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Quinta-Feira Santa

Chegou o dia da Festa dos Pães sem Fermento, em que era necessário fazer o sacrifício do cordeiro pascal.  Então Jesus enviou Pedro e João, dizendo:

— Vão e preparem a Páscoa para que a comamos.

Eles lhe perguntaram:

— Onde o senhor quer que a preparemos?

Jesus lhes explicou:

Fig 1

— Ao entrar na cidade, vocês encontrarão um homem com um cântaro de água; sigam esse homem até a casa em que ele entrar  e digam ao dono da casa: “O Mestre pergunta: ‘Onde fica o aposento no qual comerei a Páscoa com os meus discípulos?’”  Ele lhes mostrará um espaçoso cenáculo mobiliado; ali façam os preparativos.  E, indo, acharam tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa.

Chegada a hora, Jesus se pôs à mesa, e os apóstolos estavam com ele. Houve também entre eles uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior.  Mas Jesus lhes disse:

— Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados de benfeitores. Mas vocês não são assim; pelo contrário, o maior entre vocês seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve.  Pois qual é maior: aquele que está à mesa ou aquele que serve? Não é verdade que é aquele que está à mesa? Pois, no meio de vocês, eu sou como quem serve.  Vocês são os que têm permanecido comigo nas minhas tentações.  E eu confio a vocês um reino, assim como o meu Pai confiou a mim,  para que comam e bebam à minha mesa no meu Reino; e vocês se assentarão em tronos para julgar as doze tribos de Israel. 

Sabendo este que o Pai tinha confiado tudo às suas mãos, e que ele tinha vindo de Deus e voltava para Deus,  levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, pegando uma toalha, cingiu-se com ela.  Em seguida Jesus pôs água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Quando se aproximou de Simão Pedro, este lhe perguntou:

— Vai lavar os meus pés, Senhor? 

Jesus respondeu:

— O que eu faço você não compreende agora, mas vai entender depois.

Fig 2

Então Pedro disse:

— O senhor nunca lavará os meus pés!

Ao que Jesus respondeu:

— Se eu não lavar, você não terá parte comigo.

Então Pedro lhe pediu:

— Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. 

Jesus respondeu:

— Quem já se banhou não precisa lavar nada, a não ser os pés, pois, quanto ao mais, está todo limpo. E vocês estão limpos, mas não todos — pois ele sabia quem era o traidor. Foi por isso que disse: “Nem todos estão limpos.”  Depois de lhes ter lavado os pés, Jesus pôs de novo as suas vestimentas e, voltando à mesa, perguntou-lhes:

— Vocês compreendem o que eu lhes fiz?  Vocês me chamam de Mestre e de Senhor e fazem bem, porque eu o sou.  Ora, se eu, sendo Senhor e Mestre, lavei os pés de vocês, também vocês devem lavar os pés uns dos outros.  Porque eu lhes dei o exemplo, para que, como eu fiz, vocês façam também.  Em verdade, em verdade lhes digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou.  Se vocês sabem estas coisas, bem-aventurados serão se as praticarem.  Não falo a respeito de todos vocês, pois eu conheço aqueles que escolhi. Mas é para que se cumpra a Escritura: “Aquele que come do meu pão levantou contra mim o seu calcanhar.”  Desde já lhes digo isso, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês creiam que EU SOU.  Em verdade, em verdade lhes digo: quem recebe aquele que eu enviar recebe a mim; e quem recebe a mim recebe aquele que me enviou. 

Então Jesus lhes disse:

— Tenho desejado ansiosamente comer esta Páscoa com vocês, antes do meu sofrimento. Pois eu lhes digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no Reino de Deus. 

E, enquanto comiam, Jesus disse:

— Em verdade lhes digo que um de vocês vai me trair.

Então os discípulos olharam uns para os outros, sem saber a quem ele se referia. E eles, muito entristecidos, começaram um por um a perguntar-lhe:

— Por acaso seria eu, Senhor? 

Ao lado de Jesus estava reclinado um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava.  Simão Pedro fez um sinal a esse, para que perguntasse a quem Jesus se referia.  Então aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou:

— Senhor, quem é?

Jesus respondeu:

— É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor seria para ele se nunca tivesse nascido! 

Então Judas, que o traía, perguntou:

— Por acaso sou eu, Mestre?

Jesus respondeu:

— Você acabou de dizer isso.

