme e certa, baseado no sacrifício de Cristo, que morreu em nosso lugar. Sua morte é a justificação e a reconciliação para todo aquele que exerce fé. Por isso, “o justo viverá pela fé”.
Img: Saint Paul, Rembrandt van Rijn (and Workshop?), c. 1657, in encurtador.com.br/cCFT2


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