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A inutilidade da Lei para salvar - Rm 7

O que chamamos de tradição judaico-cristã é de conhecimento quase universal. Os 10 mandamentos são o mais perfeito e nobre código moral universal. No capítulo 7 de Romanos, Paulo diz que esta Lei produz a morte. Como desfazer esta aparente contradição? Como explicar para o judeu piedoso da Lei que ela é ao mesmo tempo boa e agradável, mas é a causa de nossa morte? Paulo, no capítulo 7 de sua carta aos Romanos argumentará que Deus mata aquele a quem ele deseja salvar.

Em seu desafio de esclarecer aos crentes, tanto judeus como gentios, o apóstolo traz inicialmente uma analogia da vida conjugal do seu tempo[1]. O esboço que descrevo a seguir reflete muito do que aprendi com ouvi do Pr. Augustus Nicodemus[2] lá pelos idos de 2011.

Somos libertados da lei (1-4).

Deus nos mata em Cristo, por isso, estamos mortos para o pecado e vivos para Deus.

Como é viver debaixo da lei (5,6)? Estar na carne é ser não salvo; estar no espírito e ser salvo.

Notamos que, ao contrário do que muitos dizem que estar na carne e no espírito se refere ao crente que pratica muitos pecados em contraste com o “santo”. Mas, veja que Paulo usa o passado quando se refere ao viver segundo a carne e o presente, quando se refere aos que estão “em novidade de espírito”.

Voltando a analogia do casamento, os que estão casados com a lei estão debaixo de pecado e morte. Os que estão casados com Cristo, estão mortos. Mortos para a morte

Pense em um casal cujo marido é um perfeccionista extremado. Altamente exigente e rigoroso nos mínimos detalhes quanto a limpeza, organização, alimentação e modo de vida. Além disso, muito severo e inflexível. A esposa é o oposto: bagunceira, indisciplinada, desleixada, pouca atenção à limpeza da casa, nenhum dote culinário. Um dia ela conhece outro homem, com as mesmas características do marido, porém amoroso, misericordioso e disposto a ser piedoso e compreensível. A mulher quer viver com este homem, mas não pode. A menos que o marido morra. Então, alguém tem de morrer nesta história. E quem morre? A mulher!

A morte extingue a operância da lei. Para que a mulher fosse livre para se casar de novo sem cometer o adultério, quem morreu foi ela. Por isso:

De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, (Romanos 6:2-8)

Uma vez mostrando que onde há morte, há a liberdade, agora precisa responder a uma série de dificuldades que o próprio apóstolo parece antecipar as respostas. O restante do capítulo 7, para muitos descreve a batalha diária do crente contra a natureza pecaminosa. Para o Pr Nicodemus, descreve o judeu antes da Lei, depois da Lei e o salvo. Eu entendo que também descreve o gentio sem nenhum conhecimento do cristianismo, o gentio culturalmente conhecedor do cristianismo e o salvo.

A experiência do descobrimento do papel da lei (7-12)

A Lei, que de fato é uma dádiva de Deus (v.12), por causa da natureza pecaminosa, tornou-se uma maldição. Apesar de usar o pronome “e”, Paulo descreve o povo de Israel no deserto. Ele não está falando de sua pessoa em particular.

  1. A lei me traz conhecimento do pecado, 7
  2. A lei desperta o mal desejo, 8
  3. Provoca a morte, 9-11

A lei é pecado? Ela não é de Deus? Ela é um mal? (10-12)

Absolutamente não. O sol que endurece o barro, derrete a cera. O problema é o homem (eu e você) e não a Palavra de Deus.

A lei é morte? (13-25)

Não! Ela evidencia como eu sou verdadeiramente. Problema não é a lei e sim eu mesmo. (14) A pessoa piedosa, mas que não tem Cristo, tenta ser boa diante de Deus, porém não consegue.

Conclusão

A pessoa sem cristo não tem consciência do pecado. Ela acha que está viva. Ao ser confrontada com a Palavra de Deus, ela morre. Então, o Espírito Santo a faz nascer de novo, desta vez, livre para desposar um novo marido, Jesus.

 

[1] Considere que o padrão de vida conjugal dos tempos apostólicos é bem diferente dos nossos dias.

[2] Como estarei usando minhas memórias, qualquer falha é minha responsabilidade.


Img: Saint Paul, Rembrandt van Rijn (and Workshop?), c. 1657, in  encurtador.com.br/cCFT2

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