Então Jesus pegou um pedaço de pão e, tendo-o molhado, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.  E, depois que recebeu o pedaço de pão, imediatamente Satanás entrou nele.

Então Jesus disse:

— O que você pretende fazer, faça-o depressa.

Nenhum dos que estavam à mesa entendeu por que Jesus tinha dito isso.  Pois, como Judas era quem trazia a bolsa do dinheiro, alguns pensaram que Jesus tinha dito a ele: “Compre o que precisamos para a festa” ou, então, que havia solicitado que desse alguma coisa aos pobres.  Assim, tendo recebido o pedaço de pão, Judas logo saiu. E era noite. 

E, pegando um cálice, depois de ter dado graças, disse:

Fig 3

— Peguem e repartam entre vocês. Pois eu digo a vocês que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. 

Enquanto comiam, Jesus pegou um pão, e, abençoando-o, o partiu e deu aos discípulos, dizendo:

— Tomem, comam; isto é o meu corpo que é dado por vocês; façam isto em memória de mim. 

Do mesmo modo, depois da ceia, Jesus pegou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos, dizendo:

— Bebam todos dele; Este cálice é a nova aliança no meu sangue derramado por vocês, para remissão de pecados. E digo a vocês que, desta hora em diante, nunca mais beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que beberei com vocês o vinho novo, no Reino de meu Pai. 

Quando Judas saiu, Jesus disse:

— Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e ele o glorificará imediatamente. Filhinhos, ainda por um pouco estou com vocês. Vocês vão me procurar, mas o que eu disse aos judeus também agora digo a vocês: para onde eu vou vocês não podem ir. Eu lhes dou um novo mandamento: que vocês amem uns aos outros. Assim como eu os amei, que também vocês amem uns aos outros.  Nisto todos conhecerão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor uns aos outros.

Simão Pedro perguntou a Jesus:

— Para onde o Senhor vai?

Jesus respondeu:

— Para onde eu vou você não poderá me seguir agora; mais tarde, porém, me seguirá.

Pedro disse:

— Senhor, por que não posso segui-lo agora? Darei a minha vida pelo senhor. 

Então Jesus disse aos discípulos:

— Esta noite serei uma pedra de tropeço para todos vocês, porque está escrito: “Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas.”  Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vocês para a Galileia. 

Mas Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus:

— Ainda que o senhor venha a ser um tropeço para todos, nunca o será para mim. 

— Simão, Simão, eis que Satanás pediu para peneirar vocês como trigo!  Eu, porém, orei por você, para que a sua fé não desfaleça. E você, quando voltar para mim, fortaleça os seus irmãos.

Porém Pedro respondeu:

— Estou pronto para ir com o senhor, tanto para a prisão como para a morte. 

 Jesus respondeu:

— Você dará a sua vida por mim? Em verdade, em verdade lhe digo: antes que o galo cante, três vezes você me negará. Em verdade lhe digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes.

Mas Pedro insistia com mais veemência:

— Ainda que me seja necessário morrer com o senhor, de modo nenhum o negarei. E todos os outros diziam a mesma coisa. 

Fig 4


A seguir, Jesus perguntou aos discípulos:

— Quando eu os enviei sem bolsa, sem sacola e sem sandálias, por acaso faltou-lhes alguma coisa?

Eles responderam:

— Não faltou nada! 

Então Jesus lhes disse:

— Agora, porém, quem tem bolsa, pegue-a, e faça o mesmo com a sacola; e o que não tem espada, venda a sua capa e compre uma. Pois eu lhes digo que é preciso que se cumpra em mim o que está escrito: “Ele foi contado com os malfeitores.” Pois o que a mim se refere está sendo cumprido. 

Então lhe disseram:

— Senhor, aqui estão duas espadas! Jesus lhes respondeu:

— Basta! Que o coração de vocês não fique angustiado; vocês creem em Deus, creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês.  E, quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também.  E vocês conhecem o caminho para onde eu vou. 

Então Tomé disse a Jesus:

— Não sabemos para onde o Senhor vai. Como podemos saber o caminho? 

Jesus respondeu:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Se vocês me conheceram, conhecerão também o meu Pai. E desde agora vocês o conhecem e têm visto.

Filipe disse a Jesus:

— Senhor, mostre-nos o Pai, e isso nos basta. 

