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O que é o batismo no Espírito?


Introdução

Se até pouco menos de 40 ano havia acirrada divisão entre pentecostais e históricos, com a questão do batismo no/com Espírito, atualmente não há mais animosidade entre os irmãos.

Contudo, ter uma convicção formada sobre o tema nos ajuda ter um relacionamento bíblico com o ministério do Espírito Santo na Igreja.

O que é o batismo no Espírito?

É bíblico! Os quatro evangelhos registram que é Jesus quem batiza no Espírito, portanto não há como negá-lo. A diferença é que para os crentes histórico, ou tradicionais, o batismo no Espírito é o novo nascimento propriamente dito. Para os pentecostais, uma segunda bênção, ou um segundo batismo, agora, de fogo.

Mateus, Marcos, Lucas e João nos revelam desse batismo no Espírito. A tabela abaixo tem os textos completos, para que possamos analisar dentro de seu contexto o que os evangelistas querem dizer. Para os pentecostais, fogo é sinônimo de poder; para os não pentecostais, o fogo é juízo.

Mt 3.1-12

Lc 3.3-9,16,17

Mc 1.4-8

Jo 1.19-26,33

 1 Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia.Ele dizia: 

— Arrependam-se, porque está próximo o Reino dos Céus.

Pois é a João que se refere o que foi dito por meio do profeta Isaías: 

"Voz do que clama no deserto: 

Preparem o caminho do Senhor, 

endireitem as suas veredas."

João usava uma roupa feita de pelos de camelo e um cinto de couro. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre.Então os moradores de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região em volta do Jordão iam até onde ele estava.E, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.

3 Ele percorreu toda a região nas imediações do rio Jordão, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados,conforme está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: 

"Voz do que clama no deserto: 

Preparem o caminho do Senhor, 

endireitem as suas veredas.

Todos os vales serão aterrados, 

e todos os montes e colinas 

serão nivelados; 

os caminhos tortuosos 

serão retificados, 

e as estradas irregulares 

serão aplanadas;

e toda a humanidade verá 

a salvação que vem de Deus."

E foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados.E toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam até ele. E, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.A roupa de João era feita de pelos de camelo. Ele usava um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre.

E João pregava, dizendo: 

— Depois de mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desamarrar as correias das suas sandálias.

19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: "Quem é você?"20 Ele confessou e não negou; confessou: 

— Eu não sou o Cristo.

21 Diante disso, lhe perguntaram: 

— Quem é você, então? Você é Elias? 

Ele disse: 

— Não sou. 

Então perguntaram: 

— Você é o profeta? 

Ele respondeu: 

— Não, não sou.

22 Disseram-lhe, então: 

— Diga quem é você, para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram. O que é que você diz a respeito de si mesmo?

23 Então ele respondeu: 

— Eu sou "a voz do que clama no deserto: Endireitem o caminho do Senhor", como disse o profeta Isaías.

24 Ora, os que haviam sido enviados eram do grupo dos fariseus.25 E perguntaram a João: 

— Então por que você batiza, se não é o Cristo, nem Elias, nem o profeta? 26 João respondeu: 

 

7 Quando João viu que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: — Raça de víboras! Quem deu a entender que vocês podem fugir da ira que está por vir? Produzam fruto digno de arrependimento!E não pensem que podem dizer uns aos outros: "Temos por pai Abraão", porque eu afirmo a vocês que Deus pode fazer com que destas pedras surjam filhos a Abraão.10 E o machado já está posto à raiz das árvores. Portanto, toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

7 João dizia às multidões que saíam para ser batizadas: — Raça de víboras! Quem deu a entender que vocês podem fugir da ira vindoura? Produzam frutos dignos de arrependimento! E não comecem a dizer uns aos outros: "Temos por pai Abraão", porque eu afirmo a vocês que Deus pode fazer com que destas pedras surjam filhos a Abraão.E também o machado já está posto à raiz das árvores. Portanto, toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

16 João tratou de explicar a todos: 

 

 

11 Eu batizo vocês com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de carregar as sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo.12 Ele tem a pá em suas mãos, limpará a sua eira e recolherá o seu trigo no celeiro; porém queimará a palha num fogo que nunca se apaga.

— Eu, na verdade, batizo vocês com água, mas vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desamarrar as correias das suas sandálias; ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo.17 Ele tem a pá em suas mãos, para limpar a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; porém queimará a palha num fogo que nunca se apaga.

8 Eu batizei vocês com água; ele, porém, os batizará com o Espírito Santo

— Eu batizo com água, mas no meio de vocês está alguém que vocês não conhecem. 33 Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: "Aquele sobre quem você vir descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo."

 

Os quatro evangelistas retratam o momento em que João está batizando e preparando seus discípulos para a chegada de Jesus. Como estava ganhando notoriedade, o Sinédrio envia alguns fariseus para investigar. Considerando a hipocrisia e a inveja com a qual combateram Jesus, não é nenhum exagero conjecturar que vieram no mesmo propósito: entender o que João fazia para silenciá-lo.

Fizeram como sempre, fingindo serem piedosos. Porém, João que era profeta, leu bem seus corações de víbora. O apóstolo João em seu relato reproduz parte do diálogo.

Então, João Batista ilustra que, assim como ele mergulha as pessoas em águas, para arrependimento, Jesus irá mergulhar a humanidade em dois batismos diferentes: no Espírito e no fogo. No Espírito, para a vida; no fogo para julgamento.

Isso fica claro no contexto, pois Mateus e Lucas fazem o contraste. Os discípulos devem demonstrar com seus frutos se são árvores boas ou más. A árvore boa produz bons frutos, a árvore má, frutos maus. A árvore má é cortada e lançada no fogo. Fogo que nunca se apaga.

