Mais uma vez estamos às vésperas de uma eleição majoritária no Brasil. E, neste ano em particular, a mais polarizada dos últimos 52 anos. Entre o mais profundo engajamento e a mais completa alienação, como devo me posicionar? Como me relacionar com o irmão em Cristo que se senta ao meu lado no culto de domingo?
Há alguma luz na Bíblia que me oriente a agir? Sim, pois a Palavra de Deus tem resposta para todas as circunstâncias de nossa vida.
A eleição de um rei em Israel
Quando vocês entrarem na terra que o Senhor , seu Deus, está dando a vocês para que dela tomem posse, e estiverem morando nela, e disserem: "Poremos sobre nós um rei, tal como todas as nações que estão ao nosso redor", vocês certamente porão como rei sobre vocês aquele que o Senhor , seu Deus, escolher. Homem estranho, que não seja do meio dos seus compatriotas, vocês não devem pôr como rei sobre vocês, e sim um do meio dos seus compatriotas. Porém esse rei não deve multiplicar para si cavalos, nem fazer o povo voltar ao Egito, para multiplicar cavalos, pois o Senhor já lhes disse: "Nunca mais vocês devem voltar por este caminho." Esse rei também não deve tomar para si muitas mulheres, para que o seu coração não se desvie; nem deve acumular muita prata e muito ouro. Também, quando se assentar no trono do seu reino, mandará escrever num livro uma cópia desta lei, feita a partir do livro que está com os sacerdotes levitas. O rei terá esse livro consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o Senhor , seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir. Ele fará isso para que o seu coração não se exalte sobre os seus irmãos e não se desvie do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda. Assim prolongará os dias no seu reino, ele e os filhos dele no meio de Israel. (Deuteronômio 17.14-20)
Neste texto, Moisés legisla cerca de 400 anos antes de Saul ser ungido o primeiro rei da nação. Segundo estas palavras, o futuro rei:
- Não poderia ser um estrangeiro – o governante tem de conhecer bem os problemas e necessidades dos governados.
- Não acumular cavalos – o governante não deve ser apegado ao poder.
- Não ter muitas esposas – Não fazer alianças com a corrupção.
- Não acumular riquezas – Não ser corrupto nem ganancioso.
- Ter uma cópia da Lei – estar sempre meditando na lei para cumpri-la.
É óbvio que não podemos seguir ao pé da letra as instruções deste texto. Entretanto, olhe quais princípios podemos (para não dizer, devemos) praticar hoje.
Eleição democrática
Ao povo é dado o direito de escolher um governante. O sistema democrático está longe de ser perfeito, mas ele é o preferível dentre os demais. O próprio Deus nos dá o privilégio de participarmos destas escolhas. Junto com o privilégio, vem também a responsabilidade.
A Escolha é divina
Pode parecer contraditório, mas não. Ao mesmo tempo em que nós elegemos os governantes, conduto, é Deus quem dita as qualificações. Quem você escolheria para fazer uma cirurgia em seu cérebro: um neurocirurgião com 20 anos de experiência ou uma cabelereira?
Quais são os seus valores? O que é realmente importante para você? Quais tipos de pessoas você traria para morar em sua casa, casar-se com seus filhos, fazer parte de sua intimidade? A quem você daria todas as suas economias pessoais para administrar?
Na vida real, nós não podemos pedir para Deus escrever na parede o nome dos políticos que ele quer que votemos. Nós é que temos que escolher dentre aqueles disponíveis quais mais preenchem requisitos cristãos, se de fato a Bíblia for o nosso manual de regra e conduta.
Discurso x Comportamento
Não existe ser humano perfeito. Todos pecarão e carecem da graça de Deus. Por isso, tem pessoas que se dizem cristãs e não são; por outro lado, tem alguns que não são cristãos, mas praticam os valores cristão.
Nem sempre a distinção é clara e jamais poderemos fazer uma lista muito detalhada. Por exemplo, imaginemos que dois cristãos sejam as nossas opções. Um é pentecostal e o outro é tradicional. Neste caso não faz diferença, pois o valor maior é ser cristão.
Mas, e se um satanista, mentiroso por natureza, diz que é cristão e um ateu ético disser a verdade: eu sou ateu? Então você teria de avaliar não os discursos, mas o comportamento. Qual deles se comporta mais próximos dos valores cristãos?
Reflexões na prática
Direita e Esquerda / Conservador e Progressista
É impossível reduzir toda a gama do espectro político e social em duas palavras. Pessoalmente, eu sou contra pena de morte e contra o aborto. Senso comum, quem é contra aborto é direita e quem é contra pena de morte é de esquerda. Eu sou o quê?
Todo como base as Escrituras, guiando nossa bússola moral pelos 10 mandamentos e pelo discurso do sermão do Monte, quais critérios devemos buscar nos candidatos?
- Moral ilibada – não ter sido condenado por nenhum ato de corrupção.
- Eficiência – avaliar o desempenho do candidato, no caso de reeleição. Exemplos de sites para pesquisa: http://meucongressonacional.com e http://www.politicos.org.br.
- Valores cristãos – como o candidato se posiciona em relação aos temas de: aborto, legalização de drogas, família, ideologia de gênero, flexibilização de crime...
- Espectro político – talvez o mais subjetivo dos critérios para o cristão. Via de regra, os partidos de esquerda são progressistas; os de direita, conservadores.
Dada a dificuldade de definir em poucas linhas os conceitos de direita e esquerda, conservadorismo e progressismo, segue abaixo uma adaptação feita a partir do artigo Posicionamentos dos partidos brasileiros[1].
Levei em consideração na planilha acima os valores sociais e apenas os partidos com pré-candidatos a presidente para o pleito de 2022.
Acho que a melhor maneira de eu explicar o meu ponto aqui é dando o exemplo pessoal. Na minha lista de valores, o primeiro lugar é sobre o aborto, seguido pela legalização de cannabis, ideologia de gênero, casamento LGBT+. Neste 4 eu não abro mão e não negocio. Uma vez feita esta lista de critério, elimino os contrários e a parto para critérios menos importantes.
Quero concluir dizendo que o papel mais importante do cristão é adorar a Deus e fazê-lo conhecido. Todavia, aprouve a Deus nos incumbir de fazer escolhas. Devemos fazê-las da maneira mais consciente possível.
Quando mais conhecemos a Deus e sua palavra, mas hábeis nos tornamos para eleger pessoas segundo o padrão divino.
Porém, acima de qualquer coisa, devemos ter em mente que “não há autoridade que não seja dada por Deus”. Deus é soberano e ninguém se senta numa cadeira de poder se Deus não permitir.
[1] Posicionamentos dos partidos brasileiros. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Posicionamentos_dos_partidos_brasileiros>. Acesso em 17/07/22


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