O que é esperança?
Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos. (Rm 8.18–25. ARA, 1993, SBB).
Para os filósofos dos dias de Paulo a esperança é uma expectativa na incerteza. Para os cristãos, é uma expectativa na certeza de um Deus que deu provas cabais de cumprir suas promessas. Assim, para os não cristãos, a esperança pode ser algo negativo porque suas vidas estão cheia de expectativas frustradas. Para o crente, é justamente o contrário; o Deus Todo-Poderoso nunca deixou de cumprir uma única promessa.
Os Filósofos olhavam a esperança fornecida pela natureza. Esta sim, é vã. Todavia, a esperança em um Deus Todo-Poderoso não é expectativa, mas, certeza. A esperança posta num herói é transitória. O herói morre, morre-se a esperança. A esperança posta no SOL da justiça, não é vã, pois o sol sempre está lá. Você acorda pela manhã e as densas nuvens escuras, que fazem o dia parecer noite, te dizem que vem uma terrível tempestade. Mas você sabe, você tem certeza, que o Sol está lá, e que ele virá. Assim se compara a esperança cristã. Jesus venceu a morte, o mais cruel inimigo. É nele que eu deposito a minha esperança. Assim, minha esperança não é expectativa incerta. É uma expectativa na certeza em quem deu provas de que é capaz.
A certeza de um futuro glorioso (v.18,19)
Paulo segue dizendo que está absolutamente convencido de que os sofrimentos do tempo presente irão ter um fim. Aqui ele não se refere somente as perseguições por causa da fé, ou as dificuldades pessoais e particulares de cada um.
A natureza pecaminosa é um sofrimento comum a todos, tanto dos homens quanto da natureza. Ele deixa claro isto ao dizer “a criação está sujeita à vaidade”.
A vaidade do universo (v.20)
No mundo tudo e vão. Tudo acaba, tudo morre, pois toda a criação está debaixo da maldição. Todo o universo conhecido e conhecível pelos homens sofreu as consequências da queda, de modo que este veio a se tornar transitório. Homens morrem, animais morrem, estrelas morrem, tudo está morrendo... Tudo é vão, tudo é transitório e isto é um grande sofrimento.
A morte, o maior e mais temível inimigo da humanidade alcança toda a criação com seu braço poderoso. Por isso os filósofos não viam a esperança como algo positivo, porque, caso houvesse solução para qualquer outro sofrimento, para a morte, não há esperança.
Deus irá restaurar o Universo (v.21-23)
Aqui Paulo afirma categoricamente que toda a criação, ou seja, o universo inteiro, tanto o conhecido como aquele que os homens ainda vão descobrir, estão debaixo da maldição do pecado. Neste mesmo ponto ele afirma que toda a criação será restaurada. No verso 23 ele usa o termo “corpo”, palavra que pode ser usada para o corpo humano, corpo de animais, corpo celeste. Ou seja, Deus não irá destruir o universo, mas restaurá-lo.
Claro, de modo especial, muito mais glorioso, o corpo humano. Certamente que há diferença, mas o ponto aqui é que Jesus irá restaurar o Universo.
A esperança cristã é um firme consolo (v.24)
Finalmente, temos que para o crente, a esperança, ao contrário do que é para os filósofos, um motivo de consolo e conforto. A experiência filosófica é cheia de frustração, pois muitas não se cumprem. A experiência cristã está firmada no Deus que derrotou a morte. Por isso a nossa esperança não é vã, mas sim uma fonte inesgotável de certeza que gera em nós resiliência e paciência, que por sua vez traz conforto, alegria e segurança.
Uma possibilidade escatológica
Senso comum, pensamos que o céu, o paraíso, a nova Jerusalém será um lugar de eterna contemplação vazia. A ilustração mais comum é aquela de pessoas vestida de branco, num lugar monocromático, ou num lindo campo de flores, onde ninguém realiza nenhum trabalho.
Pelas palavras de Paulo nestes versos, parece que a vida eterna será desfrutada neste mesmo universo de hoje, contudo, sem a existência do mal, do pecado e, principalmente, da morte. Imagine toda esta “agitação” de nosso mundo sem estas corrupções?
Por isso eu aguardo com imensa expectativa a restauração deste universo.
Conclusão
Longe de ser uma mera expectativa incerta, como aquela de apostadores que jogam todas as suas fichas num golpe de sorte, a esperança cristã é a firme certeza no Deus Todo-Poderoso que cumprirá cada uma de suas promessas.
Img: Saint Paul, Rembrandt van Rijn (and Workshop?), c. 1657, in encurtador.com.br/cCFT2


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