Não existe nenhuma possibilidade de, pelo contexto, entender aqui fogo como sendo bênção. Portanto, o Batismo no Espírito é o Novo Nascimento, a nova vida.

A experiência do Pentecostes

Atos 2 registra a descida do Espírito profetizada por Joel. No Antigo Testamento, o ministério do Espírito Santo foi pontual. Raras pessoas foram cheias do Espírito. A promessa era de que na Igreja, o Espírito seria dado sem medida e sem acepção de raça, sexo, idade. Isso era absolutamente novo.

Imagine também que não havia o NT escrito para ser consultado. Não havia nada! Se fazia absolutamente necessário que um evento milagroso, marcante, totalmente excepcional para que os crentes pudessem não ter dúvida que estariam mergulhados no Espírito.

Atos registra 4 vezes esse batismo no Espírito. Uma vez com os discípulos em Jerusalém (At 2), onde todos eram judeus. Depois em Samaria (At 8.4-25). A seguir com Cornélio, um gentio que era observador do judaísmo (At 10) e finalmente com gentios dos “confins da Terra (At 19.1-7).

Lucas registrou o que de fato aconteceu. O Espírito Santo achou por bem repetir apenas mais 3 vezes o que Ele fez no Pentecostes. Para iniciar a Igreja em Jerusalém. Para iniciar a Igreja entre os samaritanos. Para iniciar a Igreja entre os gentios da Judeia. Finalmente, para iniciar a Igreja entre os gentios de toda a Terra.

Ou seja, todas as pessoas de todas as tribos, povos, língua e nação são aceitas no Reino de Jesus, mediante o novo nascimento, que é iniciado pelo batismo no Espírito.

Assim como não preciso de uma imagem de Jesus, ou da cruz, não preciso de evento sobrenatural a cada conversão. A conversão, o novo nascimento, é espiritual. Portanto, quando um ímpio exerce a fé para a salvação ele está sendo batizado no Espírito.

E as línguas ininteligíveis?

"O que fala em língua [desconhecida] edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja. E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação. Por isso, o que fala em língua [desconhecida], ore para que a possa interpretar. Porque, se eu orar em língua [desconhecida], o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto". 1Co 14.4-5; 13-14.

Os pentecostais ainda hoje afirmam que o sinal de que uma pessoa recebeu a segunda bênção do batismo no Espírito é o falar língua estranha, que eles identificam serem a mesma língua dos anjos de 1Co 13.1.

Em Atos 2, discípulos estavam orando e o texto afirma que os não crentes estavam ouvindo no próprio idioma. Como o texto não afirma em qual idioma os discípulos oravam, é justo entender que oravam em aramaico (ou hebraico), mas o povo entendia cada um em seu próprio. Contextualizando: a oração era feita em português, mas o alemão ouvia em alemão, o chinês em mandarim, o argentino em espanhol... Então, não foram línguas de anjo ou ininteligíveis. Foram idiomas que os discípulos nunca falaram nem aprenderam.

1Co 12, quando fala dos dons sobrenaturais do Espírito, as línguas podem ser a repetição deste fenômeno. Esse empoderamento que Deus pode dar a alguém na comunicação do evangelho. E como toda a ação sobrenatural, ela não ocorre todo dia a cada hora. São eventos raros. Mas são a manifestação de se falar em um idioma desconhecido e não aprendido, porém um idioma humano com a finalidade de anunciar o evangelho.

E por que algumas pessoas pronunciam palavras ininteligíveis nos cultos?

Se procurarmos na internet, em sites de vídeos, veremos que grupos católicos e até não cristãos falam em línguas ininteligíveis. Em um deles, um padre ensina como falar "língua estranha". Ora, se ela é aprendível, então não é dom sobrenatural.

Mas o que prova isto é que falar palavras ininteligíveis é próprio do ser humano. Já ouvi pessoas que atacam o pentecostalismo dizerem que na verdade se trata de coisa demoníaca, pois adoradores de Satanás e religiões orientais praticam tais coisas. Tolice!

Falar palavras ininteligíveis é uma faculdade humana. Usar a emissão destes sons para louvar a Deus é perfeitamente aceitável e prazeroso. Para mim, é a prova de que esta capacidade é puramente humana e o homem tem a liberdade de usá-la para adorar quem ele quiser: Deus, Jesus, um boi, Satanás, uma imagem de santo... O que irá tornar o ato sacro ou profano é a pessoa que o pratica e para quem ela pratica.

O ponto então não é negar a sinceridade de pronunciar palavras ininteligíveis num culto a Deus, mas tenho para mim que não é isto que 1Co 12.10 está se referindo nem muito menos foi isto o que ocorreu nos quanto registro de Atos.

Não vejo nenhum problema alguém louvar a Deus com palavras ininteligíveis. Não tenho nada contra quando isto acontece no culto de domingo, mas precisamos seguir a orientação de 1Co 14 que é expressa e clara: "E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus" (1Co 14.27-28).

Conclusão

a) Todo aquele que é nascido de novo é batizado no Espírito Santo;
b) Este batismo não é uma segunda bênção;
c) Línguas ininteligíveis não são evidências do batismo;
d) As línguas de 1Co 12.10 são idiomas;
e) Apesar de línguas estranhas não serem dom espiritual, elas em si são neutras e não há problema em pronunciá-las em atitude de louvor a Deus.


Imagem: https://teologiabrasileira.com.br/qual-o-momento-do-batismo-com-o-espirito-santo/

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