O que tem a ver a Queda com a lei da misoginia?
Gênesis 3.16:
o teu desejo será para o teu marido e ele te dominará.
תְּשׁ֣וּקָתֵ֔ךְ
וְה֖וּא יִמְשָׁל־בָּֽךְ
təšūqāṯêḵ, wəhū yimšāl-
Gênesis 4.7:
o seu desejo será contra ti,
mas a ti cumpre dominá-lo.
תְּשׁ֣וּקָתֹ֔ו
וְאַתָּ֖ה תִּמְשָׁל־בֹּֽו
təšūqāṯêḵ, wə’attāh timšāl-
Gênesis, 3.16 e 4.7 compartilham uma estrutura linguística quase idêntica em hebraico, apesar de tratarem de contextos diferentes.
Gn 3.16 faz parte da sentença dada
à mulher após a queda. A tradução em português ficou assim: O teu desejo será
para o teu marido e ele te dominará.
Em Gn 4.7 Deus avisa Caim que ele
precisaria tomar cuidado com o desejo de tirar a vida de seu irmão Abel. A
tradução ficou assim: o teu desejo será contra ti, mas cumpre a ti dominá-lo.
A simetria entre esses 2 versos é
impressionante na língua hebraica. Os pontos de conexão entre elas são:
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Gênesis 3:16 (Mulher/Marido)
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Gênesis 4:7 (Caim/Pecado) |
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O Desejo (Teshukah) |
Teshukatêkh (Teu desejo) |
Teshukato (O desejo dele [do pecado]) |
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O Objeto |
Voltado para (contra, em oposição) o marido |
Voltado para (contra, em oposição) Caim |
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O Domínio (Mashal) |
Yimshal-bakh (Ele te dominará) |
Timshal-bo (Tu o dominarás) |
O desejo: Em Gn 3.16 é o desejo da mulher. Em Gn 4.7 o desejo dele, nesse caso, do pecado.
O objeto: Gn 3.16, aponta para o marido e Gn, 4.7, para Caim.
O domínio: Em Gn 3.16 o marido dominará sobre a mulher e 4.7, Caim deveria resistir ao domínio do desejo.
Vamos olhar os pontos principais. Primeiro: essa palavra traduzida por desejo, teshuka,
ocorre apenas 3 vezes no hebraico. Ela não indica apenas uma vontade passiva,
mas uma inclinação forte ou tentativa de controle, de posse, de dominação.
Em Gn 3.16, o texto descreve a consequência
da queda, onde a harmonia entre homem e mulher é substituída por uma dinâmica
de desejo e domínio. Em 4.7, a mesma estrutura é usada para descrever a luta
moral.
O pecado deseja possuir Caim, mas,
ele é convocado a exercer domínio sobre o pecado. O autor de Gênesis usa a
linguagem de 3.16 para descrever o perigo do pecado em 4.7.
Isso sugeriu que o pecado se
comporta como uma força que busca subjugar o ser humano da mesma forma, que as
relações humanas se tornaram confusas após a queda.
Em resumo: como consequência da
queda, a relação harmoniosa entre o homem e sua mulher foi corrompida. O homem
passará a ser dominado pelo desejo de tiranizar a mulher e essa, por sua vez,
será dominada pelo desejo de ser opositora, adversária, inimiga do marido.
Sendo assim, o que podemos
concluir é o seguinte. Essa lei vem apenas para materializar aquilo que
aconteceu na queda. A lei da misoginia, se sancionada, será meramente a
confirmação legal do decreto divino que une a humanidade por seus pecados.
Nós, todavia, encontramos a
solução, a neutralização dessa consequência trágica em Jesus Cristo. Jesus restaura
a posição original antes da queda, relativo ao papel do homem e o papel da
mulher na sociedade, no casamento e na família.
Somente aqueles que são nascidos
de novo, nova criatura em Jesus, conseguem vivenciar o que o Espírito Santo prescreve
na carta de Paulo aos efésios, capítulo 5.
Se você assim o fizer, vai
entender o que eu estou falando. Meu ponto aqui é dizer que essa lei, se
aprovada, simplesmente vai estar materializando aquilo que a Bíblia já havia
previsto, aquilo que a bíblia revela como consequência do pecado.
Infelizmente, se vier a ser sancionada,
tal lei aprofundará ainda mais a animosidade entre homens e mulheres: “um
abismo chama outro abismo” (Sl 42.7).
Que Deus tenha misericórdia de nós.
Povo de Deus, oremos para um avivamento em nossa nação. Porém, se ele não vier,
que Jesus nos guarde do maligno e nos dê a paz que somente ele pode dar.


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