![]() |
| Imagem: Pixabay |
Abraão morreu há cerca de 4 mil anos, portanto, pensar que a alma dele está viva em algum lugar gera certo desconforto. Onde? Não pode ser o inferno, pois ele era justo. Não pode ser o céu, pois este ainda não existe. Então, a teologia cria o que se chama de “estado intermediário” e, baseado na parábola de Lucas 16, chamado de “ceio de Abraão”.
Também temos dificuldades de saber como eles estão vivendo: o que fazem em 24 horas? Eles dormem, comem, estão vendo a gente aqui na terra...?
Diante destas dificuldades, e de alguns textos que, sim, mencionam os termos morte e alma, como o de Ez 18.20, “a alma que pecar, essa morrerá”, deduzem alguns que morre tudo, alma e corpo. Tal qual o corpo entra num estado de completa inanição, assim é a alma, em algum “cemitério espiritual”.
Jesus morreu por volta de 3 horas da tarde, e foi colocado na sepultura antes de virar o dia. Considerando que a preparação do corpo levasse um mÃnimo de 2 horas, foi esse o tempo em que uma ou duas dezenas de pessoas puderam testemunhar que o corpo estava morto.
O corpo de Cristo morreu, mas seu espÃrito/alma, não. “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espÃrito!” (Lc 23.46). Pedro afirma que o corpo de Jesus morreu, mas seu espÃrito (alma) permaneceu vivo: “morto, sim, na carne, mas vivificado no espÃrito” (1Pe 3.18).
“Para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia” (2Pe 3.8), “mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigÃlia da noite” (Sl 90.4). Isso significa que Deus não está preso ao tempo e ao espaço. Por isso Jesus disse: “Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele todos vivem” (Lc 20.38).
O que o salmista e o apóstolo Pedro estão dizendo é que para Deus, o que leva 10 mil anos aqui na Terra, para Deus são meros segundos. A teoria da relatividade comprova essa relatividade do tempo.
Jesus disse: “quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juÃzo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Paulo, em Efésios, considera como sendo coisa do passado o fato de já estarmos no céu ao dizer: “juntamente com ele nos ressuscitou e com ele nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.6). Ou seja, o tempo decorrido desde o dia em que nasci de novo até a descida da Nova Jerusalém, será absolutamente desprezÃvel, a ponto de se poder afirmar que a alma não morre.
O mais próximo que posso chegar de uma ilustração, baseada na experiência humana que já tive foi a de ter dormido ao fazer uma longa viagem. Por muitos anos eu viajo num trecho de mais de 600 km. Algumas vezes fiquei acordado todo o trecho. A sensação é que o tempo não passa. Porém, quando durmo por algumas horas, a sensação é outra. “Uau, chegou rápido”. Dizem que quem entra em estado de coma também perde a noção de tempo decorrido. Transfira essa ideia para a vida real na experiência espiritual de “desencarnar” e receber o corpo glorificado. Acredito que a perda da conexão com esta era para com a vindoura será de mÃseros milionésimos de segundos.
Sob esta perspectiva, parece que o que Pedro afirma em sua primeira carta, 3.18; 4.6 é que Jesus proclamou sua mensagem a todos os que já haviam morrido, não para salvação ou condenação, como ocorre em nosso tempo presente, mas para justificar seus estados eternos.
De modo muito resumido, podemos dizer que a salvação eterna é alcançada mediante a fé. Para nós que vivemos no tempo da Igreja, a salvação vem pela fé no que Cristo que veio. Para as gerações passadas, no que Cristo que viria.
De uma forma ou de outra a humanidade inteira recebeu o testemunho do meio de salvação ofertado por Deus. Tanto no passado como no presente. As pessoas que rejeitaram a salvação oferecida serão condenadas, e, em sua justiça, Deus as faz saber por que estão sendo condenadas. Por isso Jesus, no mundo espiritual, proclamou a eles.
Essa proclamação não pode ser entendida como a evangelização que fazemos hoje. Jesus não foi ao “reino espiritual” e falou com alguém que morreu, por exemplo, em 235 a.C.: “Você deseja me aceitar como seu salvador?” O que ele foi fazer é: “você está condenado por ter rejeitado a proclamação que meus profetas fizeram a respeito de mim. Você deveria ter posto fé no que eles disseram”.
Claro, não temos detalhes de como se deu a realidade desta proclamação, mas o que escrevo antes é ilustrativo, com a finalidade de esclarecer a ideia, não uma descrição fiel e literal.
Isto posto, pode-se concluir o seguinte: a alma humana é imortal.
Não existe corpo sem alma e a alma precisa de um corpo. Aqui neste mundo, o corpo fÃsico; no vindouro, um corpo glorificado.
A morte, na atual era, é a separação da alma e do corpo. É necessário que o corpo fÃsico morra para que seja dado um novo corpo espiritual (1Co 15.37).
Imagem de 1006777 por Pixabay


0 Comentários
Não use palavras ofensivas.