Jesus respondeu:

— Há tanto tempo estou com vocês, Filipe, e você ainda não me conhece? Quem vê a mim vê o Pai. Como é que você diz: “Mostre-nos o Pai”?  Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu digo a vocês não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras.  Creiam que eu estou no Pai e que o Pai está em mim; creiam ao menos por causa das mesmas obras.  Em verdade, em verdade lhes digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.  E tudo o que vocês pedirem em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.  Se me pedirem alguma coisa em meu nome, eu o farei. Se vocês me amam, guardarão os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Consolador, a fim de que esteja com vocês para sempre:  é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele habita com vocês e estará em vocês. Não deixarei que fiquem órfãos; voltarei para junto de vocês.  Mais um pouco e o mundo não me verá mais; vocês, no entanto, me verão. Porque eu vivo, vocês também viverão.  Naquele dia vocês saberão que eu estou em meu Pai, que vocês estão em mim e que eu estou em vocês.  Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. 

Então Judas, não o Iscariotes, disse a Jesus:

— Por que razão o Senhor se manifestará a nós e não ao mundo?

Jesus respondeu:

— Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e o meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras. E a palavra que vocês estão ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou. Tenho dito isso enquanto ainda estou com vocês.  Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse ensinará a vocês todas as coisas e fará com que se lembrem de tudo o que eu lhes disse. Deixo com vocês a paz, a minha paz lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Que o coração de vocês não fique angustiado nem com medo. Vocês ouviram que eu disse: Vou e volto para junto de vocês. Se vocês me amassem, ficariam alegres com a minha ida para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.  Isso eu falei agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês creiam.  Já não falarei muito com vocês, porque aí vem o príncipe do mundo, e ele não tem poder sobre mim.  No entanto, faço isso para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me ordenou. 

Fig 5

— Levantem-se, vamos sair daqui.  Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o que cuida da vinha. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto ele limpa, para que produza mais fruto ainda.  Vocês já estão limpos por causa da palavra que lhes tenho falado.  Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Como o ramo não pode produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim vocês não podem dar fruto se não permanecerem em mim.  Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.  Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.  Se permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será feito.  Nisto é glorificado o meu Pai: que vocês deem muito fruto; e assim se tornarão meus discípulos.  Como o Pai me amou, também eu amei vocês; permaneçam no meu amor.  Se vocês guardarem os meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço.  Tenho lhes dito estas coisas para que a minha alegria esteja em vocês, e a minha alegria seja completa.  O meu mandamento é este: que vocês amem uns aos outros, assim como eu os amei.  Ninguém tem amor maior do que este: de alguém dar a própria vida pelos seus amigos.  Vocês são meus amigos se fazem o que eu lhes ordeno.  Já não chamo vocês de servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz; mas tenho chamado vocês de amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes dei a conhecer.  Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, eu os escolhi e os designei para que vão e deem fruto, e o fruto de vocês permaneça, a fim de que tudo o que pedirem ao Pai em meu nome, ele lhes conceda.  O que eu lhes ordeno é isto: que vocês amem uns aos outros.  Se o mundo odeia vocês, saibam que, antes de odiar vocês, odiou a mim. Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas vocês não são do mundo — pelo contrário, eu dele os escolhi — e, por isso, o mundo odeia vocês.  Lembrem-se da palavra que eu disse a vocês: “O servo não é maior do que seu senhor.” Se perseguiram a mim, também perseguirão vocês; se guardaram a minha palavra, também guardarão a de vocês.  Tudo isso, porém, farão com vocês por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.  Se eu não tivesse vindo e lhes falado, eles não teriam nenhum pecado; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado.  Quem odeia a mim odeia também o meu Pai.  Se eu não tivesse feito entre eles as obras que nenhum outro fez, eles não teriam nenhum pecado; mas, agora, não somente viram como também odiaram tanto a mim como o meu Pai.  Isso, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na Lei deles:

“Odiaram-me sem motivo.”

