Expulsos do Éden, Adão e Eva enfrentam as dificuldades resultantes do pecado. E, mais rápido do que podiam imaginar, dores profundas atingiriam suas almas.
De fato, tão logo os dois primeiros filhos atingiram a maturidade, ficou claro a divisão da humanidade entre duas linhagens: a piedosa e a corrupta. Vemos os primeiros atos motivados por ciúmes, ódio, obstinação, desobediência, arrogância. Em compensação, podemos perceber o cuidado de Deus em não abandonar o homem, ofertando-lhe a sua Palavra, incentivo, amor, carinho, disponibilidade de perdão etc.
Caim e Abel
“Adão teve relações com Eva, a sua mulher. Ela ficou grávida e deu à luz Caim. Então ela disse: — Adquiri um varão com o auxílio do Senhor. Depois, deu à luz Abel, irmão de Caim. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi agricultor” (Gn 4.1-2).
O nome Caim significa aquisição. Eva é que dá esse nome. Pela primeira vez não é Adão que dá nome. Temos aqui a mudança da autoridade? Se sim, isso foi bênção ou maldição? Devo interpretar como a mulher sendo elevada à condição de líder ou usurpando a liderança do marido?
As oferendas dos irmãos
“Aconteceu que, ao fim de um certo tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. O Senhor se agradou de Abel e de sua oferta, mas de Caim e de sua oferta não se agradou. Caim ficou muito irritado e fechou a cara” (Gn 4.3-5 - NAA).
Ainda que não tivéssemos uma justificativa que explicasse o motivo de Deus não ter se agradado da oferenda de Caim, Deus não é responsável pelo ciúme, ódio e rancor que Caim está cultivando sem seu coração. Além do mais, Abel seria totalmente inocente. Quem “desagradou” de Caim foi Deus, não Abel.
Deus se importa com Caim
“Então o Senhor lhe disse: — Por que você anda irritado? E por que essa cara fechada? Se fizer o que é certo, não é verdade que você será aceito? Mas, se não fizer o que é certo, eis que o pecado está à porta, à sua espera. O desejo dele será contra você, mas é necessário que você o domine” (Gn 4.6,7 - NAA).
Em seu amor, Deus alerta Caim. O Senhor se preocupa com o pecador e vem ao encontro deste. Caim tinha a oportunidade de pedir perdão e se reconciliar com Deus, mas não o fez.
Especialistas na língua hebraica dizem que a expressão o desejo dele (o pecado) é derrubar Caim. A mesma coisa se nota em Gn 3.16, quando diz que o desejo da mulher seria contra (oposição) ao marido. Assim, a semelhança é que em ambos os versos, o desejo é algo ruim, o que explica a ação da mulher se opor à liderança do marido.
O primeiro assassinato
“Caim disse a Abel, seu irmão: — Vamos ao campo. Estando eles no campo, Caim se levantou contra Abel, o seu irmão, e o matou. O Senhor disse a Caim: — Onde está Abel, o seu irmão? Ele respondeu: — Não sei; por acaso sou o guardador do meu irmão? E o Senhor disse: — O que foi que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama da terra a mim. E agora você é maldito sobre a terra, cuja boca se abriu para receber da sua mão o sangue do seu irmão. Quando você cultivar o solo, ele não lhe dará a sua força; você será fugitivo e errante pela terra. Então Caim disse ao Senhor: — Meu castigo é tão grande, que não poderei suportá-lo. Eis que hoje me expulsas da face da terra, e da tua presença terei de me esconder; serei fugitivo e errante pela terra; quem se encontrar comigo me matará. O Senhor, porém, lhe disse: — Não! E, se alguém matar Caim, será vingado sete vezes. E o Senhor pôs um sinal em Caim para que, se alguém viesse a encontrá-lo, não o matasse. E Caim se retirou da presença do Senhor e habitou na terra de Node, a leste do Éden” (Gn 4.8-16).
Enfim, Caim escolhe se manter no caminho da perversidade. Assassina o irmão, não se arrepende. O que ele sente é pena de si mesmo, remorso sem arrependimento. Caim se conforma com o seu pecado e tem seu coração empedernido.
Lições para nós
1- Se não fugirmos do pecado, ele nos dominará
Nós nascemos em pecado. Nós temos a natureza pecaminosa. Naturalmente, estamos mergulhados nas obras carnais. Todavia, ao morrer na cruz Jesus conquistou o poder que nos oferece gratuitamente: o fruto do Espírito.
“Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos certamente mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6.1-14).
2- Deus punirá todo aquele que ferir o próximo
Os da linhagem de Caim ferem pessoas inocentes. Os da linhagem de Abel sofrem injustamente. A história destes dois irmãos ilustra perfeitamente a dualidade da humanidade desde então. Eu classifico de conservadores aqueles que procuram conservar os preceitos do Senhor; de progressistas, aqueles que querem alternativas, caminhos diferentes.
Quem é nascido de novo não fere o próximo. E, segundo a Bíblia, alimentar ódio é o mesmo que assassinar.
“Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem vida eterna em si mesmo” (1Jo 3.15 – compare com Mt 5.22).
3- Deus deve ser adorado como Ele quer, não como nós queremos
Por que Deus rejeitou a oferenda de Caim e aceitou a de Abel? Porque Abel adorou do jeito certo, Caim, do jeito errado. Caim quis “mudar” as coisas. Caim já agia com arrogância em seu coração.
Caim ofereceu a Deus sua melhor colheita, mas não foi isso que Deus queria. É verdade que em Gênesis não temos um texto claro, palavra por palavra, de como Deus ordenara. Porém, é possível inferir com toda segurança.
“Sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9.22). “Foi pela fé que Abel ofereceu a Deus um sacrifício melhor que o de Caim. Graças a ela foi declarado justo” (Hb 11.4a – BJ). “Portanto, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17).
Após o pecado, Adão e Eva perceberam sua nudez (o pecado). Para cobrir essa nudez, Deus realizou o sacrifício de uma animal. Sangue foi derramado para cobrir o pecado. Caim não era inocente quanto à vontade de Deus e quanto à maneira pela qual Deus escolheu para ser adorado.
Não podemos mudar o que Deus disse desde o princípio. Não temos o direito de criar evangelhos alternativos, moderninhos, inclusivistas, libertinos... Ainda que nosso coração esteja cheio de boas intensões e sentimentos de pena, precisamos conservar firmes as veredas antigas. Contudo, isso não significa que devamos renunciar à misericórdia, empatia e alteridade.
Conclusão
Deus sempre vem em socorro ao pecador. Deus estende a mão e sempre, antes da tentação, provê uma válvula de escape.
Hoje, temos Jesus, cujo sangue derramado é suficiente para cobrir de vez a nossa nudez espiritual. Além disso, nos é ofertado o poder do Espírito, para mortificamos os desejos pecaminosos da carne.
Em certo sentido, podemos dizer que temos mais oportunidade que Caim. Portanto, não há desculpas para você ser livre hoje mesmo da influência do pecado. Basta confessar Jesus como o seu Senhor e clamar a ele. “Senhor, salva-me”.
Imagem: Caim conduzindo Abel à morte. Por James Tissot - http://thejewishmuseum.org/collection/26668-cain-leadeth-abel-to-death, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=138196


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