— Quando, porém, vier o Consolador, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim.  E vocês também testemunharão, porque estão comigo desde o princípio.  Falo essas coisas para que vocês não se escandalizem.  Eles expulsarão vocês das sinagogas, e até chegará a hora em que todo aquele que os matar pensará que, com isso, está prestando culto a Deus.  Isso farão porque não conhecem o Pai nem a mim.  Mas estou falando essas coisas para que, quando chegar a hora, vocês se lembrem de que eu já tinha dito isto para vocês.  Eu não lhes falei isso desde o princípio, porque eu estava com vocês. Mas, agora, vou para junto daquele que me enviou, e nenhum de vocês me pergunta: “Para onde o senhor vai?”  Pelo contrário, porque eu lhes disse essas coisas, a tristeza encheu o coração de vocês.  Mas eu lhes digo a verdade: é melhor para vocês que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vocês; mas, se eu for, eu o enviarei a vocês.  Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:  do pecado, porque não creem em mim;  da justiça, porque vou para o Pai, e não me verão mais;  do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.  Tenho ainda muito para lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora.  Porém, quando vier o Espírito da verdade, ele os guiará em toda a verdade. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que ouvir e anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer.  Ele me glorificará, porque vai receber do que é meu e anunciará isso a vocês.  Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso eu disse que o Espírito vai receber do que é meu e anunciar isso a vocês.  Um pouco, e vocês não me verão mais; outra vez um pouco, e me verão de novo.

Então alguns dos seus discípulos disseram uns aos outros:

— Que vem a ser isto que ele está nos dizendo: “Um pouco, e vocês não me verão mais, e outra vez um pouco, e me verão de novo”; e: “Vou para o Pai”? 

E diziam:

— Que vem a ser esse “um pouco”? Não compreendemos o que ele está dizendo.

Jesus, percebendo que queriam lhe fazer perguntas, disse:

— Vocês estão discutindo a respeito disto que eu acabo de falar: “Um pouco, e vocês não me verão mais, e outra vez um pouco, e me verão de novo”?  Em verdade, em verdade lhes digo que vocês vão chorar e se lamentar, mas o mundo se alegrará. Vocês ficarão tristes, mas a tristeza de vocês se transformará em alegria.  A mulher, quando está para dar à luz, fica triste, porque chegou a sua hora; mas, depois de nascida a criança, já não se lembra da aflição, pela alegria de ter trazido alguém ao mundo.  Assim também agora vocês estão tristes. Mas eu os verei outra vez, e o coração de vocês ficará cheio de alegria, e ninguém poderá tirar essa alegria de vocês.  Naquele dia vocês não me perguntarão nada. Em verdade, em verdade lhes digo: se pedirem ao Pai alguma coisa em meu nome, eles lhes concederá.  Até agora vocês não pediram nada em meu nome; peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa. Essas coisas eu falei a vocês por meio de figuras. Vem a hora em que não falarei mais por meio de figuras, mas falarei a vocês claramente a respeito do Pai.  Naquele dia vocês pedirão em meu nome. E não lhes digo que pedirei ao Pai em favor de vocês,  porque o próprio Pai os ama, visto que vocês me amam e creem que eu vim da parte de Deus.  Vim do Pai e entrei no mundo, mas agora deixo o mundo e vou para o Pai. 

Então os seus discípulos disseram:

— Agora o senhor fala claramente e não emprega nenhuma figura.  Agora vemos que o senhor sabe todas as coisas e não precisa que alguém lhe pergunte. Por isso, cremos que o senhor veio de Deus. 

Jesus respondeu:

— Vocês creem agora?  Eis que vem a hora — e já chegou — em que vocês serão dispersos, cada um para a sua casa, e vocês me deixarão sozinho. Mas não estou sozinho, porque o Pai está comigo.  Falei essas coisas para que em mim vocês tenham paz. No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo. 

Depois de dizer essas coisas, Jesus levantou os olhos ao céu e disse:

— Pai, é chegada a hora. Glorifica o teu Filho, para que o Filho glorifique a ti,  assim como lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.  E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.  Eu te glorifiquei na terra, realizando a obra que me deste para fazer.  E agora, ó Pai, glorifica-me contigo mesmo com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.  Manifestei o teu nome àqueles que me deste do mundo. Eram teus, tu os deste a mim, e eles têm guardado a tua palavra.  Agora eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti,  porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, verdadeiramente reconheceram que saí de ti e creram que tu me enviaste.  É por eles que eu peço; não peço pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.  Todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado.  Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, enquanto eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um.  Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste; eu os protegi e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para se cumprir a Escritura.  Mas agora vou para junto de ti e isto falo no mundo para que eles tenham a minha alegria completa em si mesmos.  Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou.  Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal.  Eles não são do mundo, como também eu não sou.  Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.  Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.  E a favor deles eu me santifico, para que eles também sejam santificados na verdade. 

Fig 6

— Não peço somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por meio da palavra que eles falarem,  a fim de que todos sejam um. E como tu, ó Pai, estás em mim e eu em ti, também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.  Eu lhes transmiti a glória que me deste, para que sejam um, como nós o somos;  eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. Pai, a minha vontade é que, onde eu estou, também estejam comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.  Pai justo, o mundo não te conheceu. Eu, porém, te conheci, e também estes reconheceram que tu me enviaste.  Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.  

E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras. Em seguida, Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani. E disse aos discípulos:

— Sentem-se aqui, enquanto eu vou ali orar.

E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a sentir-se tomado de tristeza e de angústia.  Então lhes disse:

— A minha alma está profundamente triste até a morte; fiquem aqui e vigiem comigo.

E, adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo:

— Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice! Contudo, não seja como eu quero, e sim como tu queres.

Então lhe apareceu um anjo do céu que o confortava.  E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o suor dele se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra. 

E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo. E disse a Pedro:

— Então nem uma hora vocês puderam vigiar comigo?  Vigiem e orem, para que não caiam em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 

Retirando-se pela segunda vez, orou de novo, dizendo:

— Meu Pai, se não é possível que este cálice passe de mim sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.

E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os olhos deles estavam pesados.  Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 

Então voltou para os discípulos e lhes disse:

— Vocês ainda estão dormindo e descansando! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. Levantem-se, vamos embora! Eis que o traidor se aproxima. 

Fig 7

Judas, o traidor, também conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes havia se reunido ali com os seus discípulos.  Tendo, pois, Judas recebido a escolta e alguns guardas da parte dos principais sacerdotes e fariseus, chegou a esse lugar com lanternas, tochas e armas.  Então Jesus, sabendo de tudo o que ia acontecer com ele, adiantou-se e perguntou-lhes:

— A quem vocês estão procurando? 

Eles responderam:

— A Jesus, o Nazareno. Então Jesus lhes disse:

— Sou eu.

Ora, Judas, o traidor, também estava com eles.  Quando Jesus lhes disse: “Sou eu”, recuaram e caíram por terra.  Jesus, de novo, lhes perguntou:

— A quem vocês estão procurando?

Responderam:

— A Jesus, o Nazareno. 

Então Jesus disse:

— Já lhes falei que sou eu. Se é a mim que vocês estão procurando, deixem que estes vão embora.  Ele disse isso para se cumprir a palavra que tinha dito anteriormente: “Não perdi nenhum dos que me deste.” 

Ora, o traidor tinha dado a eles um sinal: “Aquele que eu beijar, é esse; prendam-no.”  E logo, aproximando-se de Jesus, Judas disse:

— Salve, Mestre! E o beijou. 

Jesus, porém, lhe disse:

— Judas, com um beijo você trai o Filho do Homem? 

Fig 8

Então eles agarraram Jesus e o prenderam. Então Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cotando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco. 

Mas Jesus interveio, dizendo:

— Deixem! Basta! E, tocando na orelha do homem, o curou. 

Então Jesus lhe disse:

— Coloque a espada de volta no seu lugar, pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão. Ou você acha que não posso pedir a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?  Mas como, então, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim deve acontecer? 

Naquele momento, Jesus disse às multidões:

— Vocês vieram com espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um salteador? Todos os dias, no templo, eu me assentava ensinando, e vocês não me prenderam.

Tudo isto, porém, aconteceu para se cumprir as Escrituras dos profetas. Então todos os discípulos o deixaram e fugiram. 

Um jovem, coberto unicamente com um lençol, seguia Jesus. Eles o agarraram,  mas ele largou o lençol e fugiu nu. 

Assim, a escolta, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram.  Então o levaram primeiramente a Anás, sogro de Caifás, sumo sacerdote naquele ano.  Ora, Caifás era quem havia declarado aos judeus ser conveniente morrer um homem pelo povo. Então Anás o enviou, amarrado, à presença de Caifás, o sumo sacerdote. 

E os que prenderam Jesus o levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde se haviam reunido os escribas e os anciãos. 

Simão Pedro e outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e, por isso, conseguiu entrar no pátio da casa deste com Jesus. Pedro, porém, ficou de fora, junto à porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, falou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro.  Os servos e os guardas estavam ali, tendo acendido uma fogueira por causa do frio, e se aqueciam. Pedro estava no meio deles, aquecendo-se também. 

Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das empregadas do sumo sacerdote. Então a empregada, encarregada da porta, perguntou a Pedro:

— Você também não é um dos discípulos desse homem?

Ele respondeu:

— Não, não sou.

E, vendo Pedro, que se aquecia, fixou os olhos nele e disse:

— Você também estava com Jesus, o Nazareno. 

Mas ele negou, dizendo:

— Não o conheço, nem compreendo o que você está falando. E saiu para o pórtico. E o galo cantou. 

Então o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito dos seus discípulos e da sua doutrina.

  Jesus lhe respondeu:

— Eu tenho falado francamente ao mundo. Sempre ensinei, tanto nas sinagogas como no templo, onde todos os judeus se reúnem, e não disse nada em segredo.  Por que o senhor está perguntando para mim? Pergunte aos que ouviram o que lhes falei. Eles sabem muito bem o que eu disse. 

Quando Jesus disse isto, um dos guardas que estavam ali deu-lhe uma bofetada, dizendo:

— É assim que você fala com o sumo sacerdote? 

Jesus lhe respondeu:

— Se falei mal, dê testemunho do mal. Mas, se falei bem, por que você está me batendo?

Simão Pedro estava em pé, aquecendo-se.

Então lhe perguntaram:

— Você também não é um dos discípulos dele?

Ele negou e disse:

— Não, não sou. 

E a empregada, vendo-o, tornou a dizer aos que estavam ali:

— Este é um deles.  Mas ele negou outra vez.

E, pouco depois, os que estavam ali disseram outra vez a Pedro:

— Com certeza você é um deles, porque também é galileu. 

 Um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha decepado a orelha, perguntou:

— Não é verdade que eu vi você no jardim com ele? 

 Ele, porém, começou a praguejar e a jurar:

— Não conheço esse homem de quem vocês estão falando!  Não sei do que você está falando.

E logo, enquanto Pedro ainda falava, o galo cantou.  Então, o Senhor voltou-se e fixou os olhos em Pedro. E Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe tinha dito: “Hoje, antes que o galo cante, você me negará três vezes.”  E Pedro, saindo dali, chorou amargamente. 

Fig 9

E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para o condenar à morte, mas não achavam nada. Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram coerentes. E não acharam, apesar de terem sido apresentadas muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando: 

— Este disse: “Posso destruir o santuário de Deus e reconstruí-lo em três dias.” 

— Nós o ouvimos declarar: “Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas.” 

Nem assim o testemunho deles era coerente.  E, levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus:

— Você não diz nada em resposta ao que estes depõem contra você?  Jesus, porém, guardou silêncio e nada respondeu.

O sumo sacerdote tornou a interrogá-lo:

— Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito? 

Jesus respondeu:

— Eu sou, e vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu.

O sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse:

— Por que ainda precisamos de testemunhas?  Vocês ouviram a blasfêmia. Qual é o parecer de vocês?

 E todos o julgaram réu de morte.  Alguns começaram a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a bater nele e a dizer-lhe:

— Profetize! E os guardas davam-lhe bofetadas. 


Lucas 22.7-14,24-30; João 13.3-20; Lucas 22.15-16; Mateus 26.21; João 13.22; Mateus 26.22; João 13.23-26a; Mateus 26.24-25;João 13.26b-30; Lucas 22.17-18; Mateus 26.26; Lucas 22.19b-20a; Mateus 26.27b; Lucas 22.20b; Mateus 26.28b-29; João 13.31-37; Mateus 26.31-33; Lucas 22.31-33; João 13.38a; Marcos 14.30b-31; Lucas 22.35-38; João 14.1—17.26; Mateus 26.30,36-39; Lucas 22.43-44; Mateus 26.40-46; João 18.2-9; Mateus 26.48-49; Lucas 22.48; Marcos 14.46a; João 18.10; Lucas 22.51; Mateus 26.52-56; Marcos 14.51-52; João 18.12-14; João 18.24; Mateus 26.57; João 18.15,16,18; Marcos 14.66; João 18. 17; Marcos 14.67-68; João 18.19-23,25a; Marcos 14.69-70; João 18.26; Marcos 14.71; Lucas 22.60b-62; Marcos 14.55,56; Mateus 26.60b-61; Marcos 14.58-65

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Fig 3 -  John Paul Stanley/ YoPlace.com.
Fig 9 - LUMO (Big Book Media)

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